<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952</id><updated>2012-02-25T11:45:41.371-02:00</updated><title type='text'>Coffee &amp; Strawberry</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>223</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-151739667148356095</id><published>2010-01-08T21:02:00.000-02:00</published><updated>2010-01-08T21:04:05.151-02:00</updated><title type='text'>Escuridão (da série "Estéticos")</title><content type='html'>A escuridão como uma figura assimétrica, perfeita. Como salvação. Redenção. Bem e mal em um único corpo difuso. Yin e yang em um apenas, completo, sem linhas limites definições. A escuridão como o perfeito absoluto a ser alcançado. A compreensão total na falta de sentido. O caos divino. A ilusão suprema. A última cortina caindo, desvelando-se. O negror. A cegueira. A inutilidade dos sentidos – de todos eles. O sentir-se completamente perdido; em um caminho sem retorno. A escuridão – interna e externa. O todo. O nada. A ilusão. O eu. A escuridão. Um ciclo. Um círculo. Perfeito. Tudo sempre perfeito incompreensível inalcançável. Os delírios. A morte – mais uma. O fim. O começo. O eterno retorno. A eterna agonia. O peso. A leveza. A fuga. A impossibilidade da fuga. O desespero. A calma. As tentativas – todas vãs. O nada. O tudo. A escuridão. Samsara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-151739667148356095?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/151739667148356095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=151739667148356095&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/151739667148356095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/151739667148356095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/escuridao-da-serie-esteticos.html' title='Escuridão (da série &quot;Estéticos&quot;)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-6942384546775467443</id><published>2010-01-08T20:57:00.001-02:00</published><updated>2010-01-08T21:00:50.712-02:00</updated><title type='text'>Quebra-Cabeça ou Interioridade (da série "Estéticos")</title><content type='html'>Tudo começa com um solavanco – algo violento. No fim, é a violência que move o mundo – e as pessoas. Pois aquele algo violento provoca uma desorganização interna, como se houvesse um quebra-cabeça dentro dele, e este fosse subitamente, bruscamente desmontado. A partir daí ele não compreenderia mais o mundo, nem a si mesmo. Aquilo que havia dentro dele estava desmontado, e agora o que restava era caos e uma antiga sensação de organização, de pertencimento. Pertencimento? Sim, pertencimento. Havia uma certa compreensão do mundo e de si mesmo que o pertencera – e agora o abandonara. Então agora ele necessitava começar novamente, montar o seu quebra-cabeça interior. Mas não conseguia. Estranhava as peças como se nunca as houvera visto. E a compreensão não vinha. Encontrava-se preso em um estranhamento que parecia perpétuo. Não havia fuga. Ele nem mesmo era capaz de imaginar uma fuga. Estava totalmente – mortalmente – desarmado; desconcertado [desmontado]. Recomeçava. O que recomeçava? Recomeçava a si mesmo. Como se fosse Deus, e Adão, e O Início dos Tempos – todos ele; todos nele. No princípio – a primeira peça – havia apenas a escuridão. Depois – a segunda – havia ele [seria Deus ou Adão?]. Depois havia a sua vontade – a terceira. Depois tudo era caos. Não conseguia passar destas três peças iniciais. Ele, parado em meio à escuridão, com vontade de. De quê? De compreender. Compreender o quê? Tudo. Recuperar a compreensão que acreditava ter possuído um dia – talvez segundos atrás [o tempo não era importante – ou era?]. Mas ao que parecia, o solavanco inicial havia causado um mal irreparável. Aquilo que fora desmontado – a compreensão – jamais seria remontado novamente. Ele teria vislumbres relances memórias em uma peça ou outra, mas a cena completa estava perdida para sempre. Nunca mais a compreensão. A roda gira sempre em frente, e não importa quantas vezes gire em torno de si, o caminho jamais será o mesmo. Ele perdera a si próprio na total desorientação, e seguia girando. Precisava então, para sobreviver, montar um novo quebra-cabeça. Construir peça por peça; cena a cena. Ou entrar em um rio e morrer. Ou tomar arsênico. Ou escrever. Ou pensar. Ou amar. Ou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-6942384546775467443?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/6942384546775467443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=6942384546775467443&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6942384546775467443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6942384546775467443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/quebra-cabeca-ou-interioridade-da-serie.html' title='Quebra-Cabeça ou Interioridade (da série &quot;Estéticos&quot;)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4877114803324686675</id><published>2010-01-08T20:50:00.000-02:00</published><updated>2010-01-08T20:56:02.676-02:00</updated><title type='text'>Nosso Amor</title><content type='html'>Estava deitado ouvindo Arcade Fire pensando no que acontecia. De fato, acontecia muita coisa, mas eu não conseguia dispô-las em uma organização lógica em minha mente, afim de uma análise um pouco mais elaborada. Tentava: primeiramente havia um amor – ou algo que eu acreditava ser um amor; ou, em última instância, algo que eu convencionava chamar de amor. Aquilo que havia, o objeto ontológico de análise, aquilo que prescindia o nome “amor”, sem o nome não era nada – apesar de ser tudo. Então eu pensava primeiramente sobre o amor. Mas não sobre o sentimento universal grandiloqüente que todos convencionamos chamar de amor – eu pensava em um amor específico [eu e ela]. Logo, eu pensava nela. Mas novamente, não nela enquanto ela mesma, mas sim na minha visão dela. Como podem perceber, é tudo uma questão de semiótica, problemas lingüísticos, significante &amp;amp; significado. Mas o fato é que a partir do amor [aquele específico] e dela [aquela minha visão dela], eu definia a percepção que eu tinha de mim mesmo [ou uma delas – talvez a principal]. Assim eu me definia: eu era parte integrante e [talvez] indivisível do amor que havia entre eu e ela. É claro que este prisma apresenta vários problemas. Ver a si mesmo sob uma perspectiva que não é única e exclusivamente interna [e não são todas?] é sempre algo problemático. Mas eu partia do pressuposto que ela [parte integrante e indivisível do nosso amor, logo, de mim mesmo] também visse a si mesma, e ao nosso amor e, por conseqüência, a mim, sob o mesmo prisma – o que permitiria uma comunicação mais verdadeira entre nós. Mas veja bem, tudo isso acontece dentro da minha percepção interna [como um delírio, alucinação], podendo não significar nada fora deste contexto e, em último caso, ser uma completa farsa – uma mentira. Logo, não é difícil perceber que toda esta minha divagação é inútil. Eu deveria apagar a luz, desligar o som, deitar a cabeça no travesseiro e dormir. Mas sei que não farei isso por diversos motivos: 1) Eu não durmo à noite. 2) Este não é o meu travesseiro. 3) Esta não é minha cama. 4) Esta não é minha casa. 5) Eu continuo pensando nela e no nosso amor. O que é engraçado, pois o conceito de “nosso amor” remete à idéia de Amor Romântico Idealizado, o que não é o caso. O “nosso amor” é mais como uma guerra – uma eterna disputa de poder; um cabo de guerra metafísico. O “nosso amor” exige violência e disputa. Amamo-nos na mesma medida em que odiamo-nos, e desejamos viver um para o outro na mesma medida em que desejamos matarmo-nos. O “nosso amor” possui um duplo; um lado negro. Vida e morte. Eu e ela. O “nosso amor” doentio. Como um câncer, uma metástase espiritual devorando-nos mutuamente, simetricamente, igualmente – um amor duvidoso de si mesmo, duvidoso de nós [tão suspeitosos e duvidosos que sempre fomos]. Este amor deformado como nosso filho, disforme em seu esplendor – cego e carente. E nós o alimentando com beijos e violências. Nosso filho. “Nosso amor”. Nossa vida perdida nesta prisão de estarmos eternamente ligados um ao outro – estas algemas imaginárias, que do prazer passam à dor, do amor ao ódio; eternamente ligado nesta união maldita. Eu adormecia pensando nela e no “nosso amor”. Ela adormecia longe de mim. Eu sentia sua respiração no sono. Estava morto. Estava enlouquecendo. Estava amando. Estava odiando. Estava preso. Preso. Preso. Eternamente preso...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4877114803324686675?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4877114803324686675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4877114803324686675&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4877114803324686675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4877114803324686675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/nosso-amor.html' title='Nosso Amor'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3610884731658711047</id><published>2010-01-06T03:21:00.002-02:00</published><updated>2010-01-06T03:25:59.768-02:00</updated><title type='text'>Inexorabilidade</title><content type='html'>O tempo, sempre traiçoeiro e enganoso. O que seria o tempo, na verdade? Apenas mais uma ilusão da nossa mente caótica, ou algo, como dizem, inexorável? Acho engraçada essa idéia de inexorabilidade. É como uma sina. Não se pode fugir dela. Isso significa que não se pode fugir do tempo. O que na verdade é uma mentira. Não uma mentira no sentido clássico; mais como uma inverdade. Uma inverdade, pois cada um vive em seu próprio tempo, têm suas próprias percepções da realidade, se relaciona com o mundo de uma forma diferente. Então creio que é correto dizer que cada um possui o seu próprio tempo, e que esta inexorabilidade é muito relativa. A nossa maior sina é relativa – depende de uma interpretação própria. Cronos é apenas uma pintura antiga. O relógio é apenas uma máquina. O que mede verdadeiramente o nosso tempo é a forma como vivenciamos a realidade. E não digo isso num sentido filosófico-abstrato, mas no sentido real. O tempo é relativo. É uma construção.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Foi assim. Eu estava sentado pensando sobre o tempo quando ela chegou. Largou suas coisas sobre a cadeira, sobre a mesa, sobre a outra cadeira – a capacidade feminina de sempre carregar mil coisas que não usarão nunca. Conversava, falava sozinha – ou comigo – de outro cômodo. Era barulhenta. Minha paz estava suspensa, e eu sabia que só seria restaurada no momento exato em que ela fosse dormir, reclamando que eu não iria com ela.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Tínhamos horários diferentes. Ela trabalhava o dia inteiro e estudava à noite. Eu ia dormir ao raiar do dia, acordava na metade da tarde. Passava a tarde, a noite e a madrugada pensando, lendo, escrevendo; tentando ser grandioso e artístico. Olhando agora, creio que talvez tenha sido justamente esta impossibilidade de estarmos sempre juntos, compartilhando vivências, que tenha feito nosso relacionamento durar tanto tempo – e da forma mais saudável que era possível entre nós.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Esse saudável incluía, em primeiro lugar, a não-traição. Eu poderia dizer fidelidade, ao invés de não-traição, mas o fato é que não seria apropriado. Todas as milhares de tentativas anteriores de relacionamentos entre nós haviam fracassado justamente pelas traições, de forma que trair-se era o normal para nós. Não éramos pessoas confiáveis – não confiávamos um no outro. Por isso a não-traição como premissa básica de um novo início.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Ela tinha necessidade da minha presença constante e contínua em sua vida. Eu tinha necessidade de solidão. E liberdade. Tinha necessidade de amizades e vinhos. Ela tinha necessidade de mim. Isso gerava um claro desequilíbrio. À noite, a sua necessidade absoluta de mim acabava com o meu tesão. Eu disfarçava. Ia escrever, ler, assistir um filme. Qualquer coisa que me distraísse da necessidade que ela tinha de mim. Ela me sugava. Drenava minha alma. Era uma parasita. Eu sentia isso ao escrever. Quando passava muito tempo com ela, os textos saíam vazios. Ela me sugava.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Andava em volta de mim, tomava goles da minha taça de vinho, conversava coisas desimportantes, fazia convites insinuantes para irmos para cama. No fundo, eu só queria que ela me deixasse em paz. Nosso relacionamento teria funcionado de uma forma muito mais eficaz se ela me deixasse em paz. Mas ela não deixava. Não conseguia. Não podia. Eu era indiferente. Tratava-a com grosseria. Ela se magoava. Eu fingia não me importar, mas a verdade é que eu não tinha outra alternativa – precisava afastá-la de qualquer jeito. Ela me fazia mal.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Por fim, ela dormia. E eu continuava mergulhado na minha solidão quebrada. Mesmo dormindo, eu sentia a sua presença no cômodo ao lado. Eu não estava sozinho. Eu não conseguia me concentrar. E isso me deixava em um permanente estado de improdutiva irritação. Ao longo dos anos fui aprendendo a odiá-la por isso. Odiá-la por me amar, odiá-la por macular a minha solidão sagrada. Odiei-a profundamente por tentar imiscuir-se à minha pessoa.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Ela era uma flor venenosa, planta carnívora – embora não fosse tão linda assim. Ela sufocava, asfixiava, envenenava. Por vezes, quis sentá-la em meu colo, olhar no fundo dos seus olhos verdes e, com um sorriso, dizer: eu te odeio. E eu vou te matar, antes que tu me mates. Eu não fazia, não dizia – embora a vontade fosse permanente. Sinceramente, nunca consegui descobrir qual era a coisa odiosa e pegajosa que nos mantinha juntos. Aquele suposto amor era tudo, menos amor em si. Era paixão, posse, ciúme, violência, raiva, ódio. Tudo menos amor. Mas não conseguíamos livrarmo-nos um do outro. Como uma maldição. Como uma sina. Como o tempo: inexorável. Permanecíamos naquela relação doentia como se não fosse acabar nunca; como se existisse desde o início dos tempos. Havia encontros e desencontros; brigas e sexo; mas continuávamos, permanecíamos, unidos pelo ódio amoroso, amor odioso, ilusão inexorável, impermeável. Não havia explicação. Eu só queria fugir dela para sempre. Eu só queria matá-la.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Ela agia como se nada acontecesse, como se ambos nos amássemos profundamente – mesmo sabendo do ódio recíproco, escuro e violento, que alimentávamos juntos a cada falsa jura de amor. Dizíamos “eu te amo” dormindo. Sonhávamos sonhos de ódio e liberdade. Estávamos matando-nos mutuamente.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Ela não se importava. Ao menos não parecia se importar. Já estava acostumada a este jeito de sermos um com o outro – venenosos, ardidos, maus. A crueldade como única salvação; como redenção. Mas não é fácil ser cruel com palavras de amor. Exige muita prática e talento. Machucar com um “eu te amo” é uma arte para mestres, uns poucos escolhidos. E nós éramos escolhidos; sagrados e escuros. E nos odiávamos com muito amor, nos amávamos com muito ódio. Creio que no fundo os sentimentos se misturavam e acabavam virando uma coisa só, um ódioamor ou amoródio, algo que nos matava e nos permitia viver ao mesmo tempo; algo que secou-nos por dentro.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Eu sempre a culpei pela morte do eu romântico. No fim, eu estava certo. Ela era a morte dos sentimentos para mim. Pelo menos dos bons. Sobrava apenas aquele amoródio infernal que me torturava noite após noite. Teria sido melhor se morresse – se ambos morrêssemos.  Teria sido menos doloroso. Teria sido mais fácil. Mas sobrevivi, como uma ironia, talvez única e exclusivamente para contar esta história. Sobrevivi; sobrevivemos – monstruosos.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Por vezes pensava que não éramos mais humanos, e tentava em vão buscar na memória o momento exato onde a humanidade se perdeu, onde aquelas duas pessoas que nós éramos morreram e transformaram-se nestas criaturas abomináveis que se amorodiavam mutuamente. Nunca consegui lembrar. Não havia resposta. Não havia volta. Estávamos condenados. Condenados um ao outro.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Mas eu queria fugir.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Creio que uma das coisas mais engraçadas do ser humano é a liberdade, e como ela é relativa. A liberdade, na verdade, não existe – ilusão inexorável; sina. Todos são tecnicamente livres para fazer/pensar o que quiserem, mas o fazer/pensar e, mais a fundo, o próprio ato de ser já está atrelado a uma série de, digamos, regras predeterminadas. O ato de ser já está previamente condicionado a um tipo de ser. O que foge a isso é ignorado ou eliminado. A liberdade, vista de fora, é algo realmente muito engraçado. Ou melhor: seria (já que ninguém realmente a vê de fora; todos estão imersos nela).   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando sobre liberdade eu percebi que não poderia fugir dela. Percebi que como criaturas não-humanas era justamente este amoródio o que nos mantinha vivos – que não havia fuga possível. Ou pelo menos era nisso que eu acreditava, e pelo fato de eu acreditar tornava-se real – a minha realidade inexorável, moldada ao meu bel-desprazer (o prazer apenas pelo prazer não existia para mim – ou existia?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi continuar com ela então. Não creio que se possa chamar efetivamente de decisão, pois eu não tinha escolha; mas convencionei chamar de decisão – talvez para não sentir-me tão impotente diante da inexorabilidade dos fatos, do mundo. Continuávamos então, até a nossa próxima morte. Não soubera o que haveria além da humanidade e do amor – tivera curiosidade e medo. Estes sentimentos voltavam agora, pressentindo o que surgiria após esta não-humanidade monstruosa e seu amoródio. Tinha vontades suicidas de matá-la ou deixá-la, pois sabia que assim também morreria – sentia que éramos um organismo uno, ela, meu duplo, meu gêmeo siamês na monstruosidade –, e talvez descobrisse (novamente) o que havia depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, creio, tinha medo. Ou talvez não fosse medo. Talvez estivesse simplesmente viciada em mim; viciada em nosso amoródio dilacerante. Ela não podia mais evitar, não podia mais controlar-se: era uma dependência químico-espiritual que ela desenvolvera de mim. Uma dependência que eu não desenvolvera – ou que pelo menos acreditava não ter desenvolvido, o que a tornava inexistente para mim. Mas isso só fazia aumentar a vontade suicida que eu tinha de matá-la. Ela, cada vez mais próxima a mim; eu, cada vez mais distante dela. A morte, cada vez mais íntima de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só queria me libertar, mas parecia não ser possível. Eu implorava para todos os deuses que conhecia, mas os deuses atendem apenas a humanos, e eu era desumano. Estava no limbo. Com ela. Sem fuga. Sem vida. Sem sentimentos. Uma condenação muito mais pesada do que eu jamais merecera. Queria, com todas as forças, morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu via a escuridão como uma vitória, mas não desejava que esta escuridão fosse compartilhada – eu a queria só, una, indivisível em mim. Mas eu era ela e era também o nosso amoródio como uma força elemental que une um átomo a outro e forma uma matéria viva pulsante repugnante nós eu e ela em mim. Eu não queria nada disso. Ela talvez quisesse e por isso eu a odiava – mas não sem amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos voltar ao ponto de partida, eu quero voltar ao ponto de partida, sinto tudo mal-esclarecido, como uma pintura desfocada, borrões no lugar dos rostos. Por incrível que pareça, esta arte ambígua nunca me atraiu. Na verdade atraiu, mas ela é inútil agora que quero deixar as coisas mais claras possíveis; límpidas, cristalinas. Quero voltar ao começo, onde havíamos apenas eu, ela, antes do amoródio, apenas nós dois como uma página em branco. Então imagine que eu estou começando a contar de uma nova forma, agora, assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início, nós nos amávamos. Sim, era amor. Talvez tenha sido o meu primeiro e único. Quanto a ela, não sei – mas acho que também. Mas o fato é que o amor só dura enquanto for perfeito. A partir do momento em que ele se quebra, nunca mais será amor – pelo menos não entre as duas pessoas envolvidas. Insistir neste amor quebrado, despedaçado, destruído, só levará a outros sentimentos – geralmente os piores possíveis – e a outro tipo de ações – geralmente aquelas que causam desgraças (para o corpo e para a alma). De fato, o amor se quebrou, e a nossa insistência naquilo que não existia mais nos trouxe às já citas desgraças para o corpo e para a alma – e nos transformou no que somos agora – criaturas do amoródio. Não creio ser discutível se isto era evitável, se foi uma escolha, ou se, novamente, era algo inexorável. Simplesmente, a esta altura, não importa mais. Agora tudo é inexorável. Todas as escolhas, sem escolha – como sempre foram. O fato é que houve um início, e eu acreditei – nós acreditamos. Mas o que houve depois foi o que importou, e sobreviveu, e sobreviveu-nos. Novamente, não sei se isto é bom ou ruim – eximo-me aqui de qualquer juízo de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que depois do amor, e do desamor, e da vida, e da morte, houve o momento, ou melhor, o período, pois não foi um momento apenas, foram eras, embora seja tudo a mesma coisa, senti-me preso em um único momento durante todas estas eras, mas houve o período onde decidimos que nos amaríamos sem amor, nos odiaríamos sem ódio, viveríamos sem vida, morreríamos sem morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio-me um pensamento agora: não sei por que conto esta história. Ela não servirá de nada, não salvará ninguém. Aqueles que estão perdidos já não possuem mais volta – e são todos. O calendário maya, 2012, os quatro cavaleiros do apocalipse. Tudo bobagem. Os apocalipses são internos. E todos já aconteceram. Agora é só questão de tempo. Pode ser amanhã. Ou daqui a 10.000 anos. Pode ser em um momento ou para sempre. Todos estão mortos. Não há salvação. O tempo não existe, é ilusão. As pessoas igualmente. Nós dois, com o nosso amoródio, somos uma transição. Não somos os únicos. Há milhares. Escondidos; disfarçados; camuflados. Somos o futuro e o passado. Somos a única esperança desesperançada de vida e morte e tudo e nada. Somos universo e vazio – todos nós. Não há salvação. O destino é inexorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última lágrima cai. Quis apenas contar esta história antes que tudo se faça escuridão; antes que tudo acabe – embora nada nunca acaba: nem mesmo nós; nem nosso amoródio. Um dia acreditei – acreditamos – que poderia dar certo. Deus é uma criança brincando com uma fazenda de formigas. Não há ordem, apenas caos – o fogo que consome e a água que afoga e a beleza (agora sim, verdadeiramente) inexorável. O caos é belo. Nós dois não somos nada. Deus não existe. O universo é ilusão. A vida é inexorável. E a morte. E o tudo. E o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me apenas disto: resta, no fim de tudo, apenas uma voz na escuridão. Uma voz cheia de ódio, que diz: “Eu te amo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3610884731658711047?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3610884731658711047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3610884731658711047&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3610884731658711047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3610884731658711047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/inexorabilidade.html' title='Inexorabilidade'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7398221383467733803</id><published>2010-01-06T02:56:00.001-02:00</published><updated>2010-01-06T02:56:31.296-02:00</updated><title type='text'>Noite</title><content type='html'>Talvez seja isto que falte. Uma música, um vinho, um cigarro, um amor. Tudo o que há agora é este calor abafado e o silêncio da madrugada. Luz branca, artificial. Tela do computador, imóvel e indiferente. O mesmo discurso de outros tempos; outros lugares. A mesma sensação de sempre. Um eterno inconformismo que vai se cansando e, aos poucos, transformando-se em tédio. Aquele sono acordado sem vontade de dormir – um torpor permanente, eterno. Em mais uma noite dessas eu penso. Lembro. Faço uma retrospectiva analítica da minha vida. Construo possibilidades mentais que nunca se realizarão. Volto a fita e vou para o outro lado da encruzilhada há quatro anos atrás. Tenho a esperança de que assim eu não acabe perdido sozinho no meio de uma grande metrópole suja e abafada. Sem ninguém. Filmes velhos na tv. A tela do computador indiferente, há anos nos mesmos sites. Eu, há anos no mesmo ciclo. Tenho impressão de que as palavras já foram repetidas à exaustão. Agora só o silêncio faz sentido. Buscar a resposta no nada, no branco, no vazio. É o que resta quando tudo não bastou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7398221383467733803?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7398221383467733803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7398221383467733803&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7398221383467733803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7398221383467733803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/noite.html' title='Noite'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7360086022169048379</id><published>2010-01-06T02:53:00.001-02:00</published><updated>2010-01-06T02:53:49.187-02:00</updated><title type='text'>Perpetuação (da série "Estéticos")</title><content type='html'>Esta sensação antiga, já plenamente identificável, de inadequação ao mundo. Esta sensação de não pertencer a lugar algum, e de ser hostilizado por todos. Eles sabem. Sabem que eu não pertenço a sua raça; sabem que eu não compartilho das suas crenças. Eles me querem morto. Matar-me-ão; esquartejar-me-ão; e após levarem as partes para quatro cantos distintos do mundo, far-lhes-ão arder em chamas – até as cinzas. Para nada restar – nem da obra, nem do homem. Para nada restar do pensamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7360086022169048379?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7360086022169048379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7360086022169048379&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7360086022169048379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7360086022169048379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/perpetuacao-da-serie-esteticos.html' title='Perpetuação (da série &quot;Estéticos&quot;)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-6550564750857633830</id><published>2010-01-06T02:49:00.001-02:00</published><updated>2010-01-06T02:51:45.805-02:00</updated><title type='text'>Um Casal Quase Perfeito</title><content type='html'>Uma menina ruiva parada à minha frente. Foi assim que começou. Era uma tarde quente em Porto Alegre. Era primavera, mas parecia verão. Ela era ruiva, tinha olhos verdes assustados e a pele muito branca. Vestia uma camisola de criança – curtíssima – e estava parada à minha frente, enroscando os pés descalços um no outro e comendo Passatempo recheado. Era dois anos mais velha do que eu, mas olhando assim parecia uma criança. Eu estava deitado, ouvindo Nick Drake com um caderno aberto ao colo. Várias esquematizações inúteis para tentativas vãs de escrever. Ela olhava e tentava descobrir sobre quem eu escrevia. Eu dizia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;é apenas literatura&lt;/span&gt;. Era mentira. Ela sabia. Eu disfarçava. Ela voltava para o quarto ler seus livros de literatura infanto-juvenil. Ela não lia o que eu escrevia. Tinha medo. Eu ainda sentia o cheiro do gozo dela entre minhas pernas. Suor empapando a camiseta e a bermuda. O verão senegalês de Porto Alegre – mesmo na primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que ela era uma tentativa. Uma tentativa minha. Uma construção. Quase um texto; uma obra literária de olhos verdes e cabelos vermelhos. Eu a amava. Ela não tinha certeza. Não tinha como saber. Sabia apenas que eu amava a mim mesmo e a minha literatura – não necessariamente nessa ordem. Mas eu a amava – enquanto minha construção; minha obra-prima, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde ia chegando ao fim. A luz ia tornando-se azulada. Eu escrevia na sala. Ela lia um livro amarelo deitada na cama. Porta do quarto fechada. Eu ouvia música. Ela precisava de silêncio. Coisa engraçada, sendo que o silencioso da relação sempre fora eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu havia lido uma história sobre uma menina morta durante o dia. Ela assistira animes &amp;amp; organizara papéis. Um casal quase perfeito. Algumas horas de sexo de manhã, uma transa rápida à tarde. Poucas palavras trocadas durante o dia. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobre o que é o livro que tu tá lendo? Sobre uma menina morta. Ah...&lt;/span&gt; Um casal quase perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite ia caindo. Mosquitos entrando pela janela aberta. A primavera de quarenta graus abafados de Porto Alegre. Eu escrevendo na sala. Ela lendo no quarto. Porta fechada. Um casal quase perfeito...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-6550564750857633830?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/6550564750857633830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=6550564750857633830&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6550564750857633830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6550564750857633830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/um-casal-quase-perfeito.html' title='Um Casal Quase Perfeito'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5026791361751618765</id><published>2010-01-06T02:45:00.001-02:00</published><updated>2010-01-06T02:46:49.415-02:00</updated><title type='text'>Sobre antigüidade e atemporalidade (da série "Estéticos")</title><content type='html'>Uma antiga casa de campo. Com uma mulher igualmente antiga perdida dentro dela. As janelas abertas. O vento cheio de folhas espantando o mofo escondido pelos cantos. Uma mulher no fim da vida em uma casa que não acabaria nunca. Ambas feitas de lembranças – a mulher e a casa. Um vazio imenso, a ausência de qualquer pessoa outra por séculos, milênios; e todo este vazio preenchido por tudo o que já acontecera, todos os tempos passados passeando ao mesmo tempo pela casa, dançando com aquela mulher que não era mais ela, mas sim muitas, todas as mulheres que ela já fora, todas ao mesmo tempo, toda uma vida acontecendo naquela casa vazia, naquela mulher esvaziada pelo tempo. A imortalidade. O atemporal. A memória. As ilusões reais e a realidade falsa. Uma velha mulher em uma velha casa de campo. Para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5026791361751618765?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5026791361751618765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5026791361751618765&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5026791361751618765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5026791361751618765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/sobre-antiguidade-e-atemporalidade-da.html' title='Sobre antigüidade e atemporalidade (da série &quot;Estéticos&quot;)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-242329441527366576</id><published>2010-01-06T02:44:00.001-02:00</published><updated>2010-01-06T02:44:58.634-02:00</updated><title type='text'>Universo (da série "Estéticos")</title><content type='html'>Talvez eu esteja morrendo. Amanhã não me lembrarei de nada. Apenas a taça de vinho ao meu lado. O som da minha respiração pesada. Borges segurando minha mão. As desilusões; as decepções; as mortes. E o silêncio. A irrealidade. E a saudade. A falta. As lembranças. Amor. A caneta quase vazia. Tudo. O mundo; o universo; o oceano. Tudo o que é infinito. E eu; também infinito. E Astérion. E as casas vazias. E os sonhos. E as esperanças. E as ilusões. E as mortes (salvações?). Tudo. Nada. Caos. Pensamento. O agir incessante e inútil contra a ordem das coisas. A tragédia. O vinho. A escuridão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-242329441527366576?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/242329441527366576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=242329441527366576&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/242329441527366576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/242329441527366576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/universo-da-serie-esteticos.html' title='Universo (da série &quot;Estéticos&quot;)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-711561044375026439</id><published>2010-01-06T02:37:00.003-02:00</published><updated>2010-01-06T02:42:08.345-02:00</updated><title type='text'>Ménage à trois - Capítulo I</title><content type='html'>Eu disse que ficaria com as duas, na mesma cama, ao mesmo tempo – pelo menos enquanto me interessasse. A loura riu e desdenhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tu acha mesmo que podes com nós duas? Eu duvido muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo eu também duvidava. Andava meio broxa, bebendo demais e com dificuldades em sentir tesão. O problema é que para mim o tesão deixara de ser uma coisa meramente física. Era um conjunto de sensações que exigia um conjunto de interesses, e vinha andando muito exigente nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ruiva falava sozinha no outro sofá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sexo é sempre sexo. Sempre aquela mesma coisa suada e vazia. Só mais uma fuga. Só mais uma fuga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia não se importar com o fato de eu e a loura também estarmos ali. E, de fato, não se importava. Não se importava com ninguém além de si mesma. Aliás, creio que este era o grande ponto em comum entre nós três, nossa ligação secreta: não nos importávamos com mais ninguém. Éramos egocêntricos e narcisistas. Ah, e como éramos lindos isolados na nossa torre de marfim. Uma versão ao contrário dos Sonhadores de Bertollucci, mas com o mesmo espírito, aquele ensimesmamento absoluto que nos tornava tão diferentes, tão melhores, tão sagrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo lá fora não tinha a menor importância. A noite corria solta. Vinhos caros espalhados pela sala. Música clássica ecoando por corredores vazios. A ruiva imersa em si mesma tendo pena do mundo, da vida e dela própria. A loura tentando ferir alguém a qualquer custo, azeda, ácida, irônica, sarcástica; necessitava ferir alguém – nem que fosse a si própria. E eu ali, no meio de duas lindas mulheres, pensando em sexo, pensando em levá-las para a cama. Não, na verdade não era isso. Eu buscava uma paixão. Eu necessitava, desesperadamente, me apaixonar. Precisava de algo que fizesse o meu coração bater mais forte outra vez; precisava sugar a força vital de outra pessoa, pois a minha já acabara. Usando uma expressão do Juliano Guerra, eu queria me entregar a um deslumbramento, qualquer que fosse, só precisava ser intenso. E aquelas duas mulheres ali, lindas, caóticas, confusas, doloridas, machucadas, juntas, eram mais do que eu poderia sonhar. Eu precisava possuí-las, não necessariamente pelo sexo, mas pela paixão. Eu precisava sugar a sua força vital, nem que fosse pelas suas bocetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loura comentou alguma coisa sobre Godard, Le Mepris, Brigitte Bardot. Ela sempre necessitando provar o quão genial e bela era, sempre necessitando expor aos quatro ventos seus conhecimentos sobre cinema autoral, literaturas raras e filosofia clássica. Na verdade, ela era uma farsa. Não que os seus conhecimentos fossem falsos, muito pelo contrário: eles eram admiráveis e encantadores. Mas ela não os adquiriu para si mesma, para seu gozo e deleite; ela adquiriu-os para mostrá-los, exibi-los, para provar aos outros que ela valia a pena, que ela era boa em algo. Isso fazia dela uma farsa, e me fazia pensar que ela realmente não devia valer a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ruiva continuava ensimesmada. Às vezes dizia alguns comentários soltos, pensando alto, falando sozinha, coisas como “a vida não vale a pena ou eu que não sou suficientemente boa para conseguir vivê-la?”. Ela era mais existencialista que a loura, embora a outra se considerasse filha de Jean-Paul e Simone. Eu queria as duas juntas, mas era muito difícil estabelecer uma ligação entre elas. No fundo, elas se odiavam. Creio que ambas me queriam só para si, enquanto eu queria as duas para mim – ao mesmo tempo. Era um tipo de relação que estava fadada ao sofrimento. Era um enigma sem solução. O equilíbrio entre nós três era impossível. Mas eu queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loura veio sentar-se ao meu lado no sofá, enquanto a ruiva continuava distante, rabiscando coisas em um caderno de capa vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loura só queria me amar, mas era inábil e machucava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se você quiser eu posso arranjar um vibrador para todos sairmos satisfeitos do ménage.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhava nos seus olhos. Eram verdes e cheios de medo. Medo de ser recusada, medo de não ser amada. E uma carência absoluta. Se eu esquecesse o corpo de mulher, cheio de curvas, e me concentrasse apenas em seus olhos, eu veria uma criança assustada. Nesses momentos eu tinha vontade de pegá-la no colo e cantar uma cantiga de ninar. Mas ela percebia a ternura – e a pena – nos meus olhos e se retraía violenta. Levantava-se, pegava outra taça de vinho, três goles longos e ininterruptos e soltava mais algum comentário ácido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Com esse olhar de menininho abandonado tu não vai comer ninguém aqui hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sentia pena de si mesma, e sabia que eu percebia. E isso lhe doía profundamente. Não agüentou. Saiu da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concentrei-me então, na ruiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era linda. Também tinha os olhos verdes. Nos anos posteriores à minha convivência com aquelas duas mulheres, muitas vezes tentei definir qual delas era a mais linda. Confesso que até hoje não sei. As duas eram lindas, uma ruiva e outra loura, e eu as amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma taça de vinho eu tirei a ruiva de dentro de si mesma. Ela me sorriu surpresa, como se tivesse me encontrado apenas naquele momento, um sorriso que dizia “oi, que bom que tu tá aqui”. Ela era mais silenciosa que a loura. Mais calma e mais serena também. A loura não sabia conviver com os silêncios; irritava-se e logo começava a brigar. Com a ruiva eu sempre tive silêncios confortáveis. Muitas vezes eu passei horas observando-a enquanto ela se perdia em algum deslumbramento interior. Era lindo. Eu podia vê-la caindo bem fundo para dentro de si mesma, e depois escalando lentamente o caminho de volta, até que ela chegava, e me sorria como quem diz “tu ainda estás aí? Que bom.” A presença dela me acalmava. Os olhos verdes dela eram tranqüilos; enquanto os olhos verdes da loura eram inquietos e desconfiados. Dois olhares completamente opostos em olhos praticamente da mesma cor. Eu achava engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e a ruiva permanecíamos em silêncio, a observar-nos mutuamente. A tranqüilidade dela era linda. Não saberia dizer o que ela pensava sobre mim naquela hora. Ela já havia me observado por tantas horas, tantos dias, tantos meses, tantos anos... Eu não saberia dizer se havia sobrado algo para ela descobrir em mim. Mesmo assim ela me observava com calma e com afinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente sempre houveram poucas palavras entre nós. Mas ela me compreendia muito melhor do que a loura – que sempre exigiu diálogos longos e exaustivos. Eu e a ruiva apenas no deliciávamos com a presença um do outro. Sorvíamos aquela companhia com o mesmo deleite com que sorvíamos aqueles vinhos franceses. Com a ruiva, sempre os vinhos franceses; com a loura, os chilenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quanto tempo se passou – é impossível dizer –, mas a loura voltou à sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É muita consideração de vocês não terem começado a “festa” sem mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima do ambiente se alterou totalmente. Era como se nós fôssemos três temperos distintos, e para a comida (a nossa relação, convivência) ficar boa era necessário a dose exata de cada um. Caso isso acontecesse, seria um manjar dos deuses. Mas se as dosagens fossem erradas viraria lavagem para porcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase impossível acertar a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loura trocava os canais freneticamente, procurando uma forma empírica de demonstrar toda a sua linda cultura, o seu valor, a sua presença magnífica. Por fim encontrou Gritos &amp;amp; Sussurros, do Bergman, e começou a discorrer sobre a genialidade da fotografia de Sven Nykvist. Eu e a ruiva permanecíamos em silêncio. Nós já conhecíamos Bergman, Sven e a loura. Por fim, ela desligou a tv e calou-se. Aquele era um momento crítico da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era ali que seria decidido o nosso futuro, o que aconteceria posteriormente – naquela noite e pelo resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ruiva disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Acho que nós deveríamos ir para a cama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-711561044375026439?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/711561044375026439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=711561044375026439&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/711561044375026439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/711561044375026439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2010/01/menage-trois-capitulo-i_06.html' title='Ménage à trois - Capítulo I'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5331761788528753036</id><published>2009-10-16T01:07:00.001-03:00</published><updated>2009-10-16T01:14:00.258-03:00</updated><title type='text'>O Escritor &amp; o Psicólogo</title><content type='html'>– Eu a amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ele analisava. Pose típica de psicólogo. Mão no queixo. Pernas cruzadas. Óculos abaixo da posição correta. Fala pausada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Então por que tu não segues em frente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Uma provocação. Era assim que ele trabalhava. E eu sabia. Percebia claramente a provocação e seus objetivos. Antecipava a sua análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Pra mim o sexo e o amor sempre foram duas coisas quase opostas, antagônicas. É assustador ver a possibilidade de conciliá-los na mesma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era verdade. Eu tinha medo. O sexo vazio era seguro e fácil. Eu o dominava. Eu as dominava. Não tinha nada a temer. Quanto ao amor, eu já havia desistido dele há tanto tempo que nem lembrava mais. Tanto que, quando eu a amei, não soube se já havia sentido aquilo antes, algum dia. Parecia inédito pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Mas não é justamente isso que tu procuras? Algo novo? Algo diferente? Algo a mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era. Creio que era. Mas eu tinha medo. Medo do amor. As minhas recordações – remotas – sobre o amor eram de destruição e mágoa. Tragédia. Desesperança. Desilusão. O amor nunca me trouxe nada de bom. E ainda havia aquela certeza, uma premonição absoluta, de que, no momento em que eu me entregasse, ela me abandonaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – É. Acho que eu estou em um momento de reconstrução interna. E ela é uma peça chave para que esta reconstrução aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mas eu não conseguia vê-la como um objeto – como eu vira todas as outras. Eu a amava – e essa certeza era assustadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Então o que tu tá esperando?! Vai lá, fica com ela! Transa com ela! Te permite amá-la!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Sim, eu queria. Aliás, era o que eu mais queria. Mas não era tão fácil. Eu tinha medo. Eu a conhecia muito bem. Três anos de convivência. Nossa relação era única. Todo aquele desejo contido. Aqueles sorrisos. Aquelas ironias. Aqueles toques sutis. Todo aquele amor desvairado represado por barreiras fracas demais durante todos estes anos. As barreiras se romperam. Não há como manter o controle. E não há como eu explicar isso para ele. Nem para ninguém mais. Apenas eu &amp;amp; ela somos capazes de compreender isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Eu a amo. Sempre a amei. À minha maneira. Creio que a atitude dela com relação a mim é semelhante. Acontece que nós nos conhecemos bem demais e tememos um ao outro. Somos inconstantes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Mas o amor de vocês não é constante? Não durou três anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – O meu sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Por mais que eu respondesse por ela, não poderia ter certeza. Ela nunca me deu certeza nenhuma. Ela sempre foi uma incógnita na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Sabe, ela me disse que sabe que eu vou estar no casamento dela – ela quer casar –, mas que também sabe que eu não serei o noivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – E?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Não sei o que pensar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mentira. Eu sabia bem o que pensar; o que sentir. Machucou-me. Eu gostaria de ser o noivo. Na verdade, eu nunca pensei realmente se gostaria de casar ou não; mas sei que não vou agüentar essa vida de escritor degenerado pra sempre. Já comecei alguns processos de reconstrução interna. Acho que sim. Que eu gostaria de casar-me; ter um casal de filhos... talvez com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Tu gostarias de ser o noivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Acho que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – E por que tu não deixas ela saber disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Por que no momento em que ela souber, ela vai me deixar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era verdade. Pelo menos era no que eu acreditava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – E se ela não te deixar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – O que tu esperas dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – De que forma? Como tu queres que ela demonstre esse amor? Como tu queres que esse amor se realize?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Talvez em muitas noites de sexo selvagem. Talvez em um casamento com um casal de filhos. Talvez até mesmo em ambos, na simbiose perfeita – nós, que tão ambíguos somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – E por que tu não dizes tudo isso pra ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Porque no momento em que ela souber, eu irei perdê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era verdade. Eu sabia. Tinha certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Tu estás te bloqueando. Assim tu nunca vais te permitir viveres nada. Tu estás estagnado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu sabia. Mas eu tinha medo. Muito medo. Depois de muitos anos ela era uma possibilidade de amor, e eu percebia que a perderia antes mesmo desse amor se concretizar. Ela era minha. Sempre fora. Mas na verdade não seria nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava extasiado por amá-la; mas aniquilado pela certeza da tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   – Não importa... nunca importou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5331761788528753036?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5331761788528753036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5331761788528753036&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5331761788528753036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5331761788528753036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/10/o-escritor-o-psicologo.html' title='O Escritor &amp; o Psicólogo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5599394237910973973</id><published>2009-10-15T14:54:00.003-03:00</published><updated>2009-10-15T14:56:30.590-03:00</updated><title type='text'>A cultura dos incultos</title><content type='html'>Por que, atualmente, as aulas em universidades baseiam os seus conteúdos no ritmo de aprendizado de alunos que não teriam a menor capacidade de estar dentro de uma universidade? Visando elucidar este problema, o presente texto irá apresentar algumas questões para reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente, devemos propor-nos a investigar as causas deste fenômeno, que cada vez mais atinge as universidades brasileiras. É possível considerar que o problema advém da necessidade das universidades particulares manterem seus alunos. Os altos preços podem ser pagos apenas por uma pequena parcela da população, sendo que, seria financeiramente inviável para as estas universidades perderem alunos por causa da elevação da qualidade e da exigência em nível acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntamente com estas questões, podem-se incluir as políticas governamentais – que afetam principalmente as universidades públicas. O governo brasileiro precisa mostrar uma evolução no nível de educação da população para os organismos internacionais. Só que está evolução não se dá na qualificação da educação brasileira, e sim no aumento da parcela da população que tem acesso a uma educação formal. Ou seja, as políticas públicas visam quantidade, e não qualidade. Seu interesse é apenas em termos de números e percentuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo em vista estas duas questões básicas – que podem ser desenvolvidas em inúmeras outras –, não é difícil compreender como o Brasil despeja quantidades absurdas de profissionais mal-preparados no mercado de trabalho todos os anos. A política dos números nas instituições públicas, e a política do dinheiro nas instituições privadas, estão carcomendo a educação brasileira de dentro para fora. O resultado disso poderá ser observado daqui a alguns anos, num cenário em que o Brasil terá grande parcela de sua população com uma “boa” escolarização em termos oficiais, mas que ser revelará como o país da educação oca, da ignorância diplomada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5599394237910973973?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5599394237910973973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5599394237910973973&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5599394237910973973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5599394237910973973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/10/cultura-dos-incultos.html' title='A cultura dos incultos'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4698282966733374923</id><published>2009-10-15T14:54:00.002-03:00</published><updated>2009-10-15T14:55:39.590-03:00</updated><title type='text'>O Brasil é o país das filas</title><content type='html'>Pode-se dizer que o Brasil é o país das filas, e talvez o maior exemplo disso seja a fila do SUS. É por isso que hoje ninguém se surpreende quando uma mulher dá a luz nesta fila, socorrida por passante e ignorada por médicos e enfermeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hospital ali, poucos metros a sua frente, torna-se uma miragem inalcançável na medida em que o sangue vai escorrendo por entre suas pernas. Seu filho vem ao mundo como uma prova da caridade humana, dependendo da boa vontade de passantes despreparados para nascer. Como um Jesus Cristo da pós-modernidade, ele grita alto em alguma rua suja e fétida deste imenso país, mas logo é sufocado pela poluição e pelas buzinas de algum trânsito caótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do parto já realizado, provavelmente a fila do SUS humanizou-se um pouco – não por atitude dos médicos, sempre encastelados nos seus uniformes brancos de semi-deuses, mas através da atitude das mesmas pessoas corajosas e de boa vontade que ajudaram uma desconhecida a parir no meio da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é o país das filas, e a fila do SUS é provavelmente o melhor exemplo disso. Mas quando uma mulher dá a luz em uma calçada suja, no meio dessa fila, nós percebemos o quão lindo e horrível é o Brasil em que vivemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4698282966733374923?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4698282966733374923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4698282966733374923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4698282966733374923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4698282966733374923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/10/o-brasil-e-o-pais-das-filas.html' title='O Brasil é o país das filas'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5104405049845861316</id><published>2009-10-15T14:54:00.001-03:00</published><updated>2009-10-15T14:54:52.723-03:00</updated><title type='text'>Dia cotidiano</title><content type='html'>Na Porto Alegre suja e poluída do século XXI é possível passar por mendigos bêbados, enxames de grevistas, assaltantes que não temem a luz do dia e trapos humanos com cachimbos de crack. Pode-se ver tudo isso nos poucos metros que um ônibus velho consegue percorrer no trânsito caótico desta cidade em um dia de chuva. As pichações se confundem com o cheiro de esgoto e com a multidão de desconhecidos, que parecem sem rosto sob a garoa fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por este contexto caótico que um estudante tem que passar todos os dias ao se dirigir do centro à PUCRS. Uma realidade de misérias humana variadas passa lenta pela janela, enquanto no meio do congestionamento eu ouço Gardel no mp4 e penso no café com baunilha que me espera na PUCRS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso, nunca gostei de escrever crônicas. Sempre fui criticado pela minha falta de consciência social. A miséria nunca me comoveu. Mas o que me incomoda neste trajeto diário é a feiúra. Como escritor, sempre me guiei pelo instinto de beleza; sempre procurei ver a arte no cotidiano. Mas isso parece impossível em dias de chuva, preso no trânsito caótico, em uma cidade suja, podendo ver apenas a miséria pela janela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5104405049845861316?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5104405049845861316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5104405049845861316&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5104405049845861316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5104405049845861316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/10/dia-cotidiano.html' title='Dia cotidiano'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1561216557696923383</id><published>2009-10-08T01:47:00.002-03:00</published><updated>2009-10-08T01:53:11.228-03:00</updated><title type='text'>Chuva</title><content type='html'>Era uma manhã cinzenta. Ele se remexia na cama, embaixo de três pesados edredons coloridos que o sufocavam. A televisão sem som já não tinha mais serventia, pois o dia já havia clareado. Escutava os pingos de chuva batendo na janela, e a claridade que invada o quarto era cinzenta. As costas doíam-lhe. Não encontrava mais posição para permanecer deitado – há quantas horas já estaria dormindo? Levantou-se e foi até o banheiro. Sempre o mesmo ritual ao acordar. Mijou, lavou as mãos, lavou o rosto, escovou os dentes, olhou-se no espelho. Cara inchada, expressão cansada, olheiras. Não importava o quanto dormisse, parecia estar sempre muito cansado, acabado. Era como se tivesse uma ressaca permanente, mesmo sem beber – uma ressaca de respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou margarina em dois cacetinhos de três dias e colocou-os no microondas. Comeu-os rápido, antes que virassem pedra. Passava um pouco das dez da manhã. Sentou-se em frente ao notebook. Orkut, twitter, gmail, blog. Amigos virtuais. Os reais, de carne e osso, estavam longe há séculos. Às vezes, em algum momento de lucidez, perguntava-se se eles realmente existiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detestava a televisão. Ficar como um autômato sentado em frente a um gordo qualquer em um domingo chuvoso. Mas as horas que negava à tv, dava quase inconscientemente ao computador. Um outro tipo de automatismo, mais disfarçado, mais sutil, mais culto, mais bonito. Ninguém poderia criticá-lo por estar em frente ao computador – todos estavam. E as horas se esgotavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva, o frio, a conexão ruim da internet esgotavam-no. Não sabia se o dia ia realmente escurecendo. Essas tardes chuvosas pareciam-lhe atemporais. Buscava uma distração ou outra no notebook já velho e com o hd esgotado. Assistia os mesmos filmes pela décima-sétima vez. Colocava um tango dolorido para tocar. Revia velhas fotos. Relia velhos textos. Deparava-se com o inexorável e inesgotável Paciência Spider. A noite já era escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente embaixo de três edredons coloridos e pesados. O cheiro forte do seu suor já velho nos lençóis que não eram trocados quase nunca. Tinha uma pequena lâmina, fragmento de gilete quebrada a muito custo no banheiro, apertada entre o polegar e o indicador. Apenas sua cabeça permanecia do lado de fora dos edredons, e agora a televisão sem som cumpria a sua função de espantar a escuridão em tons mórbidos e desbotados de azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pensava: solidão solidão e mais solidão há quantos anos essa solidão por que ninguém nunca conseguiu se aproximar de mim por que eu nunca consegui me aproximar de ninguém e de que me vale essa vida vazia desregrada de bebedeiras e transas com mulheres estranhas em bares infectos ninguém se importa comigo de verdade ninguém vai realmente sentir falta se eu morrer vão chorar um pouco no enterro para não ficar feio mas no fundo vão se sentir aliviados talvez os meus avós minha mãe minha irmã realmente sintam o resto não o resto nada eu sou nada para eles ai doeu merda não tenho coordenação pra cortar com a esquerda como escorre rápido nem parece vermelho com essa luz da tv será que vai encharcar os lençóis o colchão os três edredons duvido que tenha sangue para tanto é uma sensação engraçada estranha da uma agonia mas não dói é só sentir o sangue saindo saindo saindo e saber que daqui a pouco não vai restar nenhuma gota sinto saudades da minha irmã gostaria de ter me despedido dela e da minha mãe e dos meus avós meu pai também morreu sem se despedir de mim quinze anos de abandono antes dele morrer desgraçado tô ficando cansado com sono será que isso é morrer não consigo mais pensar direito articular as frases direito na minha cabeça vou dormir um pouco só tirar um cochilo embora eu saiba que não é um cochilo e que eu não vou acordar nunca mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1561216557696923383?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1561216557696923383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1561216557696923383&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1561216557696923383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1561216557696923383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/10/chuva.html' title='Chuva'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3496704968482271839</id><published>2009-10-02T02:49:00.004-03:00</published><updated>2009-10-02T02:57:02.504-03:00</updated><title type='text'>Tarde de Agosto</title><content type='html'>Largou a navalha e olhou-se no espelho. Olheiras fundas; expressão cansada. Restos de espuma no pescoço. Há tempos deixara de ser cuidadoso ao barbear-se. Há tempos deixara de ser cuidadoso em várias coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no banho. Água quente sobre a pele. Vapor entorpecendo-o. A ducha quente sempre clareava suas idéias; parecia espantar o cansaço – pelo menos por uma meia hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavou o cabelo duas vezes, perdido, alienado. Não se dava conta da realidade. O vapor brumoso do pequeno box parecia transportá-lo para outro mundo. Não pensava; não sentia. Apenas ficava imerso na umidade quente, turva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligou o chuveiro; vestiu-se; saiu para a rua. A garoa fria; os sons agudos; a poluição suja que não se deixava lavar; as imagens do centro imundo de Porto Alegre. Tudo isso o agrediu de uma forma tão violenta que ele chegou a dar dois passos, de costas, para dentro do prédio. A ilusão do banho havia acabado. Ele engoliu a seco e saiu novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento e a garoa fina encharcavam o sobretudo e o chapéu de feltro. O dia era nublado, cinzento; e ele ia todo de negro pelo meio da multidão multicolorida, que o atacava com guarda-chuvas afiados e olhares de reprovação e susto. Realmente, mesmo limpo e – mal – barbeado, sua figura não era das melhores. As olheiras, a expressão cansada. Alguma coisa agressiva e triste naquele olhar. E ele ia indo pelo meio da chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou em um café e sentou-se em uma mesa ao fundo. Largou o chapéu e o sobretudo encharcado sobre uma cadeira. Abriu o casaco. O ambiente abafado do lugar o sufocava. Ela observava-o com curiosidade. Apenas quando acabou de acomodar-se e habituar-se ao lugar, ele olhou-a e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Oi. – Ela lhe respondeu sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu também. Eram cúmplices. Amantes; amigos; tudo. Eram tudo um para o outro – o mundo – e nada mais importava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois capuccinos sem chantilly. Planos para ir ao teatro, ao cinema, à livraria. Uma harmonia cálida com cheiro de café. No fundo, não havia necessidade de palavras entre eles. Já haviam se dito tudo anos atrás. Já apaixonaram-se; amaram-se; odiaram-se. E o que restou? Restaram os dois, em um café no centro de Porto Alegre, em uma tarde cinzenta e chuvosa de agosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3496704968482271839?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3496704968482271839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3496704968482271839&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3496704968482271839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3496704968482271839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/10/tarde-de-agosto.html' title='Tarde de Agosto'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-6705654530521893623</id><published>2009-09-08T02:20:00.002-03:00</published><updated>2009-09-08T02:24:25.078-03:00</updated><title type='text'>episódio ilustrativo sobre a incompreensão</title><content type='html'>Talvez ela só quisesse a minha ajuda. Talvez essa fosse a sua forma, assim meio torpe, driblando o orgulho, dissimulando, talvez fosse a sua forma de me pedir ajuda. Mas eu não a ajudei. Sequer acreditei nela. Já não acreditava no tipo humano há tempos. Aos meus olhos ela fingia, dissimulava, encenava. E eu não tinha mais paciência para encenações. Abandonei-a à própria sorte. Ignorei-a. O resultado foi trágico. Dramático. Sem todo aquele sangue vermelho, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cores de Almodóvar&lt;/span&gt;, mas quase com o mesmo efeito. Sedativos variados, um coquetel multicolorido, uma overdose. E um pedido de ajuda silencioso ecoando na memória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-6705654530521893623?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/6705654530521893623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=6705654530521893623&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6705654530521893623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6705654530521893623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/09/episodio-ilustrativo-sobre.html' title='episódio ilustrativo sobre a incompreensão'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7092958817928264310</id><published>2009-09-04T02:37:00.001-03:00</published><updated>2009-09-04T02:44:12.907-03:00</updated><title type='text'>Amor (ou Com Toda A Calma Do Mundo)</title><content type='html'>Andava. Simplesmente caminhava pela rua, sem rumo e sem destino. Chovia. Incessantemente. Pés encharcados, corpo gelado. Pensamento longe. Tentava compreender. Era uma busca, uma jornada interior. Afundava-se em si mesmo cada vez mais, até que o mundo exterior simplesmente deixasse de existir. Não conseguia chegar a um ponto de raciocínio claro; estava confuso e perdido. E ia indo pelo meio da chuva. Pensava que talvez, possivelmente, pudesse haver um meio, que deveria haver alguma forma de redenção, de purificação. Pensava que talvez ele não fosse tão ruim, não fosse tão mau, que talvez pudesse alcançar o reino dos céus ou uma tarde sossegada ou uma torta de maçã. Tinha de haver um jeito. Finalmente chegou em frente a uma porta. Tocou o interfone; voz de mulher o mandou subir. Ele pensava em torta de maçã quando ela abriu a porta. Cumprimentaram-se. Calorosamente, amorosamente, aquela intimidade gostosa e quente de quem já dormiu muitas noites juntos. Ele sentou-se no sofá tirando tênis e jaqueta molhada, enquanto ela lhe estendia uma toalha dizendo qualquer coisa como você-é-maluco-de-sair-andando-pelo-meio-da-cidade-numa-chuva-dessas-vai-pegar-uma-gripe-você-não-se-cuida-seu-louco. Ele ainda pensava na torta de maçã, tarde sossegada, reino dos céus. Vagamente sorriu. Eles sempre foram cúmplices velados, palavras eram desimportantes. Estavam os dois ali, na mesma sala, e havia uma aura de calor entre eles. Ela lhe entregou uma xícara de chá quente e desatou a falar coisas desordenadas e desimportantes. Você-viu-a-crise-no-senado; que-horror-essa-gripe-suína; tem-visto-a-novela-das-oito; parece-que-a-economia-está-se-recuperando. Ele murmurava baixinho reino dos céus, redenção, inferno, perdido. Nunca fora muito religioso, o reino dos céus que buscava era mais como algo filosófico, uma paz interior, um descanso para sua mente atormentada. Tirou as roupas molhadas, vestiu pijama de pelúcia cor-de-rosa com coelhinho na frente, enrolou-se em um cobertor quente e macio e tomou o chá. Reino dos céus, pensou. Ela parecia haver se acalmado; matado a primeira fome de uma companhia outra, que não fosse ela mesma. Agora olhava-o quieta, com olhos grandes de uma curiosidade calma. Ela compreendia que ele lhe contaria tudo; talvez levasse uma noite inteira, talvez uma semana, mas ele se desvelaria para ela, talvez até chorasse, e ela o consolaria, e então, exaustos, iriam dormir, na mesma cama, calor gostoso entre eles, compreensão mútua, talvez se amassem, mas seria tudo calmo e plácido, porque a época de angústias e ânsias entre eles já passara há muito. Ele continuava pensativo. Mas aos poucos foi falando, meio que para si mesmo, como num monólogo. Sabia que ela estava ali, mas também sabia que não havia nenhuma necessidade de interagir com ela, bastava pensar alto, que ela o ouviria, o compreenderia, o consolaria, e talvez até o amasse, um amor quente, carinhoso, quase como se ama uma criança; ele era a criança que havia se machucado, e ela lhe daria colo, secaria suas lágrimas, diria que está tudo bem e o amaria com um sorriso cálido. Ele estava exausto de tantas buscas, tantas desilusões, tanto horror cotidiano. Ela o observava plácida e terna, como uma deusa que em silencio se comove com as angústias mortais. Tentava aliviar o peso dele apenas com sua presença. E ele contava contava contava, deitado no colo dela, adormecido, continuava contando em sonhos, contava-lhe seus pesadelos, e ela se compadecia dele. Tinha impressão que ele continuaria a se revelar para ela mesmo depois da morte. Quando ele se calou ela ajudou-o a ir para a cama, sussurros leves, vem-levanta-vamos-pra-cama-tu-vai-ficar-todo-torto-dormindo-nesse-sofá. Deitaram-se, como sempre, aquela cama já tão familiar aos dois, os corpos um do outro já tão familiares, os cheiros, os gostos, os sons. Suas almas já estavam tão fundidas que seria impossível separá-las. Por fim, dormiram, como tantas vezes já haviam dormido, como tantas vezes ainda haveria de dormir. Com toda a calma do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7092958817928264310?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7092958817928264310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7092958817928264310&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7092958817928264310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7092958817928264310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/09/amor-ou-com-toda-calma-do-mundo.html' title='Amor (ou Com Toda A Calma Do Mundo)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3658656735431738623</id><published>2009-08-22T08:12:00.002-03:00</published><updated>2009-08-22T08:16:33.183-03:00</updated><title type='text'>Inevitabilidade</title><content type='html'>Creio que somos uma inevitabilidade, eu e ela. I-ne-vi-ta-bi-li-da-de. Uma hora ou outra, vamos nos encontrar pelo meio desses nossos caminhos inventados. Encontrar-nos, eu digo, no sentido mais filosófico da coisa – como sempre foi conosco. Palavras distantes, olhos azuis, gatilhos imaginários. E uma infinidade de coisas sem explicação que não fariam e nunca farão sentido para qualquer pessoa outra. É como um mundo paralelo, só nosso, que já esteve à beira do apocalipse muitas vezes. Mas de catarse em catarse, eu percebi que somos meio interdependentes. À nossa maneira – como sempre, tão estranha. As distâncias, os conflitos, tudo o que aparentemente nos afasta um do outro, forma uma espécie de equilíbrio perfeito. Num conceito quase divino de perfeição – tão próprio para nós, que sempre fomos semi-deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Entenda, é complicado tentar descrever, ou mesmo compreender essa nossa relação. É como entrar em um labirinto sem fim. Cada caminho nos leva a um lugar diferente, e os caminhos são infinitos – embora todos acabem em becos sem saída. O que eu tento fazer aqui é um exercício de auto-conhecimento, de conhecimento dela – nós, que sempre fomos tão difusos, que perdemos os contornos fixos quando estamos um perto do outro. Ela, sempre minha inspiração, meu ideal de divindade neste mundo podre, meu duplo, sol, eu que sempre estive perdido na escuridão por vontade própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Acho que isso que vivemos agora é apenas mais uma fase, mais um processo, mais um caminho no labirinto. Repito: nós somos uma inevitabilidade. Quer gostemos disso ou não. Nossas almas estão ligadas a nível inconsciente, e esse ligação não será quebrada por nossa vontade ou capricho. I-ne-vi-ta-bi-li-da-de. Nós, que sempre nos orgulhamos de sermos donos dos nossos destinos, aqui nos tornamos escravos dos mesmos. Eu, particularmente, não acho tão ruim. Eu não tenho nada a perder. Mas para ela é uma escolha. Talvez, uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;escolha sem escolha&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3658656735431738623?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3658656735431738623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3658656735431738623&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3658656735431738623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3658656735431738623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/08/inevitabilidade.html' title='Inevitabilidade'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8148137077073990672</id><published>2009-08-21T04:51:00.001-03:00</published><updated>2009-08-21T04:53:07.579-03:00</updated><title type='text'>Dia de Chuva</title><content type='html'>Visitei as ruínas do antigo colégio hoje. O que restou da minha infância, da minha adolescência. O dia combinava perfeitamente com a melancolia exigida para tal ato. Dia cinza, nublado, chuvoso. Eu ia indo pelo meio da chuva, sem guarda-chuva nem capa, apenas uma camisa de flanela tentando me proteger da água gelada que caía do céu. Ato masoquista, muitos diriam, mas eu continuava indo, não me importava, queria aquela dor pra mim. Eu necessitava das lembranças, e sabia que a dor invariavelmente viria junto. A dor da perda. Da perda daquele tempo, daquelas emoções, daquela pessoa que eu fui um dia. A perda de tudo me doía no meio da chuva, e eu ainda nem havia chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ao lado do velho colégio havia uma catedral. Neste sábado chuvoso e frio de inverno, suas sólidas portas de madeira nobre – importadas da Alemanha – encontravam-se cerradas. Eu olhava fixo para as portas cerradas, parado no meio da chuva. Era como se minha vida fosse uma eterna chuva, e todas as portas estivessem cerradas. Todas elas feitas de madeira nobre, escura e muito dura, e minhas mãos ensangüentadas, ossos quebrados de tanto bater em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Adentrei no colégio. Não era mais o mesmo. Aquelas placas de acrílico, aquela pintura nova em cores berrantes, aquelas grades. Nada daquilo fazia parte do colégio da minha infância. Nada daquilo era meu. Eu era um estranho ali, e sentia aquele lugar me expulsando. Um “vá embora” sussurrado pelo vento nos corredores gelados, antes tão familiares, agora tão estranhos. Andei andei andei, andei centenas de quilômetros, andei até o infinito, e não reconheci nada. O meu colégio não existia mais; aquele que ali estava era outro. O choque da realidade deixou-me zonzo. Não sabia o que pensar. Não sabia o que sentir. Fui embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   De volta à chuva fria, portas cerradas, sangue, ossos, desespero, desamparo. De volta ao nada, ao vazio, à minha vida. E agora com a certeza excruciante de que um dia a minha memória irá se apagar, e os lugares e pessoas que hoje apenas ali existem, enfim morrerão. E eu morrerei com eles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8148137077073990672?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8148137077073990672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8148137077073990672&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8148137077073990672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8148137077073990672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/08/dia-de-chuva.html' title='Dia de Chuva'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-2917237251970950560</id><published>2009-08-13T03:06:00.000-03:00</published><updated>2009-08-13T03:07:24.710-03:00</updated><title type='text'>dia frio.</title><content type='html'>Busco combater a minha solidão metropolitana em cafés. Observo as outras pessoas conversando e intimamente desejo ser uma delas. Mas estou sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje cortaram a minha luz. Esqueci completamente da luz quando fiz a mudança. Eu nunca fui muito bom com estas questões práticas da vida. Sempre alienado – é o que me dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É final de julho e o inverno parece ter atingido o seu máximo esplendor. O frio enregelante castiga a boca e os olhos. O clima paranóico de medo da gripe suína paira no ar. A vida segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas entram e saem do café. Ninguém presta atenção em mim. Mas eu continuo aqui, ansiando desesperado por qualquer contato humano, qualquer um que se compadeça de mim e sente ao meu lado para ouvir minhas histórias. Ou para me contar histórias, eu sempre gostei tanto de ouvi-las – quanto mais fantástica melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneço sozinho no café, esperando um olhar, um sorriso, um abraço – mesmo com a gripe suína. Mas ninguém ouve o meu grito silencioso; ninguém presta atenção no meu desespero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-2917237251970950560?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/2917237251970950560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=2917237251970950560&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2917237251970950560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2917237251970950560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/08/dia-frio.html' title='dia frio.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5082589817011545061</id><published>2009-08-13T02:45:00.002-03:00</published><updated>2009-08-13T02:50:03.626-03:00</updated><title type='text'>Considerações de Vila Tamanduá</title><content type='html'>A chama da vela dança. Chove torrencialmente lá fora. A noite não é tão fria quanto deveria ser nesta época do ano. O espelho me encara na penumbra. Fica difícil escrever. A luz bruxuleante da vela projeta a sombra da minha mão sobre as palavras. Eu lembro de livros e filmes. Lembro de amores. De desamores. Tenho pena de mim mesmo na escuridão. E chove lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui sempre foi um local muito propício para escrever. O isolamento, a alienação. É como se este lugar me permitisse olhar para a minha vida de fora pra dentro; olhar para mim mesmo de fora pra dentro. Há certas conclusões às quais eu só consigo chegar quando estou aqui, longe do mundo, longe de tudo, longe de todos, longe da minha vida, longe de mim mesmo... E muito mais perto da minha verdadeira literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5082589817011545061?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5082589817011545061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5082589817011545061&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5082589817011545061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5082589817011545061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/08/consideracoes-de-vila-tamandua.html' title='Considerações de Vila Tamanduá'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1424376912428549374</id><published>2009-08-13T02:26:00.001-03:00</published><updated>2009-08-13T02:28:54.833-03:00</updated><title type='text'>Um post caótico sobre cupins e sentimentos confusos</title><content type='html'>Angústia. Não; angústia não. Agonia. Tenho por mim que agonia é a melhor descrição para este tipo de sentimento. Agonia. É algo que impede a vida de seguir o seu curso; é algo que me impede de seguir o meu próprio curso. Agonia. Pura como a loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou apenas um homem entediado com minha vida comum. Apenas mais uma vítima da agonia. Apenas mais um. Mas ao contrário de menininhas bulímicas, eu escrevo, vomito no papel. Mas a agonia é a mesma, eu garanto. Aquela mesma esperança vazia de ter tanta coisa bonita pra viver, mesmo tendo a certeza de que isso nunca acontecerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me restou foram os meus livros; o meu vômito. São tantas culpas de coisas não vividas, de covardias e medos. Tantas angústias e agonias por não conseguir ser quem eu quero ser; e eu quero tanto, preciso desesperadamente deste eu que não vem, que não desenvolve, que não desabrocha. Tento mil e uma artimanhas para enganar a mim mesmo, fingir ser o grande homem que não sou, esquecer esta mediocridade eterna em que estou imerso. Quase sempre funciona. O problema é quando o quase não dá certo, quando não é o suficiente. Dar-se conta da sua própria mediocridade é o pior dos abismos, a pior das torturas – Salieri que o diga (que Hades o tenha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim a mediocridade é como cupim. Passei anos envernizando a minha linda superfície amadeirada, formada através dos melhores livros &amp;amp; filmes, com um toque de sândalo para completar. Enquanto isso o meu interior foi ficando cada vez mais carcomido, oco, inutilizado. Infestado de cupins. Até dei nome para alguns – os mais familiares. Há a Tristeza; a Melancolia; a Depressão; o Suicídio; o Caos; a Desesperança; a Ilusão. A Esperança; o Carinho; a Amizade; o Amor. Todos cupins de estimação – alguns gordos e roliços; outros decrépitos e semi-mortos. Mas acho que o principal cupim dentro de mim é a Soberba. A Soberba e a Indiferença são rainhas absolutas dentro do meu interior podre e carcomido. Não há dúvidas. É inegável. Uma hora o verniz vai cair, a pintura vai descascar, e o cupinzeiro inteiro vai ruir, com seus cupins correndo desesperados pelo chão, sendo esmagados um a um por transeuntes indiferentes, até não restar nenhum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1424376912428549374?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1424376912428549374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1424376912428549374&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1424376912428549374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1424376912428549374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/08/um-post-caotico-sobre-cupins-e.html' title='Um post caótico sobre cupins e sentimentos confusos'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7128307987415147888</id><published>2009-07-03T06:26:00.003-03:00</published><updated>2009-07-03T06:29:20.107-03:00</updated><title type='text'>sobre o amor</title><content type='html'>Sentir o ar da cidade, sentir a cidade respirando. A cidade é um organismo vivo, que pulsa. Ouvir os sons, o tique-taque do relógio, e eu aqui, observando a cidade de dentro pra fora, de fora pra dentro, escondido por trás do vidro da janela. Observando as pessoas a caminhar, a cidade a pulsar, sem saber ao certo quem sou, o que vai acontecer, o que devo fazer. Sem saber nada, como alguém que se descobre cego de repente e sai tateando, procurando, em meio à escuridão e ao desespero, tomado de perplexidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A condição humana é triste. Isso é um fato inegável. Quanto mais eu penso, mais me dou conta disso. O que significa ser humano, além de dor e sofrimento? Amor? Amor é ilusão. Provavelmente a maior das ilusões. Uma ilusão divina, presente dos deuses para aplacar a tristeza de nossas vidas miseráveis. Nós, como seres humanos, somos incapazes de amar. Não amamos nem a nós mesmos. Idolatramo-nos junto com os nossos deuses – geralmente nos idolatramos mais do que aos nossos deuses –, e tudo isso pra quê? Pra nada. No fundo é tudo ilusão, quimera mágica que escorre pelos dedos tal qual areia; assim como o amor. Eterno amor. Impossível amor. Ilusão suprema dos pobres mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Engraçado. Fazia tempo que eu não pensava sobre o amor, que eu não escrevia sobre o amor. A descrença suplantou o amor que havia em mim há muito tempo. E não seria tudo a mesma coisa? A descrença. O amor. Tudo ilusão? Apenas caricaturas de percepções vagas. Apenas tentativas, que nem sempre são tão válidas assim. Tentativas vãs de escapar da dor e do sofrimento que significa ser humano. Sim, pois tal qual o amor, a descrença também é uma tentativa de salvação. Tentativa daqueles que acreditaram demais, e presenciaram toda a maldade e crueldade humana na pele, no sangue, no coração. A minha descrença me salva, me protege, me ilumina até. Torna-me sagrado e especial em meio ao mundo cinzento em que vivemos. Dá-me novas percepções, me permite ir além. A minha descrença é a minha salvação – minha ilusão. Quanto aos outros, que fiquem com o amor – ilusão mais imperfeita e fugidia do que todas as outras. O eterno amor. A elevação sublime da condição humana, o dom dos deuses, que vislumbramos mas nos é negado a cada tentativa vã, a cada pedido desesperado, a cada coração dilacerado. O amor, dom dos deuses, que a nós, humanos e mortais, só faz sofrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7128307987415147888?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7128307987415147888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7128307987415147888&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7128307987415147888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7128307987415147888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/07/sobre-o-amor.html' title='sobre o amor'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4186850929104044821</id><published>2009-07-03T04:44:00.001-03:00</published><updated>2009-07-03T04:45:23.841-03:00</updated><title type='text'>sobre a descrença &amp; minhas duas mulheres</title><content type='html'>Às vezes eu me pego pensando “por que eu não consigo me envolver? Por que eu não consigo amar alguém? Por que eu não consigo me apaixonar?” O motivo essencial, creio eu, é a descrença. Muitas decepções ao longo da vida, o coração calejado. Fica difícil acreditar em tudo o que já se perdeu, em todas as ilusões – sejam passadas ou futuras. Mas além da descrença, eu vejo dois motivos secundários, duas razões/situações que me impedem de me envolver – me entregar? – com outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira delas é uma eterna relação mal-resolvida que, entre idas e vindas, já dura lá seus dois anos e pouco. Para mim, seria a relação perfeita, se não fosse por um pequeno detalhe: eu não sou apaixonado por ela. Poderia até dizer que a amo, e isso talvez fosse verdade; mas não sou apaixonado por ela. Temos uma convivência harmônica – o que comigo é quase impossível –, e em alguns momentos ela até ajuda a balancear o meu frágil equilíbrio. Só não há paixão. A relação (quase) perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra razão/situação – não menos importante – é o eterno fantasma da mulher perfeita. Da mulher perfeita pra mim. Fantasma esse que me assombra há, creio eu, uns dois anos e pouco, quase três. Sempre ali, como uma possibilidade, como uma presença, como uma ausência, como poesia. O drama sangrento em cores vivas no meio da minha vida cinza e vazia. Tudo o que eu sonhei pra mim – eu que odeio clichês. O fantasma da mulher perfeita, sempre bailando a uma distância segura. Sempre em meus pensamentos; sempre em meus sentimentos – hoje tão raros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei exatamente à que conclusão chegar. Não sei o que pensar da minha descrença no amor e destas duas situações paralelas. A única certeza que eu tenho é a de que enquanto estas situações não se resolverem, eu serei incapaz de me apaixonar novamente. E quanto à descrença... bem, a descrença, creio eu, é insolúvel. Ou quase.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4186850929104044821?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4186850929104044821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4186850929104044821&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4186850929104044821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4186850929104044821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/07/sobre-descrenca-minhas-duas-mulheres.html' title='sobre a descrença &amp; minhas duas mulheres'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4706593667206973632</id><published>2009-07-03T04:02:00.002-03:00</published><updated>2009-07-03T04:03:53.506-03:00</updated><title type='text'>Algumas Considerações</title><content type='html'>Eu gostaria de ter uma história para contar, mas não tenho. Tenho apenas alguns devaneios, alguns delírios; alguns pensamentos sem sentido, alguns sentimentos tresloucados. “Não escrevo mais como antigamente”, eu penso, e aí me dou conta de que já não faço mais muita coisa como antigamente: já não penso como antigamente, já não sinto como antigamente, já não sou como antigamente. Tudo foi ficando cinza e nublado, esse conjunto de coisas difusas que sou eu foi adquirindo aos poucos um ritmo mais lento, mais sóbrio, mais irreal, mais surreal, cada vez mais para dentro e para fora – para dentro de mim mesmo, para fora do mundo; sempre os contrastes, sempre as contradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo nunca soube para onde me encaminhava. Sempre tive a sensação de que andava a passos largos para a beira do abismo. Só não sabia de que abismo. São tantos os abismos pelos quais tive de passar; e tantos mais os que pressinto no meu futuro, à minha frente. Eu sempre me jogando de cabeça nos abismos, esta é a imagem que fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o que me incomode seja justamente a falta de abismos. Esse isso-tudo plano, reto, sem perigos, sem mortes, sem nada. Essa falta de abismos vai se tornando para mim, aos poucos, algo insuportável. Como posso viver em uma vida sem abismos? Não posso – e isso em si já é um abismo; a minha salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me separou da loucura, o pequeno passo que me separou da loucura durante todos estes anos, foi justamente o fato de eu estar sempre a um passo dela. É uma forma de equilíbrio, vê? Se eu afastar-me um passo mais da loucura, ela inevitavelmente me alcançará. O equilíbrio estará quebrado, o feitiço estará desfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loucura sempre a um passo, os abismos sempre ao redor, e eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4706593667206973632?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4706593667206973632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4706593667206973632&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4706593667206973632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4706593667206973632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/07/algumas-consideracoes.html' title='Algumas Considerações'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4101603614886868322</id><published>2009-07-03T03:40:00.002-03:00</published><updated>2009-07-03T03:41:25.052-03:00</updated><title type='text'>sobre o ceticismo</title><content type='html'>“Como faz pra deixar o ceticismo de lado?” Vi hoje essa pergunta no orkut de uma amiga minha e, para minha surpresa, eu – que sei de tudo – não sabia a resposta. Na verdade, é muito difícil até mesmo saber o que é o ceticismo. Talvez uma doença, talvez um estado de espírito. Mas eu me sinto inclinado a crer que é uma construção. Paciente, diária – uma construção. A cada dia que tu acordas, olhas para o mundo e não vê a beleza que supostamente deveria estar ali, tu te constróis cético. Houve um dia em que acreditaste em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa. No Bicho Papão e na Cuca. Nas fadas e nos duendes. No amor e na amizade. Na paixão e no companheirismo. Por fim, o que restou? O ceticismo. Como uma erva má, ele foi tomando a tua alma, trepadeira infame escalando os teus muros interiores e matando sufocadas todas as flores outras, todos os sentimentos outros, tudo – consumindo, te consumindo. Mas chegará uma hora em que não haverá mais nada a ser consumido, o ceticismo, erva má absoluta dentro de ti, terá então vencido. Solitário, vencedor, absoluto. Não tendo mais nada a sugar, morrerá – talvez junto contigo –, seco e árido, morto, o ceticismo; seca e árida, morta, tu. Terá valido à pena? Terás lutado o suficiente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “Como faz pra deixar o ceticismo de lado?” Se eu soubesse, viveria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4101603614886868322?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4101603614886868322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4101603614886868322&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4101603614886868322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4101603614886868322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/07/sobre-o-ceticismo.html' title='sobre o ceticismo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-727689778472411117</id><published>2009-06-17T01:11:00.001-03:00</published><updated>2009-06-17T01:13:22.600-03:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a loucura</title><content type='html'>A cafeteira vomitava lenta as gotas de café. A noite se iniciava como tantas outras. O barulho da cafeteira, o cheiro do café, um livro no colo e a solidão. Eu sentia algo se formando. O que seria? Pensamentos vagos? Delírios, saudades, ausências? De tudo um pouco, creio eu. Tantas saudades, tantas ausências... tantos delírios. A loucura tomando forma dentro de mim, no meio do vazio e da solidão, construindo a si própria de matéria escura, de mim, do que há dentro de mim e é indizível, incompreensível até para mim mesmo. A loucura crescendo, se alimentando das saudades e das ausências, e criando os delírios, as ilusões. E eu que chegara a pensar que o tempo das ilusões havia passado. Derradeiro engano. Não passa, nunca. Vem e vai, em ondas, o tempo das ilusões. Não sei dizer se mais dão esperança ou mais fazem sofrer, as ilusões – e não seria a mesma coisa? Tão complicado tentar compreender a si mesmo. Compreender os movimentos difusos do caos que se desenrola no interior da mente, do coração, da alma – e não seria tudo a mesma coisa? Tantas perguntas sem respostas. Rapsódias sem sentido. Um teatro encenado por mim para mim mesmo. Delírios. Ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O que acontece? O que acontece de verdade? Na noite fria muitas dúvidas me assolam. O café auxilia no combate contra o sono que me ataca violento. Cansaço incrustado nos ossos. De desilusões, o cansaço. Provavelmente. Devia ter febre. Gostaria de ter febre. Talvez os delírios fizessem sentido na febre. Mas estou são. Não, estou saudável, não são; nunca são. A sanidade me abandonou há... na verdade eu não me lembro de algum dia ter me orientado pela sanidade. Será o meu fim? Ter me dado conta da minha loucura e morrer então, alucinado e demente, ciente de que nada me faz sentido. Talvez. Não, não posso morrer ainda. Não me sinto pronto para a morte, embora pressinta que ela me espera de braços abertos – talvez logo ali na esquina. Hoje meu braço esquerdo estava dormente. Podia ver as cicatrizes no pulso de pele pálida. Talvez eu tenha um infarto. Mas não era hora de pensar nisso. No que eu estava pensando mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Na vida. No futuro. Em mim. Na noite fria. Não seria tudo a mesma coisa? Não seria tudo ilusão – eu inclusive? Impossível dizer. Todo esse cansaço, toda essa escuridão disforme... tudo. Não sei, e tenho impressão de que não saberei nunca. Sinto-me estúpido, incapaz – tantas respostas permanentemente fora do meu alcance. Será mesmo isso a vida? Assim, incerta, inevitável, com vontade própria? Tão complicada, tão contraditória... a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Incenso de sândalo, plantas quase murchas, solidão. Eu me construo em meio à solidão. É o único meio, a única forma. Interferências externas são apenas distrações. Eu só me conheço – e reconheço – quando estou só. A solidão me constitui como parte essencial do meu ser. Eu sou a solidão e a solidão sou eu. No mundo exterior a mim, eu sou apenas um reflexo de mim mesmo, nunca o verdadeiro eu. Assim como todos, assim como ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A lógica não se aplica nesses casos – em casos como o meu. A lógica nunca fez parte da minha vida, e quando fez, era apenas ilusão, disfarçando uma loucura ainda maior do que aquela em que eu vivia. A minha razão sempre esteve a serviço da minha loucura, do meu caos interior, ou seja: sempre esteve contra mim – como tudo, como todos, como eu mesmo, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era como uma dança, eu e a loucura. Não, a loucura era a música, era ela quem ditava o ritmo dos passos, a direção a tomar; eu apenas acompanhava, era conduzido como uma donzela na noite de núpcias, até que a dor vinha e o sangue jorrava – era inevitável, o sacrifício, a minha loucura sempre me sacrificando. Sangue de virgens e nanquim, e a sombra da loucura como a lâmina de uma guilhotina pairando sobre a minha cabeça, sempre, desde sempre e para sempre – eterna condenação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-727689778472411117?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/727689778472411117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=727689778472411117&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/727689778472411117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/727689778472411117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/06/ensaio-sobre-loucura.html' title='Ensaio sobre a loucura'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-2784967987939192046</id><published>2009-05-24T06:45:00.000-03:00</published><updated>2009-05-24T06:46:07.448-03:00</updated><title type='text'>?</title><content type='html'>De que adianta jogar-te verdades na cara, se elas secam como lágrimas ao sol?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-2784967987939192046?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/2784967987939192046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=2784967987939192046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2784967987939192046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2784967987939192046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/blog-post_24.html' title='?'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-6067366213142040841</id><published>2009-05-24T05:04:00.000-03:00</published><updated>2009-05-24T05:05:59.446-03:00</updated><title type='text'>Não!</title><content type='html'>Deitado aqui, nesse chão maldito e frio, eu penso nas tuas palavras; como sempre, nas tuas palavras. Pulso imobilizado, bêbado de vinho e cerveja, as palavras de Hermann Hesse ressoando na cabeça; mas sobretudo as tuas palavras, sempre tão exatas, sempre tão minhas. Te compreendo e não te compreendo, no mesmo instante, no mesmo segundo, com a cabeça turva e um blues ao fundo, no chão sujo e com os cabelos na cara, te compreendo e não te compreendo. Não; na verdade te compreendo, mas não aceito; não vindo de ti, não de ti: sempre minha força, minha luz quando todo o resto era escuridão, inclusive meu coração e minha alma. Não aceito a tua desistência, portanto levanta a cabeça e luta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Escrito com lágrimas nos olhos.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-6067366213142040841?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/6067366213142040841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=6067366213142040841&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6067366213142040841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6067366213142040841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/nao.html' title='Não!'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4184722434610279750</id><published>2009-05-19T03:18:00.001-03:00</published><updated>2009-05-19T03:18:27.442-03:00</updated><title type='text'>.</title><content type='html'>Senti falta disso aqui...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4184722434610279750?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4184722434610279750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4184722434610279750&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4184722434610279750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4184722434610279750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title='.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7325279140632782776</id><published>2009-05-19T03:17:00.001-03:00</published><updated>2009-05-19T03:17:31.186-03:00</updated><title type='text'>Desconhecida</title><content type='html'>Tu nunca te interessaste por uma mulher completamente desconhecida? Ah, então tu não entendes a mágica que é isso. É muito fácil te interessares por alguém que conheces, que gostas, que convive contigo diariamente. Mas a mágica de te interessares por uma pessoa que te é completamente estranha reside justamente na possibilidade de poder desvendá-la, alguém inteiramente novo. Talvez, ao final, tuas expectativas não sejam correspondidas, mas tudo já terá valido apenas pelo processo de descoberta dela em si, outra mulher, outra pessoa, que agora é tua – talvez não no corpo e no coração, mas sempre na mente e na alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7325279140632782776?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7325279140632782776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7325279140632782776&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7325279140632782776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7325279140632782776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/desconhecida.html' title='Desconhecida'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5770111842703888735</id><published>2009-05-19T03:16:00.001-03:00</published><updated>2009-05-19T03:16:34.757-03:00</updated><title type='text'>Momento Caio F.</title><content type='html'>&lt;em&gt;“&lt;em&gt;O que eles deixaram foram estes três postulados: importante é a luz, mesmo quando consome; a cinza é mais digna que a matéria intacta e a salvação pertence apenas àqueles que aceitarem a loucura escorrendo em suas veias.&lt;/em&gt;”&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5770111842703888735?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5770111842703888735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5770111842703888735&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5770111842703888735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5770111842703888735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/momento-caio-f.html' title='Momento Caio F.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7433128690373448667</id><published>2009-05-19T03:13:00.002-03:00</published><updated>2009-05-19T03:14:54.804-03:00</updated><title type='text'>Fernanda (da série "Memórias de Antes de Tudo Acontecer")</title><content type='html'>A história de Fernanda não é uma história trágica como a de Beatriz, a estrelete. Trágica talvez, só para mim. Fernanda que me amou e a quem eu amei. Amei quando ainda tinha a capacidade de amar. Amar é uma faculdade do espírito, que às vezes se perde no meio do caminho. A minha se perdeu depois de Fernanda, e depois de tantas outras mulheres que passaram pela minha vida. Quanto a mim e Fernanda, nos perdemos um do outro pelo caminho. O destino não quis, de alguma forma misteriosa e sublime. Um espírito maligno soprou-lhe no delicado ouvido o desejo de se ver livre de mim, e ela atendeu com devoção; imersa na dúvida, mas com o ímpeto furioso de sempre. Mulher do signo de Áries. Elemento fogo. Indomável. No fim, a função essencial do fogo é a destruição, fazer com que tudo arda até só restarem cinzas. “&lt;em&gt;A cinza é mais digna que a matéria intacta.&lt;/em&gt;” E nós destruímos um ao outro, nos devoramos em chamas. De mim, só restaram cinzas; dela, nada sei. Perdemo-nos um do outro. O destino não quis. “&lt;em&gt;O destino desfolhou.&lt;/em&gt;” O fogo ardeu. Foi demais pra ela. Foi demais pra nós. O fogo. O amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7433128690373448667?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7433128690373448667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7433128690373448667&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7433128690373448667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7433128690373448667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/fernanda-da-serie-memorias-de-antes-de.html' title='Fernanda (da série &quot;Memórias de Antes de Tudo Acontecer&quot;)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-6469993888203070391</id><published>2009-05-19T03:13:00.001-03:00</published><updated>2009-05-19T03:13:20.760-03:00</updated><title type='text'>Contornos</title><content type='html'>Eu odeio um monte de coisas sobre as pessoas e a vida. Na verdade eu não odeio, apenas estou cansado. De tudo. De todos. É como uma roda gigante que gira gira gira sempre no mesmo lugar. Estou cansado de ver as mesmas paisagens. Quero algo novo, fresco, diferente. Multidões me desconcentram. Elas não têm glamour nenhum. Só uma massa disforme de pessoas cinza e coloridas, tudo ao mesmo tempo e agora. É agoniante. Elas estão agonizantes. E eu não sinto vontade nenhuma de ajudá-las. Elas não se ajudam. Às vezes acho que eu não pertenço a esse mundo. Quase sempre, aliás. Toda vez que eu saio à rua e vejo pessoas. Pessoas tão diferentes de mim. Eu tão diferente delas, de todo o resto, fora do mundo. É tão interessante observar as pessoas. São como formigas em um formigueiro. Ninguém sabe exatamente o que está fazendo, mas todas sabem que precisam fazer aquilo. Chega a ser hilário. Mas na verdade é deprimente. Nunca fui bom em crítica social. Não gosto disso. Sou egocêntrico. Só o que me interessa sou eu mesmo. As pessoas que se fodam, o mundo que se foda. Não me interessa, nada me interessa, ninguém me interessa, eu só quero paz – não para o mundo, para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-6469993888203070391?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/6469993888203070391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=6469993888203070391&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6469993888203070391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6469993888203070391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/contornos.html' title='Contornos'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-2692820143914532734</id><published>2009-05-19T03:12:00.001-03:00</published><updated>2009-05-19T03:12:33.645-03:00</updated><title type='text'>Revelação</title><content type='html'>A vida se move, pulsa ao meu redor, e eu assisto a tudo como se estivesse fora do mundo. As pessoas, suas vidas, o cotidiano, tudo. Assisto de fora. E o que vejo? Miséria. Não física, não econômica; miséria intelectual, miséria de espírito. As pessoas estão espiritualmente miseráveis. Suas almas estão gastas e cansadas. Perderam a cor, perderam a força, perderam os desejos. Almas desbotadas são o que vejo por aí todos os dias nas ruas. Roupas coloridas, sorrisos, pessoas falando alto. Tudo disfarce. Tudo ilusão. Elas tentam enganar a todos, mas principalmente a si mesmas. Tudo ilusão. Besteira. Bobagem. O que eu vejo? Merda. Uma desorganização sem sentido. Caos. Casualidade. Coincidências. Nenhum sentido oculto, nenhum propósito maior. Apenas vida e morte brigando como dois cães numa rinha. Apenas o acaso. Nenhum deus acima de nós regendo os nossos destinos, nenhum anjo a nos proteger, nenhum demônio a nos tentar – a não ser os nossos pequenos (grandes) demônios interiores. Tudo ilusão. Só o que vejo… é nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-2692820143914532734?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/2692820143914532734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=2692820143914532734&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2692820143914532734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2692820143914532734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/revelacao.html' title='Revelação'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1616611283869601810</id><published>2009-05-19T03:08:00.000-03:00</published><updated>2009-05-19T03:10:07.051-03:00</updated><title type='text'>Eterno Retorno</title><content type='html'>Cigarros &amp;amp; vinho. O gosto amargo e acre da decadência em uma madrugada fria e solitária. Já perdi a conta de quantas vezes essa cena já se repetiu. Já estou cansado de falar de ciclos, temática viciada, mas as coisas não seguem em frente, apenas rodam e rodam e rodam sem fim.&lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Detesto o gosto do cigarro. O vinho tenta aplacar, mas não consegue completamente. Decadência pura. Gosto de derrota. Ângela canta ao fundo na madrugada fria, “tola foi você / por me abandonar / eu que tinha tanto amor a dar”, mas fui sempre eu que as abandonei, não tenho direito ou coragem de reclamar da solidão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vento frio na noite estrelada. Outono. Escrevo no escuro. Tentativas. Buscando alguma nobreza perdida, com o cigarro quase a queimar-me os dedos. Afastando amigos e amores, cada vez mais como um velho lobo solitário de 21 longos anos. Cada vez mais. Às vezes acho que eu não sei amar. Às vezes acho que não quero. Eu sou uma incógnita pra mim mesmo. Será que alguém será capaz de me explicar? De chegar pra mim e dizer, “olha, isso é tudo ilusão, ouro dos tolos, na verdade tu é assim e assado, igual a todo mundo.”? Bobagem, eu sei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tinha impressão de que eu havia mudado de ciclo, mas vejo que ainda estou muito preso ao ciclo anterior. Amarguras na mente e na alma. Os mesmos hábitos, as mesmas pessoas, os mesmos vícios. Os mesmos lugares. As mesmas fugas frustradas… tudo uma merda.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tudo inútil. Tudo ilusão. Desesperos forçados. Escuridão eterna. Tentativas. Meu vocabulário está tão viciado quanto a minha vida. Um em conseqüência do outro, e vice-versa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tudo uma merda.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ilusão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;em&gt;“Escolhas sem escolha.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Buscando um fim que não existe.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma evolução.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Um amor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Um amor…&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1616611283869601810?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1616611283869601810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1616611283869601810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1616611283869601810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1616611283869601810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/eterno-retorno.html' title='Eterno Retorno'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5194871366769329570</id><published>2009-05-19T03:07:00.000-03:00</published><updated>2009-05-19T03:08:19.071-03:00</updated><title type='text'>rascunho/esboço/tentativa</title><content type='html'>Eu gosto de riscar palavras sobre o papel. Relaxa-me, me acalma. Sem reforma ortográfica, sem “função social”. “Auto-exorcismo” mesmo, como já dizia o Caio. E as cartas, as cartas que escrevo para poucas e importantes pessoas, as cartas que me fazem tão bem. A minha vida nas folhas de papel. Lindíssimo. Não estou inspirado hoje. Leio Machado e sinto vontade de escrever, mas a inspiração não vem. Acho que é porque não está acontecendo nada na minha vida. Tédio, monotonia… nada. Várias perspectivas que se delineiam e se esboroam a seu bel-prazer. Nada de útil, nada efetivo, nada sinceramente verdadeiro. Uns delírios, umas emoções exageradas… e a secura. Na boca, no coração. Sentimentos áridos, pensamentos escassos. Falta chuva dentro de mim. Sinto-me como um nordestino no sertão. O sol castigando a ponto de não deixar perceber mais nada. Macabéa. Vazio. Burrice. Cego aos sentimentos. Surdo aos pensamentos. Antigamente costumava enxergar só para dentro – sempre alienado –, agora nem isso. Forçando textos fracos. Tudo falsidade, tudo agonia. Agonia de viver. Agonia de morrer. Falsidade. Falsidade…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5194871366769329570?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5194871366769329570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5194871366769329570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5194871366769329570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5194871366769329570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/rascunhoesbocotentativa.html' title='rascunho/esboço/tentativa'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3298436054381154789</id><published>2009-05-19T03:05:00.000-03:00</published><updated>2009-05-19T03:07:00.040-03:00</updated><title type='text'>Momento de Transição</title><content type='html'>Não, eu não mudei. Talvez tenha mudado, mas foi uma mudança imperceptível aos olhos de todos que não eu mesmo. Muitos dirão que eu não quero crescer, Síndrome de Peter Pan. Outros dirão que eu quero simplesmente ser do contra. Digo que já cresci muito nessas buscas individuais, embora talvez ninguém perceba. E já faz tempo que eu deixei de ser “do contra”. Na verdade eu nunca tive paciência para essas contrariedades fortes. Ser polêmico. Sustentar opiniões. Discutir. O que me move hoje é a descrença. Como? Por quê? Pra quê? Ainda não tenho condições de responder a estas perguntas. Estou em um momento de transição, abandonando um antigo ciclo e esperando que outro se inicie. Não tenho nenhuma resposta clara – nem sobre mim mesmo, nem sobre o mundo – no momento. Espero muitas coisas, mas a verdade é que nesse caos que sou eu, não sei direito o que esperar. Tenho vislumbres de esperanças, que não são exatamente esperanças, são coisas que eu quero pra mim – eu, sempre leonino egocêntrico, sempre querendo tudo pra mim –, mas mesmo essas esperanças, esses quereres, são difusos e nebulosos, ainda não se apresentam em contornos definidos. Escrevo uma carta de milhares de páginas para a única pessoa que poderá entender. Provavelmente não adiantará de nada. O “se importar” possui inúmeros níveis, e as minhas exigências são sempre altas demais. O egocentrismo que nem 10.000 ciclos irão extinguir. Não tenho um propósito, um objetivo, um fundamento para estar escrevendo isto. Apenas tento me encontrar. Tento aglutinar pedaços desconhecidos de mim que vão surgindo, e assim reconstruir o meu ser. Esta eterna reconstrução que também pode ser considerada um ciclo – e o é, de fato. Mas eu percebo claramente a definição dos meus ciclos que se encerram. Janeiro/2005 – Julho/2006. Três semestres que eu poderia chamar de “O Ciclo do Horror”. Agosto/2006 – Fevereiro/2009. Cinco semestres de um ciclo recém encerrado, que ainda não consigo denominar. Tudo foi válido. Eu aprendi com cada dor, com cada cicatriz. Com cada experiência intensa. E nesse ciclo caótico – “O Ciclo do Caos” – um dos maiores aprendizados foi com uma ausência. Eu, que tive tantas presenças importantes. Talvez justamente por isso. Sei lá. O fato é que eu espero uma vida nova daqui pra frente. Não tenho a mínima idéia de como ela deverá ser. Ainda tenho muitas ânsias &amp;amp; angústias. Mais ânsias do que angústias. Já aprendi a lidar com as minhas angústias, eu diria que elas estão em processo de extinção. Mas as ânsias só vêm aumentando. Já a descrença e o ceticismo parecem ter entrado em equilíbrio. Quanto a mim, espero. Não sei exatamente pelo quê. Por um novo ciclo que está por se iniciar. Por algo mais. Me permito novamente ter uma esperança mal-definida e disforme – e isso já é uma evolução, acreditem. Eu sempre quis fazer a diferença no mundo, na vida, para alguém. Não sei se isso ainda faz algum sentido. Parece que sim. Provavelmente o que de mais importante eu carrego do ciclo passado é uma ausência que acabou por se tornar a pessoa mais presente na minha vida. O futuro é incerto, mas já é um começo.&lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Não mais um rosto inchado de mágoa, não mais muros, não mais máscaras: Minha face limpa, e um sorriso apenas.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E eu só fui entender agora.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3298436054381154789?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3298436054381154789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3298436054381154789&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3298436054381154789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3298436054381154789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/momento-de-transicao.html' title='Momento de Transição'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-6984263925235187601</id><published>2009-05-19T02:57:00.002-03:00</published><updated>2009-05-19T03:04:24.414-03:00</updated><title type='text'>A Volta</title><content type='html'>Após um período de experimentação no wordpress, eu cheguei à conclusão que o detesto, na mesma proporção em que ele me detesta. Devido a esta incompatibilidade – e também por uma questão de nostalgia, afinal há muitos momentos bonitos aqui, que mesmo o meu coração de pedra titubeia em abandonar –, eu decidi ressucitar este blog. Coffee &amp;amp; Strawberry forever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-6984263925235187601?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/6984263925235187601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=6984263925235187601&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6984263925235187601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6984263925235187601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/05/volta.html' title='A Volta'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-2558889770661329616</id><published>2009-03-27T16:11:00.001-03:00</published><updated>2009-03-27T16:11:42.844-03:00</updated><title type='text'>Post de encerramento das atividades.</title><content type='html'>O fim de um ciclo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-2558889770661329616?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/2558889770661329616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=2558889770661329616&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2558889770661329616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2558889770661329616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/03/post-de-encerramento-das-atividades.html' title='Post de encerramento das atividades.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3391718879940239330</id><published>2009-02-16T22:16:00.000-03:00</published><updated>2009-02-16T22:23:38.046-03:00</updated><title type='text'>Caio F.</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como “estou contente oura vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente – e não importa – essa coisa que chamarás, com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás – aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na lagartixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ficou tão longe o tempo das caudas decepadas das lagartixas, tão longe o tempo dos círculos de fogo em torno dos escorpiões, longe o tempo do sal sobre as lesmas, o tempo dos espinhos no traseiro das formigas, da pedra no peito dos passarinhos. Acendendo um cigarro, pensarás com ironia na lei do retorno. “Aqui se faz, aqui se paga!” – repete uma avó implacável na memória.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E agora: como se houvesse um deus menino, igual ao que foste naquele tempo longe que ficou, decepando cotidianamente a tua cauda (para que a regeneres), criando círculos de fogo em torno de teu corpo (para que te mates), gotejando lentamente o sal sobre tua pele (para que te dissolvas), cravando-te espinhos (para que te contorças) e procurando-te com o bodoque e a pedra afiada (para que te esvaias em sangue) no meio desse mato de palavras onde procuras disfarçar teu medo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada mas tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga, mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca...&lt;/span&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3391718879940239330?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3391718879940239330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3391718879940239330&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3391718879940239330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3391718879940239330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/02/caio-f.html' title='Caio F.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-935753691258819516</id><published>2009-02-11T10:40:00.000-02:00</published><updated>2009-02-11T10:41:30.960-02:00</updated><title type='text'>.</title><content type='html'>O meu desgosto pela vida é contagioso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-935753691258819516?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/935753691258819516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=935753691258819516&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/935753691258819516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/935753691258819516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/02/blog-post.html' title='.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1087280216056142473</id><published>2009-02-10T12:13:00.001-02:00</published><updated>2009-02-10T12:23:57.700-02:00</updated><title type='text'>Carta ao Zézim (por Caio F.)</title><content type='html'>Porque quando a dúvida assola, é sempre bom lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na Cultura, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido.&lt;/span&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1087280216056142473?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1087280216056142473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1087280216056142473&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1087280216056142473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1087280216056142473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/02/carta-ao-zezim-por-caio-f.html' title='Carta ao Zézim (por Caio F.)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-730587493957805551</id><published>2009-02-10T11:43:00.001-02:00</published><updated>2009-02-10T11:47:39.864-02:00</updated><title type='text'>Café</title><content type='html'>Tomo o café amargo, não, amargo não, doce, muito doce, tomo o café muito doce em cima do gozo de gosto e cheiro muito fortes, e quase esqueço o sabor dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-730587493957805551?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/730587493957805551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=730587493957805551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/730587493957805551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/730587493957805551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/02/cafe.html' title='Café'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7352198946475810824</id><published>2009-02-10T11:40:00.001-02:00</published><updated>2009-02-10T11:40:52.028-02:00</updated><title type='text'>sobre a indiferença</title><content type='html'>A indiferença é um veneno. Ela ela corrói, destrói tudo o que há por dentro, até que aquilo que um dia foi o teu ser seja apenas uma casca vazia, oca. Até não sobrar nada. A indiferença é uma pequena morte - não tão pequena assim. A indiferença é um fim. O fim de tudo aquilo que um dia foste tu. A indiferença consome. Como o fogo. Até só restarem cinzas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7352198946475810824?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7352198946475810824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7352198946475810824&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7352198946475810824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7352198946475810824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/02/sobre-indiferenca.html' title='sobre a indiferença'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8559076132537803758</id><published>2009-02-03T03:55:00.001-02:00</published><updated>2009-02-03T03:59:25.942-02:00</updated><title type='text'>Um história sobre traças</title><content type='html'>Eu estava sentado na privada observando as traças. Foi assim que aconteceu. Exatamente assim. Eu sentado sozinho – solitário – no meio daquele banheiro de azulejos muito claros e traças andando pelo chão. Aqui em casa têm muitas traças, você sabe. Mas não são daquelas traças compridinhas, que vivem nos armários e comem as roupas. As traças aqui de casa são diferentes. Elas têm a forma de um losango, e são levemente duras. Há uma espécie de verme dentro do losango, uma minhoquinha – viste, o losango levemente duro é só uma carapaça, como um caramujo –, e essa minhoquinha, às vezes, ao se deparar com um obstáculo, some para dentro do losango levemente duro, e algum tempo depois ela aparece do outro lado, e começa a andar para onde antes seria atrás. Tu não achas isso genial? Eu passei muito tempo observando estas traças aqui de casa. Elas vivem no meio da poeira. E aqui em casa sempre teve tanta poeira, você sabe. Não que eu seja relapso com a limpeza – eu sempre fui chato com limpeza, você lembra? –, mas há muita poeira. E traças. Antes eu achava que as traças nasciam da poeira – talvez nasçam –, mas agora eu acho que elas é que tecem a poeira, assim como as aranhas tecem as teias. Sempre há várias traças losangulares perto daquelas bolas de poeira pelo chão. Eu me admiro do gato ainda não ter comido nenhuma. Ah, não te contei? Agora eu tenho um gato. O nome dele é Morisco – você se lembra do El Morisco, o baixinho mexicano? Mas deixa eu te contar, no começo, quando o gato veio pra cá, bem novinho, ninguém sabia se era gato ou gata, então ninguém sabia se chamava de Morisco ou Morisca. Foi incrível, cada pessoa que chegava aqui dizia uma coisa diferente. O coitado do gato trocou de sexo umas cinco vezes. No pet shop até colocaram fitinhas cor-de-rosa nas orelhas dele, acredita? Mas agora ele cresceu e definiu-se: é, de fato, um gato. El Morisco. E não corre atrás das traças. É bem preguiçoso. Dorme boa parte do dia e da noite. Mas eu tava te contando do momento em que eu estava sentado na privada observando as traças. Foi aí que eu lembrei. E essa lembrança me trouxe tantas outras coisas, arrastou, como uma correnteza, uma série de outras lembranças que eu não queria lembrar – ou queria? Mas o fato de lembrar fez com que eu sentisse de novo, latejante, como uma velha ferida de guerra prenunciando um temporal. Eu escancarei a janela e abri os dois braços bem altos em direção ao céu, eu queria aquele temporal todo pra mim, aquela ventania me enregelando, aquela chuva me molhando, aquela energia de renovação. Você se lembra quando eu, bêbado, saí pra caminhar no temporal, pra absorver as energias? Caminhei meia hora embaixo daquela chuva torrencial e depois passei um mês doente. Quase peguei uma pneumonia. Você se lembra? Eu não tinha jeito mesmo. Sempre teimoso e cabeça-dura. Meu pai me chamava de cabeça-de-martelo – uma das únicas coisas que eu me lembro dele –, vai ver era por isso. Mas daí, durante o temporal, tudo foi se agravando. A tarde ficou cinza e aquela lembrança foi latejando cada vez mais, como se ainda fosse um fato – e não era? Sabe, eu considero essa distância um fato, um acontecimento, quase um objeto, algo empírico, que eu quase posso tocar, essa distância entre nós. Eu aqui, com traças losangulares &amp;amp; El Morisco. Você aí, distante. A lembrança inicial, latejante, que causou tudo isso, não era uma lembrança assim tão importante. Era corriqueira até, dessas que você tem milhares iguais durante a vida, e não dá muita bola. Poderia ter sido a lembrança de um fim de semana chuvoso, entre as cobertas, assistindo filmes e comendo chocolates; ou poderia ter sido a lembrança de uma viajem, talvez a praia, talvez a serra, a Argentina ou o Uruguai; ou poderia ser a lembrança de alguma noite intensa de sexo desvairado, blues, rosas, corselet &amp;amp; cinta-liga,  morangos. Mas foi uma lembrança simples, singela até, comum. Me lembrei de você dormindo. Quantas noites dormi com você, foram meses – anos talvez? Mas me lembrei de você dormindo e aquilo criou um abismo tempestuoso dentro de mim. Pisei na traças, afoguei-as com álcool. Joguei o gato para longe da minha cama, com raiva, nem me lembro mais o seu nome – seria algo espanhol? Mas depois tudo se acalmou, e a compreensão veio lenta, como a calmaria após o temporal, quase ao mesmo tempo. Você me fazia falta. Era isso. Esse era o abismo. As traças, El Morisco, o temporal, tudo era distração. Eu não percebia, não queria perceber, mas você me fazia falta. E essa falta era latejante, como velha ferida de guerra em dia de chuva. Talvez fosse isso: sua falta era uma ferida. Em algum lugar do peito, por baixo das costelas, uma ferida que latejava em descompasso com a pulsação que havia ali dentro. Quis te trazer de volta. De alguma forma assim meio incoerente, inconseqüente – como eu sempre fui. Mas já era tarde. As traças estavam mortas, o temporal passara &amp;amp; El Morisco me odiava. E você não voltaria nunca mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8559076132537803758?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8559076132537803758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8559076132537803758&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8559076132537803758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8559076132537803758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/02/um-historia-sobre-tracas.html' title='Um história sobre traças'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8439423429927879575</id><published>2009-01-27T17:06:00.002-02:00</published><updated>2009-01-27T17:09:39.136-02:00</updated><title type='text'>Merda-movediça</title><content type='html'>Foi num dia qualquer da semana passada ou retrasada, eu acho. Não consigo me lembrar se foi durante a semana ou no final de semana, eu tenho andado sempre muito bêbado ultimamente. Ela chegou em minha casa dizendo que tinha duas notícia pra mim, uma boa e outra ruim. Eu não queria ouvir nada, só queria comê-la, mas quando vi o sangue que escorria por entre suas pernas, manchando a calça clara e quadriculada, sentei-me, abri outra cerveja, acendi um cigarro e disse em tom contrariado:&lt;br /&gt;   – Fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A notícia boa era que eu não seria pai, e a má era que se eu quisesse comê-la teria que fazer uma baita sujeira. Ela estava louca pra me dar, mas conversando comigo percebeu – e não falou nada – que tinha abortado – e eu também percebi – e não falei nada – e ela teve uma crise de consciência pesada e começou a chorar.&lt;br /&gt;   Eu tive vontade de espancá-la, mas ela gostava de apanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Bate que eu gosto... – Ela sussurrava no meu ouvido, e eu virava ela de bruços e batia com força naquela bunda grande e mole – embora ela ainda fosse muito gostosinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Deitamos. Eu comecei a masturbá-la com nojo, mas com muito tesão pra conseguir parar. Poderia ter pedido um boquete, mas ela não sabia fazer. Era agoniante. Ela mordia, passava os dentes, beliscava e não fazia nada que prestasse. Há certos boquetes que enternecem o coração da gente. O dela dava vontade de dar-lhe um belo chute no traseiro.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Quando tirei minha mão d’entre suas pernas, ela estava toda manchada de vermelho e fedia. Mas não era fedor de porra: era fedor de sangue velho.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;A tentativa de foda não rendeu. Deitamos de novo. Ela chorava e dizia que não merecia estar viva e eu torcia para que ela se atirasse pela janela e agradecia ao meu anjo da guarda por ter decapitado meu filho com sua espada flamejante, enquanto passava a mão na cabeça dela e dizia:&lt;br /&gt;   – Não fica assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu a detestava profundamente. As suas certezas, as suas verdades absolutas, o seu amor, o seu “para sempre”. Ela era uma adolescente problemática e eu não tinha mais paciência para crianças. Mas foi quando ela disse:&lt;br /&gt;   – Me come. – Com um olhar que significava:&lt;br /&gt;   “Vamos ter um filho?” Foi que eu tive vontade de jogá-la nua porta afora e trancá-la do lado de fora da minha vida para nunca mais abrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não adianta. Eu já tentei. Eu não tenho o dom. Eu não tenho aquela coisa melosa e bonitinha que se precisa ter para que os relacionamentos funcionem.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Eu gosto de uma boa foda, de um cigarro e de uma cerveja. O resto é um monte de merda. Um monte de merda em que estou atolado, e que daqui a pouco vai cobrir a minha cabeça e me matar sufocado. Como areia-movediça. Estou preso em um monte de merda-movediça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8439423429927879575?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8439423429927879575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8439423429927879575&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8439423429927879575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8439423429927879575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/merda-movedica.html' title='Merda-movediça'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1495397607915340359</id><published>2009-01-27T17:00:00.001-02:00</published><updated>2009-01-27T17:01:59.639-02:00</updated><title type='text'>sobre a impulsividade</title><content type='html'>A impulsividade, no limite, é uma forma de lógica, pois ser impulsivo não é nada além de seguir suas próprias vontades, e não há nada mais lógico do que isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1495397607915340359?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1495397607915340359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1495397607915340359&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1495397607915340359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1495397607915340359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/sobre-impulsividade.html' title='sobre a impulsividade'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5415287296674472747</id><published>2009-01-24T16:59:00.000-02:00</published><updated>2009-01-24T17:01:12.811-02:00</updated><title type='text'>no fear</title><content type='html'>Preciso me livrar dos meus medos. Entregar-me de corpo e alma à esta coisa vertiginosa que é escrever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5415287296674472747?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5415287296674472747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5415287296674472747&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5415287296674472747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5415287296674472747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/no-fear.html' title='no fear'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7807142268673103094</id><published>2009-01-23T23:22:00.000-02:00</published><updated>2009-01-23T23:23:43.289-02:00</updated><title type='text'>Crise</title><content type='html'>Acho que pela primeira vez em muito tempo eu estou enfrentando uma crise de verdade, que não foi forjada e tem força própria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7807142268673103094?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7807142268673103094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7807142268673103094&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7807142268673103094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7807142268673103094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/crise.html' title='Crise'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5630322837867611146</id><published>2009-01-22T19:10:00.001-02:00</published><updated>2009-01-22T19:11:46.310-02:00</updated><title type='text'>Epifania-desabafo</title><content type='html'>Tive uma epifania brutal hoje, da qual eu não estou conseguindo me recuperar. Chorei horrores, como há séculos não conseguia chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aqueles desenhos da Disney, onde os personagens param em frente a uma bifurcação, onde um dos caminhos é plano, ensolarado e florido; e o outro é tortuoso, escuro, com raios &amp;amp; trovões? Pois é, hoje percebi que eu escolhi o caminho tortuoso, sei lá eu porquê, escolhas sem escolhas, e eu queria tanto estar no outro caminho, tanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vou contar o que desencadeou a minha epifania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aconteceu hoje quando, meio sem querer, por descuido, desatenção ou tédio, sei lá, eu acabei parando no orkut de um velho amigo, o George – que eu sempre conheci como Gê. O Gê foi o meu grande amigo de infância, aliás o meu único amigo de verdade até a sexta série – ou doze anos, tanto faz –, e eu sou muito grato à ele por isso até hoje. O Gê sempre foi o meu grande exemplo de tudo o que eu sempre achei que uma pessoa deveria ser para que fosse uma boa pessoa. Educado, gentil, inteligente culto, sempre disposto a ajudar. Acho que ele foi uma ótima influência pra mim – eu seria bem pior hoje se não tivesse conhecido o Gê naquela época. Mas daí eu entrei hoje no orkut do Gê e fiquei tri feliz, porque ele tá muito bem, tá estudando, viajando,fazendo amigos, levando uma boa vida – como sempre esperei que o Gê fosse levar, ele merece. Me bateu até uma nostalgia, saudades de conversar com o Gê, assistir anime, jogar Playstation e futebol no pátio do prédio. O Gê é um cara de muita sorte, ele merece tudo de bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas daí eu me toquei de uma coisa. O Gê seguiu pelo caminho bonito e ensolarado, méritos dele – é claro. Mas foi aí que eu me dei conta de que eu segui pelo outro caminho, e o contraste foi muito grande – assim como o choque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Gê tem a mesma idade que eu, 21, eu faço aniversário em agosto e ele em outubro. Ambos nos formamos no terceiro ano em 2004. Ambos fizemos vestibular na UFRGS em janeiro de 2005, eu pra Relações Internacionais e o Gê pra medicina, e ambos não passamos. Coisa normal, colégios de interior, essas coisas. Mas daí o que aconteceu? O Gê fez um ano de cursinho e passou em medicina na UFRGS – eu sempre soube que ele ia conseguir, o Gê é o cara – e eu... não fiz nada. Pois é, aí que entra a minha epifania. Pois foi a partir do momento pós-vestibular-da-UFRGS que tudo se encaminhou ao desastre e me trouxe ao momento exato em que me encontro agora. Pela lógica, eu deveria ter feito – também – um ano de cursinho e passado em Relações Internacionais na UFRGS. E o que aconteceu ao invés disso? Uma sucessão de erros grotescos na minha vida. Um semestre de Administração na Unisc, morando numa pensão desprezível em Santa Cruz. Um semestre de Comércio Exterior na Univates, trazido à força pra Lajeado – minhas mudanças sempre foram à força, todas elas –, com direito a trancar cadeiras no meio do semestre &amp;amp; à crises suicidas, cortes nos pulsos, caixas de sedativos com cerveja, depressão profunda, psicólogos, psiquiatras, terapeutas, antidepressivos e todo esse caos. Depois o primeiro semestre de 2006 – estão acompanhando? – de total marasmos, sem nada nem ninguém, apenas Legião Urbana e pilhas de livros do Edgar Allan Poe. E depois jornalismo, Univates, Lajeado, cinco semestres, muitos surtos, muita literatura, eu me afirmando como escritor, uma fuga para Buenos Aires, muita bebida e eu assumindo a minha total decadência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês acompanharam o quadro, não é? (Desastroso.) Então a pergunta da epifania: Por que eu não fiz um ano de cursinho e fui cursar Relações Internacionais na UFRGS? Sabe, eu teria sido feliz sendo um estudante de Relações Internacionais da UFRGS. Sabe, naquele tempo, do ensino médio, terceiro ano, formatura, cursinho, essas coisas todas, naquele tempo eu queria ser diplomata. Por isso Relações Internacionais. Acho que se eu realmente cursasse, além de ser feliz, depois de alguns anos eu realmente conseguiria entrar na escola do Instituto Rio Branco. Eu sempre fui meio inteligentezinho, e com umas forças de vontade aqui e ali, as coisas dariam certo – não é idealização, eu sei que dariam, uma espécie de realidade alternativa, universo paralelo. E eu tenho certeza que eu também seria muito feliz na minha vida de diplomata. Sonhos adolescentes com tudo para se realizarem. Mas então por que eu não fiz a droga do cursinho depois do terceiro ano?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Observação: Ok, agora eu vou fazer uma coisa que não se faz, mas que se tornou inevitável diante da situação: eu vou culpar alguém. E não serei eu mesmo. Se tens problemas com isso, pare de ler agora.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa é da minha mãe. Veja bem, eu não costumo culpar a minha mãe. Eu gosto muito da minha mãe, e eu sei que ela já fez vários sacrifícios por mim, mas nesse caso, a culpa é – quase – inteiramente dela. E a culpa dela se dá em um fato empírico, inegável e que independe de interpretações: ela não quis pagar o cursinho. E o ato de não pagar o cursinho me jogou com a cara no chão do caminho tortuoso e fechou as portas do caminho ensolarado pra mim. Aquilo foi o começo de todo o caos já citado acima, que foi a minha vida nos últimos anos. Aquilo originou toda a depressão, todos os surtos psicóticos, toda a descrença e, por fim, me jogou de corpo &amp;amp; alma no mundo dos livros – a única fuga que me restou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se hoje eu sou um escritor decadente, bêbado, que não acredita no amor, nem nas pessoas, nem em nada, que mora sozinho com um gato e decorações estranhas, que é anti-social e não gosta de quase nada, a culpa é, invariavelmente, da minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, já desabafei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda estou me recuperando de todas essas percepções repentinas e não tenho mais nada a dizer por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Desculpem pelos erros de português, não tenho cabeça pra revisar isso agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.II: Gê, muita sorte pra ti, porque tu merece. Tu ainda vai ser um grande cara, mais do que agora, eu sei disso. Abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5630322837867611146?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5630322837867611146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5630322837867611146&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5630322837867611146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5630322837867611146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/epifania-desabafo.html' title='Epifania-desabafo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3817904261450430683</id><published>2009-01-20T23:43:00.002-02:00</published><updated>2009-01-20T23:49:37.359-02:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>Bêbado.&lt;br /&gt;Sozinho.&lt;br /&gt;Sempre.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;O resto é ilusão.&lt;br /&gt;Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;♫ Jolene - White Stripes &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3817904261450430683?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3817904261450430683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3817904261450430683&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3817904261450430683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3817904261450430683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/blog-post.html' title='...'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5954640365971524661</id><published>2009-01-18T07:15:00.001-02:00</published><updated>2009-01-18T07:16:41.893-02:00</updated><title type='text'>Noite</title><content type='html'>Dois filetes. São sempre dois filetes. Fumaça saindo em par da ponta do incenso. E a solidão. Sem par algum. Três plantas quase murchas, semi-mortas, e um gato jovem demais, agitado demais, vivo demais. Tudo isso tentando ocupar espaço no apartamento vazio. No coração vazio. Ilusões. Esperanças forjadas. Sabe, tem aquela menina tão bonita e tão inteligente quê. Três dias de chuva, ininterrupta. Frio em pleno verão. Calça de abrigo, blusa de moletom. Cama vazia, a não ser pelo gato, que se aninha em meus cabelos compridos, sobre o travesseiro. Frio. Edredons com o meu cheiro e o de mais ninguém. Um dragão de bronze, uma carranca argentina, uma estatueta de São Jorge, peças de artesanato em ferro e taquara. Incensos. Um prato de sal grosso, marinho, embaixo da cama e um gato. Apartamento vazio cheio de fantasmas. Eu durmo com um terço enrolado no pulso esquerdo, sabia? E aperto bem forte o crucifixo dentro da mão. Cruz: instrumento de tortura. O ank que eu carrego pendurado no pescoço eu tiro pra dormir. Dormir: nunca à noite. Fantasmas, sabe. Assombrado por mim mesmo. Pantufas grossas. Pretas, peludas. Imitando uma pantera. Olhos verdes, a pantufa, a pantera. Um tango ao fundo. Depois o silêncio. O incenso quase no fim. A noite se rendendo. O cansaço. Mais uma noite. Estômago doído, olhos pesados. Mais uma noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5954640365971524661?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5954640365971524661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5954640365971524661&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5954640365971524661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5954640365971524661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/dois-filetes.html' title='Noite'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1036471056954535539</id><published>2009-01-18T06:56:00.002-02:00</published><updated>2009-01-18T07:02:37.404-02:00</updated><title type='text'>Escultura</title><content type='html'>Nós somos como esculturas. No começo da vida somos como um bloco maciço de pedra bruta. Conforme a vida vai nos esculpindo, vamos ficando mais belos e sofisticados, ou horríveis e monstruosos, ou ambos, por que não? Mas o importante é que essa escultura vai sendo feita cada vez mais para o interior do grande bloco de pedra cinza que somos nós, cada vez mais pra dentro, tirando lascas e arrancando faíscas, eliminando tudo aquilo que é desnecessário, supérfluo. Ao final, a escultura pronta deve conter apenas o nosso mais puro interior, por mais belo ou monstruoso que seja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1036471056954535539?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1036471056954535539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1036471056954535539&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1036471056954535539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1036471056954535539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/escultura.html' title='Escultura'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5460527232323322446</id><published>2009-01-18T06:55:00.001-02:00</published><updated>2009-01-18T06:55:54.472-02:00</updated><title type='text'>tio Milan III</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquele que quer deixar o lugar em que vive não está feliz.&lt;/span&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5460527232323322446?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5460527232323322446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5460527232323322446&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5460527232323322446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5460527232323322446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/tio-milan-iii.html' title='tio Milan III'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7301882953930693485</id><published>2009-01-18T06:53:00.000-02:00</published><updated>2009-01-18T06:54:28.148-02:00</updated><title type='text'>tio Milan II</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O amor físico lhes dava prazer, mas nenhuma consolação.&lt;/span&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7301882953930693485?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7301882953930693485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7301882953930693485&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7301882953930693485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7301882953930693485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/tio-milan-ii.html' title='tio Milan II'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8131851459515317086</id><published>2009-01-18T06:49:00.003-02:00</published><updated>2009-01-18T06:53:32.156-02:00</updated><title type='text'>tio Milan I</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tomas pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).&lt;/span&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8131851459515317086?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8131851459515317086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8131851459515317086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8131851459515317086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8131851459515317086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/tio-milan-i.html' title='tio Milan I'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4556557196947531826</id><published>2009-01-18T06:40:00.001-02:00</published><updated>2009-01-18T06:40:48.760-02:00</updated><title type='text'>viver</title><content type='html'>É aquela coisa de pegar a vida com as mãos e estraçalhar com os dentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4556557196947531826?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4556557196947531826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4556557196947531826&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4556557196947531826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4556557196947531826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/viver.html' title='viver'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7703137868569339069</id><published>2009-01-05T04:44:00.002-02:00</published><updated>2009-01-05T04:48:47.144-02:00</updated><title type='text'>À F.H.A. (uma pessoa de um passado distante e empoeirado, dos tempos em que eu ainda não era eu)</title><content type='html'>Eu costumo dizer que nunca amei ninguém, mas a pessoa que cheguei mais perto de amar foste tu. Mas é claro, eu era - e continuo sendo - inábil para o amor. Eu nunca soube como amar e, talvez por isso, te feri. Perdoa. Tudo o que eu queria era te amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7703137868569339069?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7703137868569339069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7703137868569339069&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7703137868569339069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7703137868569339069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/fha-uma-pessoa-de-um-passado-distante-e.html' title='À F.H.A. (uma pessoa de um passado distante e empoeirado, dos tempos em que eu ainda não era eu)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5138627623626455265</id><published>2009-01-05T04:38:00.004-02:00</published><updated>2009-01-05T04:42:03.736-02:00</updated><title type='text'>À beira do mar aberto</title><content type='html'>Te conto apenas o que quero que ouças, enquanto dissimulo todo o resto. Te mostro apenas o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu&lt;/span&gt; que quero que conheças, enquanto dissimulo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu&lt;/span&gt; mais profundo e verdadeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5138627623626455265?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5138627623626455265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5138627623626455265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5138627623626455265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5138627623626455265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/beira-do-mar-aberto.html' title='À beira do mar aberto'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7411162331409380068</id><published>2009-01-04T23:35:00.002-02:00</published><updated>2009-01-04T23:41:05.884-02:00</updated><title type='text'>À melhor</title><content type='html'>Minha semi-deusa decaída&lt;br /&gt;tanto me atormentas em busca de tua divindade perdida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha linda&lt;br /&gt;cara-metade&lt;br /&gt;alma gêmea&lt;br /&gt;completude&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;menina de olhos azuis &amp;amp; alma rubra&lt;br /&gt;minha eterna ilusão&lt;br /&gt;minha liberdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7411162331409380068?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7411162331409380068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7411162331409380068&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7411162331409380068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7411162331409380068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/melhor.html' title='À melhor'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4433630538005394365</id><published>2009-01-04T21:15:00.003-02:00</published><updated>2009-01-04T21:31:25.668-02:00</updated><title type='text'>Medo</title><content type='html'>Medo? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que é o medo?&lt;/span&gt;, já se perguntava Dostoiévski. Medo de ser, sentir, viver. Qual a função essencial do medo? Pra que ele serve? A que ele nos impulsiona? Ou será apenas um empecilho, puro e simples? Eu sempre acreditei que o medo nos levasse a algo maior. Afinal, além de um grande medo sempre se esconde uma grande conquista, mesmo que ela só faça sentido para o nosso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu&lt;/span&gt; interior. Pra mim o medo pode ser uma grande fonte de energia. Mais ou menos como a raiva. Adrenalina. Vontade de ir além. O medo como uma parede de tijolos que se quebra a marretadas, até as mão sangrarem. Mesmo que do outro lado não tenha nada, o importante é poder chegar ao outro lado. Acho que nenhuma das minhas conquistas até hoje teria tido o mesmo sabor sem o medo. As marretadas. O sangue. A superação. A coragem para ir além - porque a coragem verdadeira só existe quando se tem medo, muito medo. Parece que as coisas perdem um pouco o sentido, perdem a graça, quando deixamos de ter medo. Pensando bem, acho que eu sempre segui o caminho dos meus maiores medos. Sempre aquela busca incessante pelos sentimentos mais intensos - por piores que fossem. Na verdade, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;se é que existe alguma verdade&lt;/span&gt;, o medo não tem nada de mal, o medo é uma força propulsora essencial à vida. Sim, eu tenho medo. E eu sei que enquanto houver alguma coisa a temer eu, pelo menos, estarei vivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4433630538005394365?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4433630538005394365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4433630538005394365&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4433630538005394365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4433630538005394365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/medo.html' title='Medo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7625580193023644757</id><published>2009-01-04T03:56:00.002-02:00</published><updated>2009-01-04T03:58:37.123-02:00</updated><title type='text'>Yann Tiersen - La Dispute</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7WQktihlf0Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7WQktihlf0Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7625580193023644757?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7625580193023644757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7625580193023644757&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7625580193023644757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7625580193023644757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/yann-tiersen-la-dispute.html' title='Yann Tiersen - La Dispute'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8413075928376173467</id><published>2009-01-03T22:13:00.003-02:00</published><updated>2009-01-03T22:19:40.249-02:00</updated><title type='text'>diálogo</title><content type='html'>- Por que a gente não deu certo?&lt;br /&gt;- Porque eu sou egocêntrico &amp;amp; egoísta.&lt;br /&gt;- Tu  nunca amou ninguém?&lt;br /&gt;- Não. Ninguém além de mim mesmo.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Porque eu tenho medo. Medo de depositar todo o meu amor em outra pessoa. É uma aposta muito arriscada. Eu acho que ela não aguentaria o peso.&lt;br /&gt;- Mas tu é feliz assim?&lt;br /&gt;- Não. Eu sou triste.&lt;br /&gt;- Então por que tu não muda?&lt;br /&gt;- Não consigo. Não tenho forças.&lt;br /&gt;- Que pena...&lt;br /&gt;- É...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8413075928376173467?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8413075928376173467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8413075928376173467&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8413075928376173467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8413075928376173467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/dilogo.html' title='diálogo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8825156027308489495</id><published>2009-01-03T21:56:00.000-02:00</published><updated>2009-01-03T21:57:47.322-02:00</updated><title type='text'>marés</title><content type='html'>- Eu sou inconstante como as marés.&lt;br /&gt;- Mas as marés são constantes.&lt;br /&gt;- Tu é que pensa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8825156027308489495?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8825156027308489495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8825156027308489495&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8825156027308489495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8825156027308489495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/mars.html' title='marés'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-2102295821618228037</id><published>2009-01-03T21:51:00.000-02:00</published><updated>2009-01-03T21:53:39.958-02:00</updated><title type='text'>máxima para começar bem o ano</title><content type='html'>Em uma relação entre duas pessoas, a que ama menos é sempre a dominante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-2102295821618228037?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/2102295821618228037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=2102295821618228037&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2102295821618228037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/2102295821618228037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2009/01/mxima-para-comear-bem-o-ano.html' title='máxima para começar bem o ano'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4402339845137207449</id><published>2008-12-31T00:34:00.001-02:00</published><updated>2008-12-31T00:35:48.430-02:00</updated><title type='text'>Busca</title><content type='html'>E eu permaneço aqui. Varando madrugadas, bebendo cerveja, fumando cachimbo, lendo contos beats, com músicas de Elis Regina entre um e outro, pra disfarçar, um conto falando de putas e uma música falando de amor, devidamente alternados para não perturbar o meu frágil equilíbrio. Permaneço acordado esperando a manhã chegar para enfim poder dormir. À noite meus fantasmas me perturbam, derrubam quadros na minha cabeça e não me deixam descansar. Então fico sozinho por estas madrugadas forjando amores impossíveis e desesperados, buscando companhias mil para disfarçar a solidão indisfarçável. Tento dissimular a pessoa detestável que sou, talvez em busca de alguém, um alguém que também dissimule, que finja não ver fundo demais, que sorria e diga que acredita em tudo e que me ame. A névoa toma conta das madrugadas frias, e em meio à total solidão eu busco amor. Palavrinha complexa, indefinível. Busco um amor assim, meio distante, pra dramatizar um pouco, afinal, preciso do drama, mas busco um amor, que aqui e ali talvez até me convença que a vida não é tão ruim, que as pessoas não são tão más, que o mundo tem solução. Busco um amor redentor, eu, que tão perdido estou. Busco a felicidade, se é que isso existe. Busco tudo o que eu me dissera para não buscar, acho que justamente por isso. Mas sabem como são as buscas, levam tempo e dedicação, necessitam paciência e perseverança, e eu nunca tive nada disso. Eu sempre me perdi pelos caminhos errados, e acho que desta vez não vai ser diferente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4402339845137207449?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4402339845137207449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4402339845137207449&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4402339845137207449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4402339845137207449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/busca.html' title='Busca'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8861542475924981208</id><published>2008-12-31T00:34:00.000-02:00</published><updated>2008-12-31T00:35:24.775-02:00</updated><title type='text'>Espera</title><content type='html'>Estou aqui, sentado, sozinho, esperando que alguma coisa mude, esperando que alguma coisa aconteça, esperando... Eu nunca gostei de esperar, eu nunca soube esperar, mas espero. Tudo o que me restou foi esperar. O resto todo foi embora. Todos foram embora. E eu fiquei aqui, esperando sei-lá-o-quê. Agora me diz: de que serve tudo isto? Aprendizado, compreensão e todo esse blá-blá-blá. Necessária solidão auto-destrutiva e criadora. Redenção. Uma espécie incompreensível de alguma redenção perdida. Por que é tão difícil? São só uns riscos no papel. Não significam nada. Nem pra mim, nem pra ninguém. Não sei o que vai acontecer. Nunca soube mesmo, mas sempre esperei o pior. Vai ver é porque eu sei que hora ou outra ele acaba vindo, o pior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8861542475924981208?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8861542475924981208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8861542475924981208&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8861542475924981208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8861542475924981208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/espera.html' title='Espera'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7992593674038489270</id><published>2008-12-30T19:14:00.001-02:00</published><updated>2008-12-30T19:14:53.534-02:00</updated><title type='text'>Papilas Gustativas</title><content type='html'>Dizem que quando a gente vai ficando velho, a gente vai perdendo as papilas gustativas, aquelas bolinhas na língua que fazem com que a gente sinta o sabor das coisas. Por isso que os velhos costumam carregar tanto nos temperos. Porque eles não sentem mais o gosto. Pois bem, acho que a minha alma está ficando velha, que as papilas gustativas do meu espírito estão se perdendo. Não consigo mais sentir o sabor da vida, tenho que carregar nas emoções apimentadas e nos sentimentos agridoces para ter um vislumbre dos sabores de outrora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7992593674038489270?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7992593674038489270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7992593674038489270&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7992593674038489270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7992593674038489270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/papilas-gustativas.html' title='Papilas Gustativas'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5167291898838012053</id><published>2008-12-30T19:04:00.002-02:00</published><updated>2008-12-30T19:12:17.791-02:00</updated><title type='text'>Mulheres</title><content type='html'>O que os seios significam para uma mulher? Será que o mesmo que o pênis significa para um homem? Por que as mulheres que não têm peito sentem-se inferiores às mulheres que possuem seios fartos? Afinal, são apenas dois pedaços de carne. Não, na verdade são bem mais do que isso. São uma prévia indiscutível – pelo menos na visão feminina – da competência para o sexo. E seguindo esta lógica, são uma vantagem ainda mais indiscutível na batalha pela conquista dos homens. Os seios são uma arma. São símbolo de vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Eu poderia discutir também por que as mulheres que não são mães sentem-se inferiores às que o são. Mas essa é uma questão mais biológica do que psicológica. O corpo da mulher foi feito para que ela fosse mãe. Ser mãe e a sua função social. Sem isso ela se sente uma fracassada. E a educação machista à que são submetidas contribui muito para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   As mulheres, sem dúvida, possuem muitos complexos. Mas enfim, mulheres são complexas por natureza, e se não o fossem os homens não as amariam. Elas mesmas não conseguiriam amarem-se umas às outras. A complexidade é algo inerente ao caráter feminino. Sem isso a mulher fica incompleta. Por mais simples que uma mulher possa parecer, ela sempre esconde uma grande e profunda complexidade em seu interior. O que acontece é que muitas vezes, geralmente por medo ou por algum outro motivo banal, ela esconde até de si mesma a sua própria complexidade, e fica vivendo como uma mulher simplória para agradar ao marido, aos filhos, aos pais, à família, aos amigos, à sociedade. Isso não é vida. Uma mulher necessita exercer a sua complexidade para ser verdadeiramente uma mulher, e não apenas um ser com uma vagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitura complementar: &lt;a href="http://vanessabotega.wordpress.com/2008/10/25/fatos-da-vida-animal/"&gt;Fatos da vida animal&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5167291898838012053?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5167291898838012053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5167291898838012053&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5167291898838012053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5167291898838012053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/mulheres_30.html' title='Mulheres'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1003665527804032760</id><published>2008-12-30T00:56:00.001-02:00</published><updated>2008-12-30T00:58:34.966-02:00</updated><title type='text'>boquete</title><content type='html'>Tu podes saber se um relacionamento dará certo ou não pelo boquete. É impossível que um relacionamento com uma mulher que não saiba chupar funcione direito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1003665527804032760?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1003665527804032760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1003665527804032760&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1003665527804032760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1003665527804032760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/boquete.html' title='boquete'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-642594821189099353</id><published>2008-12-30T00:54:00.002-02:00</published><updated>2008-12-30T01:00:44.107-02:00</updated><title type='text'>egocentrismo</title><content type='html'>Eu sou apenas mais um&lt;br /&gt;mas não consigo ver&lt;br /&gt;pois estou apaixonado por mim mesmo&lt;br /&gt;e como todos sabem&lt;br /&gt;a paixão&lt;br /&gt;cega.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-642594821189099353?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/642594821189099353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=642594821189099353&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/642594821189099353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/642594821189099353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/egocentrismo.html' title='egocentrismo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-206455005749186711</id><published>2008-12-30T00:53:00.000-02:00</published><updated>2008-12-30T00:54:10.191-02:00</updated><title type='text'>sexo</title><content type='html'>O sexo só pelo sexo fica vazio de sentido. A ilusão é o que nos mantém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-206455005749186711?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/206455005749186711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=206455005749186711&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/206455005749186711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/206455005749186711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/sexo.html' title='sexo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-882669921643384366</id><published>2008-12-29T16:03:00.001-02:00</published><updated>2008-12-29T16:07:17.404-02:00</updated><title type='text'>Leslie</title><content type='html'>Leslie vivia no campo e adorava chocolate. Era uma vida adocicada, calma e tranqüila. Com canto de pássaros e borbulho de águas calmas ao seu redor. Era enlouquecedor. Torturante. Os pássaros. O borbulho. A paz. Leslie possuía uma alma inquieta, necessitava de agitação, da vida corrida das metrópoles, ela precisava daquele ritmo frenético para sentir-se viva. Mas estava presa num cárcere sem paredes e em campo aberto. Campos. Sua prisão eram campos abertos. Como os campos das antigas guerras, quando ainda se lutava com espadas. Quando coragem e honra ainda tinham algum valor. Leslie estava presa e enlouquecia. Enlouquecia pelo fato de não viver a vida que escolhera para si, de não viver vida nenhuma. Enlouquecia pelo fato de não ter tido escolha – e isso serve como um alerta: a falta de escolhas enlouquece. As chamadas escolhas sem escolha, belíssimo termo, podem ser fatais. Há que se estar preparado para resignar-se, e às vezes a resignação e o desgosto matam. Leslie era uma pessoa desgostosa. Chorava convulsivamente, escondida para que não vissem sua fraqueza. Quase ninguém a via mesmo, mas caso visse, viria uma mulher forte e, quiçá, em raros momentos, alegre. Uma mulher feliz e realizada pela consciência do seu talento vão. E ninguém nunca seria capaz de ver a prisão sem muros que a corroia por dentro. Só havia o silêncio naquela grande casa de campo. E só havia o silêncio dentro de Leslie. Um silêncio tão absoluto que a enlouquecia. Mas em pequenas parcelas, mordidinhas, corroendo, segundo após segundo, minuto após minuto, hora após hora, dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, década após década. Por dentro ficava um buraco que a cada dia ia ficando mais fundo e mais escuro. E o vazio ia crescendo e as palavras iam escasseando e Leslie ia secando, morrendo de dentro pra fora, como uma árvore atingida por um raio, morta em sua essência, mas viva aos olhos dos outros, viva para o mundo. Podemos pensar em quantas pessoas nós conhecemos que são mortas por dentro e vivas para o mundo. Eu pensava em Leslie e Leslie morria. Mas não era uma morte puramente física, esse esgotamento do corpo era puramente um reflexo, a morte de Leslie era mais profunda, era uma morte espiritual, uma morte da qual ela não conseguia se livrar. Leslie morria enquanto todos à sua volta sorriam. Sorrisos falsos, simpatias forjadas, sopinha de legumes e pilhas de remédios. Essa era a receita mágica que devia salvar Leslie. Não adiantava de nada. No começo ela fingia melhoras, forjava falsas alegrias, tomava a sopa e os remédios. Depois ela deixou de se preocupar com isso. Isolou-se cada vez mais em si mesma, um processo contínuo, insolúvel e irreversível. Leslie morria. Mas sua alma irrequieta tinha ânsia de transmitir todos os conhecimentos que ela adquirira em incontáveis segundos de vivências mínimas e divagações infinitas. O vôo da joaninha a fazia questionar a existência de Deus e a origem do universo. Leslie era uma mente muito forte aprisionada em um corpo muito fraco. Havia um desequilíbrio evidente. Como eu já disse anteriormente, no começo ela lutava contra isso, mas depois ela se aceitou por inteira, com todas as suas potencialidades e deficiências. Aquela morte em vida era apenas um processo. Leslie era como uma larva que necessita passar pela eternidade de um casulo antes de poder resplandecer nos céus. Mas ela era impaciente. Fugia do nada para o nada. Fazia tentativas vãs que nem mesmo ela entendia. Na verdade não eram tentativas de morte, não eram tentativas de fuga. Eram tentativas de uma ressurreição mental e espiritual. Leslie estava completamente perdida. Ela necessitava de uma luz na escuridão. A vida trivial que as mulheres supostamente deveriam levar dava-lhe ânsias de vômito. No fundo, ela queria ser aceita pelo que ela era: uma escritora brilhante e talentosa, e nada mais. Ela possuía as suas excentricidades e sabia disso, mas isso não era da alçada das outras pessoas e não cabia a ninguém, além dela mesma – e às vezes nem mesmo ela –, julgá-la. Aquela paz e serenidade iam deixando-a cada vez mais angustiada, pois cada vez mais ia bloqueando o seu talento e aumentando o seu vazio interior. Ela detestava o vazio. Havia tantas coisas a serem vividas, e todas estavam imbuídas de tantos significados quanto a imaginação pode alcançar. Ela se recusava ao vazio. O vazio era perda de tempo. Ela queria preencher tudo, com todos os sentimentos e pensamentos que lhe fossem possíveis. Ela buscava uma completude. Algo que lhe desse uma compreensão nunca alcançada, uma compreensão que talvez lhe permitisse a verdadeira felicidade – ela supunha. E talvez estivesse certa, nunca saberemos. Cada um possui os seus próprios processos internos, e os de Leslie eram geniais e incompreensíveis. Leslie procurava um amor que transcendesse o plano físico. Ela queria sempre algo a mais. Os sentimentos nunca lhe pareciam intensos o suficiente. Talvez porque os seus sentimentos fossem muito intensos, ela sentia-se eternamente uma amante não correspondida, por mais amada que fosse. Para ela, nunca era o suficiente. Chorava sem saber por quê. Dilacerava sua alma em lágrimas de desespero inventivo, o desespero da incompreensão. Incompreensão para ela sempre representou escuridão, e ela vivera na escuridão por tempo demais. As pessoas não a compreendiam. Nunca compreenderiam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-882669921643384366?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/882669921643384366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=882669921643384366&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/882669921643384366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/882669921643384366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/leslie.html' title='Leslie'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3357732154650728681</id><published>2008-12-28T17:01:00.001-02:00</published><updated>2008-12-28T17:05:34.960-02:00</updated><title type='text'>Matadouro</title><content type='html'>Eu cresci no interior, na casa dos meus avós. Tudo muito bonito, muito calmo, muito bucólico. E eu com a alegria infantil de quem não conhece a sujeira e a miséria das cidades grandes. No máximo um passeiozinho em Arroio do Tigre ou Sobradinho, cidadezinhas bucólicas da serra gaúcha. Ir ao supermercado dos parentes do meu avô. Tudo assim. Minha avó muito simpática e boa cozinheira, meu avô trabalhador e que ia tarrafar comigo no rio à noite. Vila Tamanduá é o nome do lugar. Ainda existe, exatamente do mesmo jeito, mas não aparece no Google Maps, já procurei. Mas talvez o mais marcante daquela minha infância bucólica tenha sido o sangue. Eu sempre fui carnívoro por natureza e sempre gostei do sangue. Até hoje, como carne de gado crua sempre que posso. E que se foda a febre aftosa. O que essas pessoas urbanóides que nasceram, cresceram e sempre viveram apartamentinhos e indo aos hiper-mercados não conseguem entender é como o contato com o sangue é uma coisa linda e natural. É mágico. Minha santidade particular, o sangue. Naquela vidinha de interior, meio do mato, final dos 80, começo dos 90, meu avô tinha um irmão que era açougueiro. Na verdade ele tinha um mercadinho na Vila Tamanduá, mas o que dava lucro mesmo era o açougue. Era o único da vila, e todos aqueles descendentes de nobres alemães &amp;amp; italianos que por décadas derrubaram árvores &amp;amp; mataram onças para construir aquele paraíso no meio do nada não poderiam ficar sem o seu santo churrasquinho de todo domingo. Mas eu estava falando do meu tio-avô açougueiro. Ele tinha um matadouro. Ficava em cima de um rio, e para chegar lá ele descia por uma estradinha que passava em frente à casa dos meus avós. Era bem perto, o matadouro. Dava pra ouvir lá de casa os berros dos bois agonizantes quando eles demoravam para morrer. Como todo bom moço criado no interior, o contato com o sangue era algo normal para mim. Limpar peixes, matar galinhas. Uma vez um ganso me mordeu. Com ajuda da minha destemida avó, que capturou os bichos, eu realizei minha vingança. Com uma machadinha eu decapitei os treze gansos que haviam lá. Eu adorava ver o sangue correr. O cepo ficou encharcado. Eu me sentia um carrasco medieval. E haviam também as tradicionais carneações de porcos, que seguiam quase o mesmo processo do matadouro de bois, mas que visivelmente não provocavam o mesmo efeito psicológico em mim. Com os porcos o processo era simples. Matava-se o porco. Então abriam-no, retiravam os órgãos, esquartejavam-no, limpavam os intestinos, moíam a carne do porco &amp;amp; faziam lingüiça. Basicamente tiravam as tripas de dentro do porco e colocavam o porco dentro das tripas. E meu avô às vezes ia ajudar no matadouro. Ele era muito bom em tirar o couro dos bichos. Tinha uma faquinha de estimação própria para isso. E tinha um irmão, italiano e muito católico, que comia as negrinhas que iam trabalhar em sua casa e matava bois. Uma vez um boi fugiu. O meu tio-avô, popularmente conhecido nas redondezas como “Tio Chico”, foi atrás dele com um pedaço de pau. Ele bateu com aquele pau em uma das canelas do boi. O osso se quebrou e o pé ficou pendurado pela pele. E o Tio Chico fez o boi andar por quilômetros até o matadouro mancando em cima daquele osso. Era um grande cara, o Tio Chico. Um dia ele matou um cara com um dois tiros: um no meio da testa e um no coração. Sinto saudades do Tio Chico. No matadouro as coisas funcionavam assim: os peões amarravam cordas no boi – ou na vaca, dependendo da ocasião –, cordas nas quatro patas e na cabeça, e ficavam segurando. Então vinha alguém e dava uma facada no pescoço do boi, na jugular. Geralmente era o Tio Chico, ou um peão que já era experiente no negócio. Então eles esperavam o boi sangrar até a morte. Era um espetáculo lindo. Aquele sangue vermelho e quente jorrava, o piso de concreto ficava todo vermelho. Tudo muito colorido, tudo muito vivo, exceto o boi, que ia morrendo. Às vezes eu ia pelo lado do rio e via o sangue caindo como uma cachoeira vermelha, mudando a cor das águas. Mas havia alguns detalhes importantes na matança. Por exemplo: não se podia ter pena do bicho, senão ele não morria. Uma vez uma amiga da minha mãe foi assistir eles matando, e ficou com pena do boi. E o boi sangrava e sangrava e sangrava e não morria. E ela ficava olhando nos olhos do boi e o boi ficava olhando nos olhos dela. O boi sangrou até a última gota e continuou em pé. Não morria. Até que o Tio Chico enfiou a faca atrás da cabeça, na nuca, na junção do pescoço. Foi instantâneo, como se desligasse um botão, as quatro patas se arriaram e a amiga da minha mãe correu pra casa chorando. Depois que matavam o boi vinha a parte que eu considerava como uma engenharia, uma verdadeira dissecação. Eles cortavam as quatro patas e a cabeça fora. Depois enfiavam dois ganchos nas pernas traseiras e erguiam o bicho. Tinha um tipo de guindaste para içá-lo. Então eles abriam a barriga do bicho e tiravam todos os órgãos, enquanto os outros – sempre eram vários – iam tirando o couro do bicho (meu avô fazia isso, era o melhor deles). Depois disso tudo eles serravam o bicho no meio, com uma serrinha dessas manuais mesmo. Aí eles passavam trabalho. Os peões suavam, uns desistiam, outros se revezavam. Tudo parecia muito divertido. Eu pedia pra serrar, às vezes. Mas eu tinha só quatro ou cinco anos e era muito magricela. Mas eles sempre deixavam. Dois peões seguravam os pedaços do boi afastados e meu avô me erguia. Eu segurava a serra melada de sangue, era uma sensação boa, de fazer parte de alguma coisa, como se aquele sangue que estava ali unisse todos aqueles homens, nos fizesse parte de algo maior, e eu fazia força, mas a serra quase nunca se mexia. Mas quando meu avô me botava no chão de novo, todo mundo dava a maior força e diziam que tinha sido quase e que da próxima vez ia e que eu tinha que comer mais feijão. Então eu ia correndo pra casa, feliz, e pedia uma caneca de caldo de feijão para a minha avó, e ela me dava e eu tomava tudo. Tinha uma textura engraçada. Parecia sangue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3357732154650728681?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3357732154650728681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3357732154650728681&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3357732154650728681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3357732154650728681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/matadouro.html' title='Matadouro'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-6713508680795519071</id><published>2008-12-16T05:13:00.000-02:00</published><updated>2008-12-16T05:14:11.776-02:00</updated><title type='text'>Fim.</title><content type='html'>Fui-me embora pra Vila Tamanduá.&lt;br /&gt;Volto em 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-6713508680795519071?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/6713508680795519071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=6713508680795519071&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6713508680795519071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6713508680795519071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/fim.html' title='Fim.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1031167706694128521</id><published>2008-12-10T19:16:00.003-02:00</published><updated>2008-12-10T19:25:49.938-02:00</updated><title type='text'>Bailarina, Egocêntrica &amp; Escandalosa ou Sol ou Considerações Filosóficas Acerca Do Encontro Com A Mulher Perfeita</title><content type='html'>Primeiro veio a espera. Horas, minutos, segundos. Cada um contendo em si a sua própria eternidade. Angustiante, a espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Incomensurável. Esta é a palavra, creio, que melhor define o conjunto de sentimentos exacerbados que convencionei chamar neste texto de: Ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira descrição que li dela, isso muito antes do encontro, era composta por três palavras: bailarina, egocêntrica &amp;amp; escandalosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Bailarina: Que baila. Dança. Arte. Que usa o corpo como uma obra de arte. Que traduz nos movimentos do corpo os sentimentos da alma. Sentir. Bailar. Bailarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Egocêntrica: Que gosta de ser o centro. Sol. Centro de gravidade. Magnetismo pessoal. Força. Energia. Luz. Que ilumina. Que ama e ilumina. Que modifica. Força motriz do universo. De tudo que está ao redor. Sol. Centro. Egocêntrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escandalosa: Escândalo. Chamar a atenção. Novamente centro. Necessidade leonina. Leão. Signo de fogo. Chama mais alta. Que arde. Que queima. Que, desgovernada, fere. Que, novamente, ilumina. Fogo. Força. Luz. Que é vista ao longe. Vista por todos. Sempre. Escândalo. Escandalosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre achei curiosa essa descrição: bailarina, egocêntrica &amp;amp; escandalosa. Parecia muita coisa para uma só pessoa. Eu acho estranho usar o conceito de pessoa para defini-la. Embora ela seja uma pessoa, é uma pessoa na milésima potência, o tempo todo. De forma que os conceitos comumente usados não se aplicam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu falava da espera. A nuvem de apreensão dissipou-se na escada rolante. Avistei-a. Ali. Esperando por mim num local não previamente combinado, desarmando-me completamente antes mesmo de ter me visto. Ela era linda. Aquele sorriso. Dentinhos de coelho. O sorriso que ilumina. (Novamente sol, luz, centro de gravidade.) O sorriso. O corpo que apresentava mais curvas do que eu me lembrava ou imaginara. Corpo de mulher. (Bailarina. Obra de arte em movimento.) Ela era linda, parada ali no meio da multidão que deixou de existir no momento em que a vi. Usava os mesmos brincos da foto em que Marilyn Monroe a imitava. Chamaram-me logo a atenção, os brincos. Era uma foto em que Marilyn, em um quadro à esquerda, imitava a pose dela, à direita. As opiniões foram unânimes: Marilyn não chegava aos pés dela. Ela usava os brincos da foto com Marilyn. E o cabelo em cachos desgrenhados que emoldurava o seu rosto tal qual o mais belo quadro que deveria ter sido pintado. Repito, ela era linda. E macia. O toque da sua pele. Macia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  (Tenho que fazer um parêntese para informar que é impossível descrevê-la. Indubitavelmente a sua verdadeira natureza é incomensurável e indescritível. Pela abundância de palavras com o prefixo in, o leitor já pode concluir que seria inútil continuar. O que eu retrato aqui, sob o conceito de Ela, é apenas a pequena parte que me foi possível apreender/compreender de tudo o que ela, de fato, é.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Sentamos em um café semi-deserto. Dois capuccinos. Com chantilly. Ela me explicava, orgulhosa, a técnica para se comer o chantilly sem transformar o café num vulcão. Eu adorava o timbre de voz dela. Era alto e meio rouco. Uma vez eu falava com ela ao telefone, quando disse-lhe que ela tinha voz de quem passava o dia inteiro gritando. (Escandalosa.) Mas no café ela não gritava. Apenas falava em ritmo acelerado, quase compulsivo. Falava. Falava com as mãos. Empoleirada na cadeira – ficava ainda mais linda sentada nessas posições estranhas falando descontroladamente – precisava de um grande espaço à sua volta para movimentar mãos e braços em uma verdadeira dança (bailarina) que acompanhava o ritmo da fala. Certa vez conversávamos sobre uma coreografia que ela estava criando. Ela angustiava-se por não conseguir entender de onde vinham aqueles movimentos. Deveriam ser lógicos, racionais, ela argumentava comigo. Eu sabia que eles jamais seriam. (Movimento, dança, arte, reflexo da alma.) Acho que depois ela também descobriu. Mas ela criava coreografias lindas ali, empoleirada em uma cadeira num café semi-deserto. Ela dançava com braços e mãos enquanto falava descontroladamente sobre si mesma. (Egocêntrica.) Sempre muito agitada. Suas mãos pequenas e macias, muito bem desenhadas, bailavam no ar formando desenhos mil. Eu não podia prestar atenção. O que ela dizia era sempre mais importante do que a obra de arte em movimento que era ela. E haviam os olhos. De um azul muito claro. Olhos muito profundos. Eu tinha medo. Tentava evitar olhares diretos. Disfarçava, dissimulava. Procurava olhar no fundo dos seus olhos quando ela se perdia em si mesma e esquecia que eu estava ali. Quando ela olhava de volta, eu desviava o olhar. Covardia. Medo. Não sei bem de quê. Mais tarde, na rua, em meio à multidão e ao caos porto-alegrense – que também deixavam de existir na presença dela –, eu de óculos-escuros – covarde – pude olhá-la no fundo dos olhos enquanto ela falava comigo. Não sei se ela me via. Se era uma frágil inútil ridícula proteção. No fundo, não adiantava de nada mesmo. Ela já conhecia a minha alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao deixar-me abandonado no meio de Porto Alegre, ela apontava braços e mãos nas mais variadas direções, alucinada e frenética, meio por pressa, meio por preocupação, meio por desorientação. Eu sorria. Ela era linda. Ela era linda e não existia mais ninguém. Agora também não existia mais a falsa imagem, a ilusão de quem era ela. Agora só havia ela, parada ali, à minha frente, cabelos ao vento, corpo cheio de curvas e a palavra “Liberdade” tatuada na alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1031167706694128521?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1031167706694128521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1031167706694128521&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1031167706694128521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1031167706694128521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/bailarina-egocntrica-escandalosa-ou-sol.html' title='Bailarina, Egocêntrica &amp; Escandalosa ou Sol ou Considerações Filosóficas Acerca Do Encontro Com A Mulher Perfeita'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5698597029384780064</id><published>2008-12-03T22:55:00.000-02:00</published><updated>2008-12-03T22:58:04.436-02:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>No fundo nós não passamos de bárbaros travestidos de homens civilizados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5698597029384780064?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5698597029384780064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5698597029384780064&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5698597029384780064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5698597029384780064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/blog-post.html' title='...'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7976337980529238440</id><published>2008-12-02T04:15:00.006-02:00</published><updated>2008-12-02T04:43:32.097-02:00</updated><title type='text'>Confusão</title><content type='html'>Será que eu sou incapaz de sentir amor? Eu era fraco, covarde, idealista &amp;amp; romântico. Amava sem medidas, mendigava o carinho e a atenção dos outros. Mas só sofri e me machuquei com isso. Então cresci e me tornei cético, cínico &amp;amp; amargo. Desaprendi a amar e a acrditar nas pessoas. Criei uma couraça, uma armadura. No fundo, é apenas outra forma de fraqueza, um pouco mais rebuscada. E pior, eu diria. O fraco que ama e se decepciona e sofre tem seus méritos, pois teve coragem de abrir o seu coração e tentar. Eu já fui assim. Hoje tenho medo. Já são muitas cicatrizes. O corpo e a mente enfraqueceram. Já não suportam mais os baques de outrora. Uma ilusão, como aquelas de antigamente, seria muito perigosa. Hoje eu não suportaria uma queda daquelas. Então a hipocrisia. Afastando a tudo &amp;amp; a todos. Uma armadura impenetrável. Covardia. Proteção. Sobrevivência. É muito mais fácil assim. Menos perigoso. Só decepção e tédio. Decepção comigo mesmo e tédio com o mundo sem amores intensos. Tédio com o mundo que eu escolhi pra mim - por covardia. Me sinto fraco. Escolhas... tudo são escolhas. É impossível saber qual a correta. No fundo não é uma questão de certo ou errado, trata-se de escolher o que se quer pra si. E muitas vezes temos que escolher mesmo sem saber. Um tiro no escuro. E eu sempre tive medo do escuro. Daí as escolhas por covardia. Armadura. Proteção. Auto-anulação. Medo. Hipocrisia. Fingindo ser o mais forte e negando o amor por medo, dizendo ser por coragem. Fica vazio. Fica tudo vazio. Por dentro e por fora. Eu e o mundo. Nada mais faz sentido. É como se eu estivesse assistindo um filme japonês abstrato sem legendas. O inconsciente captura, mas eu não compreendo. Só consigo sentir, e o sentimento puro, sem uma explicação racional, confunde - enlouquece. Enlouquece. Enlouquece...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7976337980529238440?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7976337980529238440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7976337980529238440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7976337980529238440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7976337980529238440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/confuso.html' title='Confusão'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3987460041153581353</id><published>2008-12-02T04:05:00.003-02:00</published><updated>2008-12-02T04:12:45.866-02:00</updated><title type='text'>Saudosismo argentino</title><content type='html'>Eu sinto falta de Buenos Aires. Muita falta. Hoje cortei o dedo e estou nostálgico. Queria andar de novo pela Calle Florida. Pegar o metrô, descer na Estación San Juan e subir por aquelas escadas rolantes de madeira que ficam estalando. Ir jantar no Café Takura e depois ir dormir naquele albergue em San Telmo. De madrugada eu poderia levantar e passear pela 9 de Julho tomando uma cerveja de um litro. Sinto saudades de falar espanhol. De pedir para explicar ou falar mais devagar. Queria deitar no gramado da Plaza San Martín. Nostalgia que às vezes me dá...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3987460041153581353?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3987460041153581353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3987460041153581353&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3987460041153581353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3987460041153581353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/saudosismo-argentino.html' title='Saudosismo argentino'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8192060422403567331</id><published>2008-12-02T04:00:00.002-02:00</published><updated>2008-12-02T04:02:52.541-02:00</updated><title type='text'>Elevador</title><content type='html'>Entrei no elevador e senti o perfume de uma mulher, forte e adocicado. Cheiro de festa, pensei. Cheiro de um tempo onde eu acreditava em muita coisa em que não acredito mais. Nostalgia. O perfume. A mulher. O amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8192060422403567331?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8192060422403567331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8192060422403567331&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8192060422403567331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8192060422403567331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/elevador.html' title='Elevador'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-4811485049254485024</id><published>2008-12-02T03:53:00.002-02:00</published><updated>2008-12-02T03:59:15.986-02:00</updated><title type='text'>A Arte de Escrever</title><content type='html'>Write it's something spiritual. Escrever é uma arte. Aprender a escrever é algo mágico. Porém, descobrir o seu próprio estilo em um mundo onde todos os estilos já foram criados é algo muito difícil. Tarefa árdua. Escrever é tarefa árdua. Principalmente porque não se pode agradar à todos. Já é de extrema dificuldade agradar alguns. Dear God, please help me. Help me write. Help me live. Help me die.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-4811485049254485024?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/4811485049254485024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=4811485049254485024&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4811485049254485024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/4811485049254485024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/12/arte-de-escrever.html' title='A Arte de Escrever'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-6272754714975413791</id><published>2008-11-28T23:16:00.007-02:00</published><updated>2008-11-28T23:50:38.333-02:00</updated><title type='text'>Círculos, ciclos &amp; confusões em geral (post confuso que não explica nada e não leva à lugar algum)</title><content type='html'>Uma questão me assolou neste momento: viver em eternos círculos viciosos é uma forma de covardia? Ultimamente eu tenho andado com a mania de achar que todos são covardes, e tenho me decepcionado muito com as únicas pessoas com quem achei que nunca me decepcionaria. Eu credito todas estas decepções à covardia. Pra mim, a covardia leva à mediocridade, e eu não suporto nenhuma das duas. Mas o que eu me perguntava era: viver em eternos círculos viciosos é uma forma de covardia? Talvez. Às vezes. Mas, tratando-se da situação específica que me despertou esta questão, eu diria que não. Para pessoas muito intensas o viver em círculos - ou ciclos - é, às vezes, uma forma de auto-preservação. Veja bem, isto não pode ser considerado covardia, pois não há o medo da entrega. O que acontece é que às vezes fica difícil viver/sentir/pensar ao máximo o tempo todo. Se meter em um círculo que sabemos como irá acabar é uma espécie de terapia inconsciente. Enquanto tu estás vivendo aquele ciclo, esperando o final, tu estás, de certa forma, "digerindo" tudo o que acontece - interiormente e exteriormete - e que seria demais se viessa à tona de uma só vez. Um círculo é um caminho, e como todo caminho o que importa não é o final - já conhecido - mas sim o trajeto, pois mesmo vivendo o mesmo ciclo eternamente, a cada vez que se passa por ele, somos uma pessoa diferente. A cada eternidade que vivenciamos, nós saímos com cicatrizes na alma e um grande conhecimento adquirido. Sempre achei que círculos eram uma forma mais sofisticada de covardia. Talvez sejam mesmo. Mas o que eu percebo agora é que eles são necessários, tanto para o aprendizado, como para a própria sobrevivência. Eu vivo querendo destroçar meus círculos, e quando consigo, percebo que isso é só mais um ciclo. Já tentei fugir; fuga não há. Já tentei ficar; esta realidade não me serve. Já tentei livros &amp;amp; filmes; acrescentaram mas não resolveram. Milhares de tentaitvas diferentes; sempre os mesmos ciclos. Não há sentido em ficar discutindo isso. Não consegui explicar porra nenhuma - nem pra mim mesmo. Mas o que eu queria dizer mesmo é que ter a sensação de que um círculo é uma forma de covardia gera uma culpa por não estar vivenciando tudo o que há além deste círculo. Conselhos de nada servem e eu ainda não aprendi a solucionar esta questão - embora eu nunca olhe pra trás, nem me arrependa, nem me culpe. Mas o que eu queria dizer mesmo é que a eternidade contida dentro deste círculo é a mesma que há fora dele, só que de uma forma mais segura. Eu nunca gostei de segurança, mas talvez seja esta forma de segurança forçada que me permita estar vivo até hoje. É impossível fugir de um círculo, mas é importante lembrar que mesmo dentro dele, tu sempre podes observar tudo que há ao redor. Um círculo é sempre interior &amp;amp; exterior, mas o exterior por si só, o "de fora" do círculo, não tem sentido nenhum. Só vai ter sentido quando tu te relacionares com ele. Só vai ter sentido quando entrar nos teus círculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Tudo é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;maya&lt;/span&gt; / ilusão ou &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;samsara&lt;/span&gt; / círculo vicioso."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-6272754714975413791?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/6272754714975413791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=6272754714975413791&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6272754714975413791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/6272754714975413791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/11/crculos-ciclos-confuses-em-geral-post.html' title='Círculos, ciclos &amp; confusões em geral (post confuso que não explica nada e não leva à lugar algum)'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-5488455966255656920</id><published>2008-11-21T07:51:00.000-02:00</published><updated>2008-11-21T07:52:03.369-02:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"se essa rua fosse minha..."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-5488455966255656920?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/5488455966255656920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=5488455966255656920&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5488455966255656920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/5488455966255656920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/11/blog-post.html' title='...'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1652961919686980520</id><published>2008-11-21T00:14:00.004-02:00</published><updated>2008-11-21T00:24:55.255-02:00</updated><title type='text'>Ausência</title><content type='html'>– Eu acho que eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu deixei de acreditar no amor há cinco decepções atrás.&lt;br /&gt;– Teu sorriso é sempre tão triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era mesmo. Mas eu não podia fazer nada sobre aquilo.&lt;br /&gt;Estávamos os dois deitados, nus, na cama encharcada com o nosso suor e com o nosso gozo. Era uma noite de verão. As janelas estavam fechadas e estava tudo escuro. Só havia aquele cheiro forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Um cheiro misturado, de união.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso era o que ela dizia. Eu só sentia o cheiro dela. Sempre foi assim comigo. Eu só conseguia sentir o cheiro das minhas mulheres. Acho que no fundo isso é bom. Não há lógica nenhuma em querer sentir o seu próprio cheiro. Mas o que me incomodava era ela falando desse “cheiro misturado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como se nossas almas se fundissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca acreditei nessa merda. Pra mim almas sempre foram egocentricamente isoladas de todo o resto – incluam-se aí outras almas &amp;amp; menininhas de pernas abertas. E além do mais, não me parecia que o cheiro do nosso gozo revelasse nossas almas. Ou parecia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permanecemos deitados no escuro, em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Na nossa atmosfera de amor, como uma bolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim a atmosfera era apenas de exaustão sexual. Mas que parecia uma bolha, isso parecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu já te disse que eu não acredito no amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do gozo sempre me vem um vazio. Mas às vezes esse vazio é calmo e sereno e melhor que todo o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se tu não acreditasse no amor tu não tava aqui comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes eu fico me perguntando se as mulheres são realmente burras ou se elas definitivamente não querem enxergar. Acabo optando pela segunda. Quase sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tu estás aqui para suprir o meu desejo sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes a crueza é o melhor remédio. Um pouco de realidade pra estragar O Amor Romântico Idealizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É só isso que eu sou pra ti? Um objeto sexual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando. A maioria delas era só isso mesmo. Mas ela talvez não fosse. Percebi que era com ela que eu compartilhava os meus momentos. Compartilhava tudo. Os livros, os filmes, as músicas, o sexo. Ela me ouvia pacientemente. Me idolatrava em silêncio. Eu sentia aquilo e me orgulhava em segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando consegui aquele filme existencialista japonês ela já tinha ido embora. Eu estava muito empolgado com aquele filme. Assisti em estado de êxtase. Queria falar horas sobre ele, queria mostrá-lo para alguém. E foi aí que eu percebi que estava sozinho. Não havia com quem falar. Não havia com quem assistir o filme. Ela havia ido embora. E o mais engraçado é que fui eu que provoquei isso. Solidão pacientemente construída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Vai lá. Garanto que até o natal tu tá de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela foi. E já há pinheirinhos pelas ruas e ela não voltou. Sempre há mulheres na minha cama. Mas não há mais companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se ao menos tu tivesse dito “fica”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não disse. Não diria nunca. Até porque a minha vontade também era de ir-me para um lugar bem longe, um lugar qualquer distante daqui. Talvez voltar pra Buenos Aires. Talvez ir meditar e lutar contra os chineses no Tibet. Sei lá, pra qualquer lugar que não seja aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verão continua quente e abafado, exceto por algumas noites frias na semana passada. Noites de um bom vinho no meio da solidão.&lt;br /&gt;E eu continuo nesse estado de suspensão da vida. Sozinho. Hibernando. Esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tu ainda vai ser um grande escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos ela acreditava em mim. E, às vezes, isso faz toda a diferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1652961919686980520?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1652961919686980520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1652961919686980520&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1652961919686980520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1652961919686980520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/11/ausncia.html' title='Ausência'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8672205764939069485</id><published>2008-11-19T05:25:00.001-02:00</published><updated>2008-11-19T05:27:18.836-02:00</updated><title type='text'>Porque diz tudo.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_I6y-korMLaU/SSO_w_97VQI/AAAAAAAAAEM/cBDlyhhPXGs/s1600-h/ATgAAADNGkSRwHCG8pghbXNIkOV8nVgNJSKclSQrEBWeKNOIE6HLJwIsmFHs_iV0h5ZH_kYx8pRlVTozRQbC4cCu31YVAJtU9VCQQSZBMMpj01PuRRdppGFP649pfw.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 239px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_I6y-korMLaU/SSO_w_97VQI/AAAAAAAAAEM/cBDlyhhPXGs/s320/ATgAAADNGkSRwHCG8pghbXNIkOV8nVgNJSKclSQrEBWeKNOIE6HLJwIsmFHs_iV0h5ZH_kYx8pRlVTozRQbC4cCu31YVAJtU9VCQQSZBMMpj01PuRRdppGFP649pfw.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270266837479412994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8672205764939069485?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8672205764939069485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8672205764939069485&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8672205764939069485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8672205764939069485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/11/porque-diz-tudo.html' title='Porque diz tudo.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_I6y-korMLaU/SSO_w_97VQI/AAAAAAAAAEM/cBDlyhhPXGs/s72-c/ATgAAADNGkSRwHCG8pghbXNIkOV8nVgNJSKclSQrEBWeKNOIE6HLJwIsmFHs_iV0h5ZH_kYx8pRlVTozRQbC4cCu31YVAJtU9VCQQSZBMMpj01PuRRdppGFP649pfw.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8480595376587342963</id><published>2008-11-08T01:16:00.004-02:00</published><updated>2008-11-08T01:25:29.872-02:00</updated><title type='text'>Lágrimas</title><content type='html'>Quando todas as palavras me abandonam, ainda me restam as lágrimas, que sempre disseram muito mais do que qualquer palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;♫ &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Milagreiro - Cássia Eller &amp;amp; Djavan&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8480595376587342963?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8480595376587342963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8480595376587342963&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8480595376587342963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8480595376587342963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/11/lgrimas.html' title='Lágrimas'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7024172373071552366</id><published>2008-10-31T00:33:00.005-02:00</published><updated>2008-10-31T00:43:19.956-02:00</updated><title type='text'>as mulheres &amp; o amor</title><content type='html'>Agora, nessa madrugada, lendo o "Nossa Senhora da Pequena Morte" da Averbuck, eu percebi que todas as mulheres são iguais. Pode ser intensa, tempestuosa, culta, inteligente, o caos. Ou pode ser burra, ingênua, limitada, torpe. No fundo, todas as mulheres sofrem do mesmo mal: amor incondicional, paixão doentia. Não importa a mulher, ela sempre acredita que o aquele amor é o mais forte &amp;amp; puro &amp;amp; verdadeiro &amp;amp; que vai durar para sempre. Os meus amores nunca foram fortes nem puros. Sempre foram verdadeiros (por um curto período de tempo). E eu sempre soube que nenhum deles seria para sempre. Mas elas acreditaram que sim, que a eternidade seria como aquele abraço, aquele beijo, aquela noite, aquele "eu te amo". Mentira. Se não foi mentira na hora, tornou-se depois. As minhas sinceridades absolutas sempre foram tão efêmeras. Não há salvação para as mulheres. Elas vão continuar acreditando, vão acontinuar amando. E eu vou contiuar sentindo o que me cabe: esta eterna culpa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7024172373071552366?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7024172373071552366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7024172373071552366&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7024172373071552366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7024172373071552366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/as-mulheres-o-amor.html' title='as mulheres &amp; o amor'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7580373504750986980</id><published>2008-10-30T21:14:00.003-02:00</published><updated>2008-10-30T21:39:33.989-02:00</updated><title type='text'>Considerações Sexuais</title><content type='html'>Na minha vida não havia drogas nem putas. Mas havia muita bebida e ex-namoradas, o que, no final, era praticamente a mesma coisa. De manhã, sentado na minha cama, batendo punheta e encarando uma caranca que soltava fumaça de sândalo pela boca, eu pensava como era estranho tudo aquilo. Séculos se passavam e as vaginas continuavam as mesmas. E eu sempre querendo alguma coisa diferente, alguma coisa a mais, alguma coisa sagrada no sexo animal. Queria a divindade em dois corpos se esfregando, resfolegando, ofegando. Mas não havia nada. Só o gozo, o vazio e uma ereção desfeita. Eu gostava dos cheiros. Acho que ainda gosto. Cada mulher com seu cheiro, com seu gosto, com sua textura. Todas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Banais. Vaginas em série, com algumas diferenças na embalagem. Intelectos amorfos &amp;amp; fantasias sadomasoquistas. "Paquitas", como diria Juliano Guerra. Paquitas sedentas de porra e nada mais. Afinal, a Xuxa fez filmes pornôs e deu pro Pelé, quem sabe desse certo pra elas também. Mas o pior é que nem isso elas queriam. Elas queriam o sexo pelo sexo. E eu sempre buscando alguma coisa além. Santidade, um momento perfeito, uma cena hollywoodiana. Eu viajava em citações de poetas malditos enquanto elas sugavam minha porra, sedentas, como um aspirador de pó na última velocidade. Eu me contorcia em espasmos e empurrava a cabeça delas. Era deprimente. E não havia nada. Gozava sem sentir. Um insensível de corpo e alma. Sozinho, num apartamento vazio, batendo punheta em meio à fumaça de incensos. Eu rezava para todos os meus deuses &amp;amp; invocava alguns demônios. De nada adinatava. Havia estado desesperado, mas agora nem o desespero fazia mais sentido. Experiências múltiplas. Sensoriais. Sexuais. Taças de vinhos, blues lentos, solidão. Nunca me faltou sexo, o que sempre faltou foi a companhia. Eu ouvia sirenes lá fora e adormecia no meio da punheta. O problema é que os detalhes sempre significaram muita coisa, e o todo nunca me valeu de nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7580373504750986980?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7580373504750986980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7580373504750986980&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7580373504750986980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7580373504750986980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/consideraes-sexuais.html' title='Considerações Sexuais'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8718323154132228810</id><published>2008-10-29T09:37:00.006-02:00</published><updated>2008-10-29T10:08:04.109-02:00</updated><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>Eu andava pensando em decapitar passarinhos e espremê-los, colocar todo o seu sangue em uma tigela e escrever com ele. Também andava pensando muito sobre Lúcifer. Eu achava que se ele era o espírito mais perto de Deus, ele devia saber bem mais do que os outros, e provavelmente não tinha se rebelado à toa. E também, se Lúcifer era um espírito puro, ele era bom, e partindo do pressuposto de que os espíritos não regridem, ele não poderia ter se tornado mau. Acho que ele teve um conflito com Deus, pois não concordava com a forma como Ele administrava as coisas. Então Deus, do alto da sua ditadura nazista, expulsou baniu exilou Lúcifer. Agora, só porque o cara foi banido, não significa que o cara seja ruim. Então eu ficava pensando que Lúcifer estava lá no seu exílio fazendo coisas boas, mas à sua maneira. Ele era um puta de um injustiçado, o coitado. Naquela época, dos passarinhos e de Lúcifer, eu andava com uns bloqueios meio bestas. Andava com dificuldades na ficção. Eu só conseguia escrever o que eu vivenciava. Não conseguia mais fingir, não conseguia mais inventar. Foi aí que pensei nos passarinhos, e meu pai tinha uma criação de canários que viria bem a calhar. Mas no fim desisti, achei que seria mais ou menos como na vez em que eu comprei uma caneta de R$60,00 e fiquei bloqueado. Nunca consegui escrever nada com aquela porra. No fim, acabei dando a caneta pra alguma das menininhas que eu comia naquela época. Era uma bela caneta. Ela deve ter se masturbado com ela. Mas Lúcifer, passarinhos &amp;amp; bloqueios à parte, eu andava emputecido com a reforma ortográfica. Queria matar quem inventou aquela merda, queria enfiar aquela lei no cu deles. Sei lá, talvez Lúcifer fosse mesmo um cara mau e eu pudesse oferecer-lhe passarinhos decapitados para que ele levasse para o inferno os caras da reforma ortográfica. Naquela época eu também andava às voltas tentando resolver o meu vazio pós-coito -  sem aplicar as novas regras gramaticais. Uma amiga havia me dito que sexo era apenas sexo, e que não havia nem nunca haveria nada depois. Eu ainda tinha umas idéias meio românticas e precisava acreditar que havia um depois. Mas toda vez que comia alguma adolescente sadomasoquista, eu ficava, ao final de tudo, lembrando da minha amiga dizendo que não havia mais nada, e apesar da insatisfação &amp;amp; contrariedade óbvias, eu começava a compreender. Parece que foi há tanto tempo tudo isso. Parece que foi ontem. E foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8718323154132228810?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8718323154132228810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8718323154132228810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8718323154132228810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8718323154132228810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3398396552261174275</id><published>2008-10-24T15:59:00.001-02:00</published><updated>2008-10-24T15:59:53.126-02:00</updated><title type='text'>Pois é</title><content type='html'>É, e eu que já estava me achando grande coisa. Não sou nada, só uma imitação barata de artista, cópia frustrada de escritor. Um merda, em suma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3398396552261174275?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3398396552261174275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3398396552261174275&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3398396552261174275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3398396552261174275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/pois.html' title='Pois é'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8676570284051515915</id><published>2008-10-23T03:23:00.003-02:00</published><updated>2008-10-23T03:34:35.686-02:00</updated><title type='text'>Espera</title><content type='html'>Eu lia Dostoiévski e ficava com uma depressão absoluta e incompreensível. Eu sempre gostei das minhas depressões absolutas, mas não conseguia conviver com nada que me fosse incompreensível. Então eu parava de ler Crime &amp;amp; Castigo, sempre na segunda parte, sempre por volta da página 110, e ia procurar contos beats na internet. Procurava algo que me dissesse alguma verdade besta, amarga e plenamente compreensível. Andava numas nóias de escrever contos de um intimismo nojento, meloso e doentio, sobre um amor platônico por uma menina de Porto Alegre. A minha relação com a palavra amor sempre foi muito engraçada. Eu, escritor maldito, showman de uma desgraça forjada, andava sempre pregando aos quatro ventos que o amor não existia. Não perdia uma oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu não acredito nessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qualquer menininha idiota que via os meus textos na internet se dava ao direito de vir me dizer “e tu ainda diz que não acredita no amor...” Eu ficava furioso. Eu decidia minhas crenças, e nenhum texto canalha &amp;amp; cretino iria mudar minhas falsas verdades. Digo falsas, porque eu nunca acreditei &lt;st1:personname productid="em verdades. De" st="on"&gt;em  verdades. De&lt;/st1:personname&gt; nenhum tipo. Mas daí eu estava naquela nóia de escrever contos intimistas para a menina de Porto Alegre. Ela era meio filósofa, e me influenciava com a sua prosa estranha. Nós chegamos à conclusão de que éramos, ambos, viciados &lt;st1:personname productid="em drama. Apesar" st="on"&gt;em drama. Apesar&lt;/st1:personname&gt; disso, ela não falava – nem escrevia – com clareza sobre o que acontecia. Eu mandava mensagens bêbado e ela permanecia em silêncio. Às vezes, não atendia o telefone. Eu já estava ficando de saco cheio e com vontade de mandá-la se foder. Eu nunca fui um cara de amores platônicos. Eu não tenho paciência pra isso. Descontava minhas frustrações em tardes &amp;amp; noites de sexo esporádico com duas ex-namoradas, alternando os dias. Mesmo assim, tesão andava sendo uma coisa difícil pra mim. Eu já havia feito o Kama Sutra completo com as duas, e não havia mais novidades. Até tentei convencê-las a fazer um ménage, mas não rolou. Permanece até hoje como minha única fantasia não realizada. Mas o problema principal era o tédio daqueles dias. Eu havia voltado de Buenos Aires há um mês, e nesse mês não havia acontecido absolutamente nada de interessante – fora o meu consumo descomunal de bebidas alcoólicas diversas. Funcionava assim: eu ficava entediado e bebia. Eu não trabalhava e havia trancado a faculdade de jornalismo. Passava as madrugadas bebendo e os dias dormindo. Não conseguia dormir à noite, estava com umas paranóias a respeito de fantasmas. E havia um gnomo no meu apartamento. Pelo menos ele cuidava das plantas, já que eu sempre fui muito relapso com isso. Eu só não estava usando drogas mais pesadas por falta de oportunidade. Às vezes me sentia meio fake nesse papel de escritor maldito, a &lt;st1:personname productid="la Caio F.," st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="la Caio" st="on"&gt;la Caio&lt;/st1:personname&gt; F.,&lt;/st1:personname&gt; que no fundo tinha uma paz espiritual, adquirida das religiões orientais. Às vezes me parecia que eu estava sufocado numa agonia, meio a &lt;st1:personname productid="la Juliano Guerra" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="la Juliano" st="on"&gt;la Juliano&lt;/st1:personname&gt; Guerra&lt;/st1:personname&gt;, eu que nem sou tão canalha, que dissimulo e finjo não acreditar no amor. O que aconteceria depois eu não sabia. Tinha planos de me mudar para Porto Alegre, lançar um livro, exercitar a minha paciência em um ou dois semestres de uma faculdade de letras qualquer. No fundo, eu tinha 21 anos, três faculdades trancadas e nenhuma perspectiva de futuro. Minha mãe ficava quase louca, e tentava desesperada fazer com que eu me interessasse por alguma coisa. Não adiantava. Eu me interessava por uma filósofa gostosa de Porto Alegre, boa literatura &amp;amp; alucinógenos. O resto não me importava. No fundo, eu estava cansado. Às vezes olhava os meus amigos formandos, com suas vidinhas bem estruturadas, e sentia pena e inveja. Na mesma proporção. Mas eu sabia que aquilo não era pra mim. O que eu não sabia era o que eu estava procurando. Eu não sabia quem eu era. E por muito tempo isso me causou desespero. Mas o desespero passou e só restou o cansaço. Eu ria sozinho no meu jk alugado e cheio de fantasmas. Mas era um riso amargo. Eu fumava um cachimbo que me ardia na garganta e bebia mais. Estava esperando. Só não sabia o quê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8676570284051515915?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8676570284051515915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8676570284051515915&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8676570284051515915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8676570284051515915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/espera.html' title='Espera'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8350567243485022246</id><published>2008-10-21T07:31:00.005-02:00</published><updated>2008-10-21T09:08:09.843-02:00</updated><title type='text'>Caminhada Noturna</title><content type='html'>Para onde vou? Belíssima questão. Nós sempre nos perguntamos para onde vamos, sem nunca prestar atenção de onde viemos. A noite está agradável. Há uma brisa leve e fresca, que faz as folhas escuras das árvores farfalharem. Meus passos ecoam pelas ruas desertas. Nietzsche já dizia que os únicos pensamentos válidos são aqueles que temos caminhando. Andando agora, nesta madrugada deserta por estas ruas solitárias, isso começa a fazer sentido. As cidades de interior, em dias de semana, morrem à noite. Vez em quando uma que outra viva alma cruza o meu caminho; fora isso, tudo é deserto. É complexo, sabe, essas coisas de andar por ruas desertas. Já é tarde, quase cedo. Alguns passarinhos já se atrevem a dar alguns piados. E eu pensando numa moça distante, e lembrando da imagem de Caio dizendo pra escrever tudo que vêm à cabeça. Devaneios, delírios. Acho que estou ficando louco. Esquizofrênico, até. Às vezes tenho alucinações, sabe. Vejo pessoas que não existem. Sabe, elas me atormentam. Passo por uma loja onde há manequins na vitrine iluminada. Eles parecem vivos. De início eu tomo um susto, mas depois aquilo me dá uma opressão, os manequins que parecem vivos, as pessoas que não existem, tudo me apertando o peito, e eu quase choro. Mas bem no momento em que eu vou derramar a primeira lágrima, um passarinho canta bem alto. É um canto bonito. Não sei que pássaro é, eu nunca soube distinguir o canto dos pássaros, embora eu tenha sido criado no interior, no meio do mato, onde meu avô e meu tio sabiam distinguir e imitar com perfeição o canto de todos os pássaros que ali haviam, sabiam cantar como pássaros, cantar para atraí-los, cantar para matá-los. Atrair &amp;amp; matar. De uma forma ou de outra, estes verbos sempre estiveram presentes na minha vida. Mesmo quando meu pai ficava dormindo, ou então andando de roupão pela casa de campo dos meus avós, meu pai sempre tão urbano, enquanto meu avô e meu tio iam cantar e matar passarinhos. Sabe, aquele canto sempre me pareceu algo ritualístico, algo entre uma marcha fúnebre e uma ode à morte. Vai ver era mesmo isso. E eu sigo caminhando pelas ruas desertas. Embora ainda seja noite escura, fechada, os pássaros já anunciam a manhã como se ela estivesse aqui. Vai ver está, eu que não vi. Passo numa rua secundária, mais deserta do que as outras, e ouço urros, que a primeira vista me parecem lamentos melancólicos, talvez uma mulher recém-estuprada chorando suas mágoas ao vento, talvez alguma dor forte &amp;amp; funda, algum coração despedaçado. Depois os gritos me parecem algazarra de adolescentes, alguma festa com sexo, drogas &amp;amp; rock'n roll, em plena madrugada de terça-feira, desafiando as regras de cidade pequena, há quanto tempo eu fazia isso também? Não deve ser muito, não sou tão velho... ou sou? Não consigo me lembrar. Por fim percebo que é apenas o choro de uma criança, e por entre cortinas esvoaçantes vejo a luz de uma televisão sem som em um apartamento térreo. Eu nunca entendi porque as crianças choram à noite. Algo a ver com o escuro, algo a ver com pessoas que não existem, monstros embaixo da cama... A noite calma faz minha mente voar mais do que qualquer droga. Eu caminho alienado enquanto os vigias das ruas me observam com atenção, eu, um tipo tão estranho, todo de preto, com longos cabelos cacheados e um chapéu destes que não se usam mais. Talvez achem que eu estou drogado. Ou tentando assaltar alguma casa. Provavelmente os dois. E os passarinhos continuam cantando. Tem um poema famoso que fala alguma coisa assim, sobre passarinhos, alguma coisa como "você passará, eu passarinho", nem me lembro mais... Vejo as placas de rua e viro para o lado oposto, só por diversão. As placas não são para pedestres mesmo, mas eu exercito a minha tendência natural à contrariedade. Eu sempre fui tão contrário a tudo e a todos. Passo agora em frente a uma mini-pracinha, em frente a uma casa colorida, uma creche provavelmente, e isso me lembra os dias felizes da minha infância. Está tão nostálgico esse passeio. Mas há aqui, em frente à essa creche, o cheiro forte de alguma árvore desconhecida, que me desperta mil lembranças, me atirando de volta com força à minha infância, junto com o colorido dos brinquedos. Já é primavera e os mosquitos me comem vivo, enquanto na casa ao lado da creche um cachorro se movimenta e se agita, inquieto por detrás do muro, sentindo a minha presença aqui parado, a minha presença, que eu sempre desconfiei não ser muito boa. Acho que não há cachorro algum. Devem ser apenas passarinhos. Ou gansos. Ando pelas ruas e ouço portas rangendo, mas não há nada. Já estou perto de casa agora. Sinto a manhã se aproximar, embora não haja resquício dela no céu. Deve ser só impressão, uma impressão errada, mais uma... Os pássaros são agora bem mais numerosos, e cantam cada vez com mais força. Passo por uma prostituta em uma esquina e agradeço o convite, mas sabe como é, estou sempre sem dinheiro e ela pode ser um travesti. Ando no meio da rua. Sempre gostei disso. Talvez pela transgressão, talvez pela solidão. Sento-me em uma escada perto de casa. Uma placa balança violentamente, embora o vento pareça ter diminuído. Agora os carros já começam a aparecer. E as vozes. É hora de ir para casa e trancar-me até a próxima noite solitária, trancar-me até que a próxima noite revele o seu esplendor só para mim. E ainda preciso ir tomar o café da manhã com minha mãe. Levanto-me e sigo. A luz de um poste apaga quando passo. Isso acontece sempre. Imagino que deva haver alguma explicação científica, mas prefiro acreditar que são os meus fantasmas. Eu gosto deles. Pessoas que não existem, princípio de esquizofrênia, essas coisas... Não vou contar as páginas, não vou olhar a hora, nada. Alguma coisa eu já devo ter escrito, só espero que seja bom. Vejo a lua alta no céu, pela primeira vez na noite, e ela não parece anunciar a manhã. A luz de uma vitrine pisca incessantemente, e quando eu passo, ela apaga. Fantasmas, esquizofrênia... O vento aumenta agora, estou quase em casa... É tudo mentira. Eu ainda não me levantei daquela escada. Embora a lua, a luz da vitrine, os fantasmas, o vento, as palavras, tudo isso seja real. Agora eu vou-me de fato. Na primeira quadra passo por uma bandeira do Brasil tremulando no alto de um edifício. Escarneço. Acho engraçado, mas daqueles engraçados amargos. Nunca gostei destas porcarias de "ame uma pátria forjada a sangue escravo e venha para o exército". Tampouco fui revolucionário ou esquerdista, sempre gostei de vinhos chilenos e tabaco dinamarquês. Na adolescência tive uns flertes com aquela porcariada toda de República Rio-Grandense, mas já passou. Aliás, todas as pseudo-tentativas de lutas ideológicas da adolescência já passaram. Se é que houve alguma. A verdade é que eu sempre fui um acomodado. Começa a ficar frio agora. A lua continua alta e a manhã parece que não virá hoje. Tenho efeitos retardados de drogas variadas e vejo luzes que não existem cruzando o meu caminho. Um duende joga uma semente no meu chapéu. Duendes são sempre tão brincalhões. Dou voltas pelas quadras ao redor da minha casa procurando prolongar o caminho o máximo possível. Está muito frio agora, mas a noite continua maravilhosa. Quando estou quase chegando em casa um passsarinho pousa aos meus pés e começa a catar umas sementes pelo chão. Acho engraçado, mas desta vez sem o amargor, apenas com nostalgia. É um engraçado com um sorriso meio triste. Quando chego na esquina do meu apartamento todos os passarinhos cantam de uma só vez, e desta vez eu não consigo conter as lágrimas. Tenho vontade de matá-los todos, um a um, esmagando-os entre meus dedos, vendo suas vidas pequeninas esvaírem-se, e suas belas vozes calarem-se. Antes de entrar em casa olho para o céu pela última vez e vejo que um azulado claro começa a surgir. A manhã finalmente chegou. Eu chego em casa gelado. Encontro o elevador no térreo. Eu fui o último a sair, eu sou o primeiro a chegar. Ao entrar no elevador e apertar o botão do sexto andar, tenho a sensação de que algo morre em mim. E o pior é que eu nem sei o quê. Agora não importa mais, já se foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8350567243485022246?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8350567243485022246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8350567243485022246&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8350567243485022246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8350567243485022246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/caminhada-noturna.html' title='Caminhada Noturna'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-3289424843913418670</id><published>2008-10-16T01:13:00.013-03:00</published><updated>2008-10-16T03:41:51.652-03:00</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>Incrível como uma única palavra é capaz de me desmoronar por inteiro. Não entendo de onde vêm essas toneladas de dramas desnecessários. Uma palavra, um gesto, um sorriso meio errado são suficientes para fazer desabar um torrente de lágrimas sem sentido, choro convulsivo e inexplicável, por desejos ainda mais inexplicáveis. Tentativas vãs de achar alguma lógica, algum sentido na falta daquilo que nunca tive, na ausência desesperadora de uma presença que eu não conheço, embora reconheça, delírios de vidas passadas.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O mundo termina fácil, e a vida recomeça num instante.&lt;/span&gt;" Traduzir em palavras sentimentos que não compreendo é tarefa árdua, e cada vez mais eu me perco em labirintos de idéias vãs, em caminhos que não levam a lugar algum, sabendo que o único lugar para onde quero ir é - talvez - inalcançável. Loucura desvairada perturba minhas noites, tira meu sono, não me permite descansar nem mesmo em sonhos, loucura desvairada de sentimentos sei lá eu por quê dilacerados... Uma palavra, uma ausência... só isso basta. O mundo cai. Assisto a (re)construção que eu fazia pacientemente de mim mesmo ruir - de novo. Até onde isso vai? Gatilho maldito de emoções que dispara quando eu menos espero. Gatilho maldito de sentimentos, e essa mão invisível, cruel e sempre pronta a acabar comigo. Essa menina tão bela e tão distante, intocável, sempre a dilacerar-me em versos sem rima nem métrica, a retalhar-me em prosa solta e perfeita, a filosofia da (auto)destruição. Ah... todo esse drama disparado de longe, como se fosse perto, como se fosse a queima roupa, chego a sentir o calor, o rubor das faces, o sangue pulsante, a emoção vibrante em cores vivas e olhos azuis. Uma libertação escondida atrás do exagero em pessoa. Uma salvação. Outro drama, lágrimas, desesperos, os eternos círculos viciosos de que me falaste tanto, não há escapatória, é só ilusão, mas nós vamos construindo nossas ilusões cada vez melhor, e acreditamos cada vez mais nelas, e quando se desfazem como bruma ao sol, morremos, um pouco em cada ilusão, e cada vez mais, nossas ilusões andam tão reais, nosssas mortes andam tão profundas, meu Deus, aquela dor forte e funda lá dentro, cada vez mais, de novo e de novo e de novo, em círculos sem fim. Toda essa dramaticidade, nós dois, belos sentimentais desperdiçados, atropelados pelo mundo que nos distancia e nos rouba um do outro. Tempo desgraçado, que não permite horas a mais para nos aproximar, algumas horas extras para nós, não para o mundo, deixa o mundo com seu tempo, dê-nos mais horas, só para nós dois, nosso tempo particular, nosso mundo particular, nossa eternidade em um segundo perdido. Nossa eternidade, sempre tão efêmera, tão frágil, tão fugidia. Mas nossa, e por isso intensa, multicolorida, brilhante. Nossa eternidade perdida em um segundo sem dramas, o segundo que buscamos desesperados no meio de tantas horas inúteis de choros desgarrados e vontades suicidas. O nosso segundo. Tudo por uma palavra disparada sem dó... Tudo por uma emoção na hora errada, numa noite, estirado em uma calçada, quando alguém me disse o seu nome e eu pensei: "ela!" E foi ela desde então, sempre ela, e o drama, e os segundos perdidos, e a eternidade. Depois de tudo, é difícil admitir que, para mim, ela sempre foi uma ausência. E é nessa ausência que sempre esteve a minha redenção. Nas suas palavras distantes, no seu pulso firme dedilhando um gatilho imaginário. No fundo dos seus olhos azuis, como duas poças de água cristalina, como uma passagem para a eternidade. Uma palavra. O gatilho. Ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-3289424843913418670?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/3289424843913418670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=3289424843913418670&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3289424843913418670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/3289424843913418670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/ela.html' title='Ela'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-1498992693555128808</id><published>2008-10-14T14:15:00.000-03:00</published><updated>2008-10-14T14:17:57.849-03:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>tanta coisa, tanta coisa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-1498992693555128808?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/1498992693555128808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=1498992693555128808&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1498992693555128808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/1498992693555128808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/blog-post_14.html' title='...'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-8347405904000098075</id><published>2008-10-11T00:46:00.003-03:00</published><updated>2008-10-21T09:17:42.043-02:00</updated><title type='text'>Drama</title><content type='html'>O drama é essencial. Mas em excesso mata. Como uma overdose. Overdose de drama. Overdose de sentimentos dilacerados. Overdose de solidão. Essa necessidade pelo drama afasta todo o resto. Afasta tudo o que é realmente importante. Afasta todos os que realmente se importam. O drama é um veneno. Uma droga que vicia - e como é difícil largar! Como tudo é difícil...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-8347405904000098075?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/8347405904000098075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=8347405904000098075&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8347405904000098075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/8347405904000098075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/drama.html' title='Drama'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-7827194302469297073</id><published>2008-10-08T14:40:00.000-03:00</published><updated>2008-10-08T14:41:41.108-03:00</updated><title type='text'>Marcelo Camelo e Mallu Magalhães - Janta</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8qslW1S6Z1I&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8qslW1S6Z1I&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-7827194302469297073?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/7827194302469297073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=7827194302469297073&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7827194302469297073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/7827194302469297073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/marcelo-camelo-e-mallu-magalhes-janta.html' title='Marcelo Camelo e Mallu Magalhães - Janta'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-326097907223791911</id><published>2008-10-08T03:57:00.003-03:00</published><updated>2008-10-14T14:17:37.482-03:00</updated><title type='text'>.</title><content type='html'>Eu sempre tive o meu mundinho meio à parte. Foi o que me salvou e me amaldiçoou até hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-326097907223791911?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/326097907223791911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=326097907223791911&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/326097907223791911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/326097907223791911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/eu-sempre-tive-o-meu-mundinho-meio.html' title='.'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4057466891393808952.post-778359405771375680</id><published>2008-10-08T02:13:00.005-03:00</published><updated>2008-10-08T02:37:48.343-03:00</updated><title type='text'>o belo</title><content type='html'>Nós temos implícito - ou explícito - em nós a eterna busca pela beleza. É como um instinto, enraízado bem fundo no nosso subconsciente. Milan Kundera já falava alguma coisa sobre o eterno senso de beleza que guia a todos nós, pobres mortais desejosos. Mas essa beleza não pode ser apenas estética, ela também precisa ser tão - ou mais - bela em seu interior. Mas não pode ser um belo vazio, pura bondade e ternuras. Necessita-se de um belo machucado, com cicatrizes por dentro, um belo deformado, que só se mostra belo quando observado em certo ângulo. Eu sei que parece ridículo falar dessas coisas de beleza interior nos dias de hoje. E quem lê e me conhece deve estar achando isso uma farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, mataram o Ryan! Alguém invadiu o apartamento dele, e agora tá postando no blog dele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, eu não morri. Apenas a vodka que me fez ir um pouco (ou muito) mais fundo, cavocar, revirar lá no fundo escuro e poeirento, abandonado. E lá, assim, não sei explicar muito bem, acho que eu encontrei algo como um resquício de esperança. Esperança de que, eu não sei. Talvez da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por algum motivo que eu desconheço, tudo isso me fez lembrar do velho Kundera, com o seu sentido estético de beleza, com seu Tomas e sua Sabina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que eu queria dizer mesmo é que eu não consigo encontrar o belo, por mais que eu procure. Um vislumbre aqui, outro ali, mas é só névoa sob a luz de mercúrio. Talvez tudo isso seja porque o belo morreu em mim. Lá dentro. Morreu de fome. E sem ter a sua própria beleza inteior, é impossível sentir a dos outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4057466891393808952-778359405771375680?l=coffeeandstrawberry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/feeds/778359405771375680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4057466891393808952&amp;postID=778359405771375680&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/778359405771375680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4057466891393808952/posts/default/778359405771375680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coffeeandstrawberry.blogspot.com/2008/10/o-belo.html' title='o belo'/><author><name>Ryan Mainardi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03584545245045467880</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
