quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Busca

E eu permaneço aqui. Varando madrugadas, bebendo cerveja, fumando cachimbo, lendo contos beats, com músicas de Elis Regina entre um e outro, pra disfarçar, um conto falando de putas e uma música falando de amor, devidamente alternados para não perturbar o meu frágil equilíbrio. Permaneço acordado esperando a manhã chegar para enfim poder dormir. À noite meus fantasmas me perturbam, derrubam quadros na minha cabeça e não me deixam descansar. Então fico sozinho por estas madrugadas forjando amores impossíveis e desesperados, buscando companhias mil para disfarçar a solidão indisfarçável. Tento dissimular a pessoa detestável que sou, talvez em busca de alguém, um alguém que também dissimule, que finja não ver fundo demais, que sorria e diga que acredita em tudo e que me ame. A névoa toma conta das madrugadas frias, e em meio à total solidão eu busco amor. Palavrinha complexa, indefinível. Busco um amor assim, meio distante, pra dramatizar um pouco, afinal, preciso do drama, mas busco um amor, que aqui e ali talvez até me convença que a vida não é tão ruim, que as pessoas não são tão más, que o mundo tem solução. Busco um amor redentor, eu, que tão perdido estou. Busco a felicidade, se é que isso existe. Busco tudo o que eu me dissera para não buscar, acho que justamente por isso. Mas sabem como são as buscas, levam tempo e dedicação, necessitam paciência e perseverança, e eu nunca tive nada disso. Eu sempre me perdi pelos caminhos errados, e acho que desta vez não vai ser diferente.

Um comentário:

Amanda disse...

Minhas madrugadas estão descritas aqui. Como se alguém me espionasse e viesse aqui contar o que viu....