segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Menina-moça

Ela é aquela menina-moça, de pele branquinha, que se veste de preto – às vezes com listras brancas ou bolinhas vermelhas – e pinta as unhas e a boca de vermelho-vivo. Ela anda sozinha pelas madrugadas, dançando e cantando com uma cerveja na mão. Ou anda com loucos, bêbados, drogados e outros subvertidos sociais. Ela gosta de tomar vodka. Adora a roda gigante e o barco viking. Gosta de brincar com balões – de preferência amarelos.

Ela é aquela de quem as meninas falam mal,

Pois queriam ser igual,

E não têm coragem para tal.

Ela é aquela que os meninos desejam, coitados – ela nem os vê. Ela só quer dançar e beber e delirar. Sim, “ela dorme com um drink na mão”. Sim, ela é estranha. E livre livre livre. Ela lê muito e pouco se importa. Ela gosta de música e não liga pra ninguém.

Ela é em si,

Pra si,

E pra mais ninguém.

Ela roda e rodopia pelas ruas vazias. Seu coração está vazio e ela é feliz. Ela não tem medo de sentir prazer, e sexo faz com maestria. Ela é uma criança em corpo de mulher. Ela é uma deusa com carinha de criança. Ela gosta de provocar e de partir corações. Ela é menina-moleca e sapeca. Ela é mulher fatal. Ela é um pouco de tudo. E ela tem o que eles querem.

Ela sai por aí,

Fazendo o que quiser,

E imaginando o que puder.

Ela pode tudo. E faz. De novo e de novo e de novo. De todas as formas. Ela vibra, treme, chora, grita, ri. Ela é. Ela grita, xinga e diz palavrão. Ela beija, lambe e chupa. Ela tem os olhos profundos. Ela tem a vagina profunda. Ela gosta de andar na chuva e pular nas poças d’água. Ela é uma típica menina pós-moderna. E ela não ama. Ela vive feliz a sua vida de Cinderela despedaçada, à espera de um príncipe que nunca virá.

Ela é o desespero.

2 comentários:

Ryan Mainardi disse...

um conto. sobre uma menina-moça. como já diz o título.

Lili disse...

De longe o meu texto preferido de todos os que tu já escreveu...