quarta-feira, 8 de outubro de 2008

o belo

Nós temos implícito - ou explícito - em nós a eterna busca pela beleza. É como um instinto, enraízado bem fundo no nosso subconsciente. Milan Kundera já falava alguma coisa sobre o eterno senso de beleza que guia a todos nós, pobres mortais desejosos. Mas essa beleza não pode ser apenas estética, ela também precisa ser tão - ou mais - bela em seu interior. Mas não pode ser um belo vazio, pura bondade e ternuras. Necessita-se de um belo machucado, com cicatrizes por dentro, um belo deformado, que só se mostra belo quando observado em certo ângulo. Eu sei que parece ridículo falar dessas coisas de beleza interior nos dias de hoje. E quem lê e me conhece deve estar achando isso uma farsa.

- Cara, mataram o Ryan! Alguém invadiu o apartamento dele, e agora tá postando no blog dele!

Mas não, eu não morri. Apenas a vodka que me fez ir um pouco (ou muito) mais fundo, cavocar, revirar lá no fundo escuro e poeirento, abandonado. E lá, assim, não sei explicar muito bem, acho que eu encontrei algo como um resquício de esperança. Esperança de que, eu não sei. Talvez da vida.

Mas por algum motivo que eu desconheço, tudo isso me fez lembrar do velho Kundera, com o seu sentido estético de beleza, com seu Tomas e sua Sabina.

Mas o que eu queria dizer mesmo é que eu não consigo encontrar o belo, por mais que eu procure. Um vislumbre aqui, outro ali, mas é só névoa sob a luz de mercúrio. Talvez tudo isso seja porque o belo morreu em mim. Lá dentro. Morreu de fome. E sem ter a sua própria beleza inteior, é impossível sentir a dos outros.

3 comentários:

Lili disse...

Platão ficou a vida inteira atrás da definição exata do Belo.

E no final, a única coisa que ele acabou criando foi uma grande história chamada "Hipias Maior".

E todo mundo tem uma beleza interior - even you.

Ryan Mainardi disse...

Sabe, às vezes tu me surpreende.

=)

Lili disse...

Faz parte do meu show. ;]